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sexta-feira, 14 de novembro de 2014


Dizer adeus é entregar a Deus. E entregar não é fácil. Não poder controlar o que é nosso, perceber que nada é na verdade nosso, aceitar perder o que é nosso para sempre.  
A vida não é para sempre, mas é sempre que o homem quiser. Mas o homem às vezes não quer mais. Nunca mais.  
Não me abandones. Fica mais um dia e começamos de novo, tudo de novo. Como se não houvesse amanhã. Só não me deixes acordar e perceber que não há....  

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Partilho com vocês as minhas fotos do último espectáculo da Arte Move, "Desassossego", o primeiro a dançar depois do cancro e por isso muito especial. É preciso quase um guindaste para me tirar do chão mas a intenção está lá. Ou cá. Ainda não regressei à dança depois do verão porque não me tenho sentido operacional, mas... me aguardem!

Obrigada Instant Bulb e Arte Move pelas fotografias!

(para ilustrar as fotos, seguem-se dois dos textos que escrevi para o espectáculo)

Todos os dias espero este momento, o momento em que me desassossegas e me fazes transgredir a regra de ser apenas eu. Todos os dias espero este momento, que me sossega as dores e o sofrimento. Todos os dias sou movimento, brisa suave ou forte - o vento. 

Hoje era para ser ontem. Os minutos não sabem ser horas e as pessoas esquecem-se de ser gente. Gente daquela que vem sem relógio, sem telefone, sem tv, sem porquê. Gente daquela sem calendário para agendar o amor ou computador para esconder a dor. As pessoas esquecem-se de ser gente que sente, que cai, que salta, que se equilibra, se desequilibra, se levanta, se encolhe, se expressa, se abraça, se separa, corre, pára, anda, entra e sai… Apenas gente no desassossego de ser gente. 

Fotos: Instant Bulb
Montagem: CurAção


domingo, 13 de julho de 2014


Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Desafio
E se ninguém conseguisse mentir?
Desenvolva o tema, usando não mais de 400 palavras.


Era uma vez um menino que gostava de brincar às escondidas. Gostava de desaparecer de vez em quando para que pudessem procurar por ele. Será que o vão apanhar? Será que vão à sua procura? O menino sabia – sem saber – que os livros se vendem fechados para que possam ser abertos. E desfolhados. Ensinaram-lhe que era feio mentir e, pelo que pôde perceber, só aos adultos é permitido mentir. E à descarada. Ele desculpa-os porque sabe que precisam de inventar algumas histórias para não se zangarem uns com os outros ou andarem tristes dentro deles – embora andem na mesma. Ele não precisa de mentir porque inventa histórias de encantar e de grandes heróis para manter viva a sua verdade. São de faz-de-conta, o que é diferente de mentir. Os crescidos deixam de brincar e começam a mentir. Mas ele também tem alguns amiguinhos que às vezes mentem porque têm medo. Ele mentiu uma vez para a mãe não ficar zangada e triste.

Batota. Batoteiros. Não sei por que chamaram um coxo para falar de mentiras mas talvez porque, enquanto houver vida, há de haver mancos, imperfeições e mentiras. Piedosas ou cobardes, corajosas ou maldosas, escondem-nos ou mostram-nos para não haver dúvidas de que somos reais. Deixasse de conseguir mentir, disfarçar, fingir ou omitir – farinhas do mesmo saco - e achar-me-ia no céu - quiçá no inferno - no Júlio de Matos ou simplesmente noutro planeta. Posso não te mentir, mas não posso não te poder mentir, ok? É a fuga, o crime perfeito!

 As minhas mãos não marcariam compasso na mesa para resistir dançar com as tuas, os meus olhos não fugiriam dos teus intermitentemente, a minha boca não diria as coisas certas, os meus pés não se manteriam timidamente no seu cantinho… Não teria desligado a chamada, não te teria dito que está tudo bem, nem sequer teria desistido de ti. Talvez o meu pecado não seja a mentira, mas a omissão. Escondo-te a alma, a que brilha nos olhos quando encontram os teus e vibra no corpo quando te sente por perto ou mesmo a caminho. Não, prefiro mentir-me a ver-me louca.

Era uma vez um menino que gostava de brincar às escondidas porque sabia que podia sempre afastar-se e voltar a casa. Era uma vez um menino que não precisava de mentir nem fugir nem fingir porque o seu coração ainda tinha asas. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014




Porque os deuses devem estar loucos...


(tão depressa chove como faz sol... e o que isso diz sobre nós?)



O comboio das estações leva-me até à Primavera. No caminho vejo a chuva a cair, as árvores despidas, os agasalhos, as botas, os ombros junto às orelhas, as marrecas que não deixam penetrar o frio... Os cinzas, os castanhos e os escuros predominam, os vultos diluem-se no quadro da estação invernosa... Chora a céu, contraem-se as entranhas, entristece-se a natureza... Só as árvores têm a coragem de se despir... como que a pedir...

A poucos minutos da estação, o sol começa a espreitar. Às vezes penso que a luz ao fundo do túnel é apenas sol... que aquece os corações deprimidos... 

Saio na Primavera e vejo vida, renovação, criação, cor... Alguma razão teriam os romanos ao iniciar o ano em Março... Avisam-me de que só posso permanecer 3 meses, porque, logo depois, o comboio segue para o Verão. Percebi que a Primavera só é possível graças ao Inverno... Como a bonança depois da tempestade... 

No Verão, é o calor, a loucura, a mania da natureza... Mergulha-se na vida em pleno na esperança de encontrar a plenitude na vida...

Se os ciclos da Natureza se traduzissem em ciclos internos nas nossas vidas, para mim, a Primavera seria a Esperança, o Verão a Bonança, o Outono o Balanço e a Reflexão e o Inverno a Depressão. Estações que passam por nós e em nós, que nos diluimos no universo da vida.

O que acontecerá se o Verão deixar de ser Verão e o Inverno deixar de ser Inverno? 
O que acontecerá se a bonança e a depressão se manifestarem esporadicamente, sem sentido, pelas nossas vidas? E se a esperança desaparecer? E o espaço para reflectir? 

Chove, faz sol, desaparece o sol, chove. Ainda dizem que está tudo louco!

Se calhar...

quinta-feira, 3 de julho de 2014


Quarta-feira, 2 de Julho de 2014


No âmbito do projeto "Djunto no ta prendi fazi", apoiado pelo Programa Cidadania Ativa da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Girassol Solidário apresenta, no espaço ArtCasa, a Exposição "A 11ª Ilha de Cabo Verde".

Este projeto visa capacitar os doentes caboverdianos que estão em Lisboa a fazer tratamentos que não são contemplados ainda em Cabo Verde e que são também voluntários da associação. Tem três valências, como o artigo do jornal cabo-verdiano "A Semana" especifica:

- Formação para a Saúde, ministrada pela Saúde em Português (a qual eu frequentei) para que os voluntários, que são eles próprios doentes evacuados, conheçam melhor as suas doenças e as dos conterrâneos que vão ajudar;

- Intervenção no terreno, para que estes voluntários conheçam todo o percurso e o trabalho dos técnicos no apoio aos doentes evacuados desde que chegam a Portugal e eles próprios intervenham activamente no processo;

- Expressão para a Cidadania, com a formadora Cindy Baptista, onde a expressão artística é facilitadora de processos de auto-conhecimento, reconhecimento e partilha de vivências, emoções e sonhos destes interlocutores, cujos trabalhos constam desta exposição.

A Cindy foi minha colega de pós-graduação, minha companheira na aventura de Cabo Verde e está empenhada, assim como eu, em continuar o caminho que não nos foi possível construir nesse país, o seu de origem. Cidadã do mundo e pintora de sonhos, sabe que as fronteiras são estabelecidas pelo homem, mas que entre almas não existem. As suas e as da sua Maçaroca traduzem-se em pontes que unem o que de mais bonito se faz entre os países que vão morando no seu coração e onde ela vai habitando criativamente. CriAtivamente.

Até 5 de Julho!



referências à terra (enxada) e à música (cavaquinho)


Os trabalhos são todos fantásticos mas seleccionei os dois que identifiquei com a minha CurAção:

Artista: Thierry Chaile
Ilha: São Vicente
Em tratamento desde: Abril 2014
Nome: Amor


Artista: Gonçalo Lima
Ilha: Santo Antão
Tratamento desde: Abril 2013
Nome: Conecta


Um pormenor do trabalho feito com o barro, onde os artistas projectaram as suas vivências

domingo, 29 de junho de 2014


Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Desafio
O contrato estava assinado. 
Explore o enredo, usando no máximo 400 palavras. 

Era um dia como o de hoje… Cinzento, com raios de luz que timidamente nos tocavam, uma brisa fria que combinava com o nervoso miudinho que se impunha… e a tua expressão, indecifrável, cinzenta para não descortinar e fria para não aquecer os ânimos. Sempre disseste que o papel reduziria o sonho e que, amarrado, não conseguirias amar. Sempre te disse que o papel legitimaria o sonho e que nos permitiria voar. Juntos. Há dias cinzentos que nos permitem pensar e há dias cinzentos que nos param o pensamento. É assim uma terra do meio, onde impera o talvez. Talvez para sempre. Penso eu. Talvez nunca. Pensas tu. Também tenho esta estranha mania de achar que sei o que tu pensas ou, pior, de achar que pensas muito para além do que dizes, como eu, como se soubesses o que é esconder as palavras atrás das nuvens, à espera da tempestade.

Acordei cansada. Já sabia que não teria energia para te argumentar. A tempestade já fora, mas o sol ainda não chegara. Há dias assim, em que a mudança fica suspensa e o ar preso na inspiração. Falta uma assinatura. Falta um papel. E o sonho acabará para a vida poder continuar. O fim dos sonhos não é triste, é só um acordar, e aprendi contigo que se fecha os olhos para se poder amar. Fechei os olhos aos sinais, não queria ver nem saber demais.

Chegaste primeiro, esperavas sentado e recto no banco corrido. Se a tristeza é fria, estavas triste, mas ainda hoje não sei. De fato cinzento, sem cor nem dor. Nem amor. Cruzei-me contigo, mas deixámos a boa educação de parte – há alturas em que de nada serve, a não ser mentir. E o silêncio não sabe mentir.

Usaste a esferográfica que te ofereci, com o teu M (de maldição?), como que a dizer que vou contigo, ainda que não. A mesma do dia dos votos. A mesma para a separação. O contrato, um dia assinado, foi neste dia desfeito. Disseste que não havia outro jeito.

Sem contratos, a vida é simplificada ao ponto da experiência. Não me poderia apegar sem assinar. Ele não se poderia apegar assinando. Ainda hoje os dias cinzentos me obrigam a chorar o que as nuvens seguram. Parece que o mundo se cala para ouvir. E o silêncio não sabe mentir. 

(silêncio)

O contrato estava assinado, porra!


(chove lá fora… finalmente

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eis o desafio desta semana: 
Antes fugir do que remediar.
Explore esta ideia.
(máximo: 400 palavras)


Fugir é um verbo muito menosprezado. É muito mais corajoso ficar, encarar e agarrar o touro pelos cornos. Fugir é para os fracos, os que temem, os que metem o rabinho entre as pernas e desistem. Foge! Abaixo os fracos! Vou ficar aqui a bater com a cabeça na parede até gostares de mim, porque assim não há forma sequer de a inteligência se fazer aparecer e valer.

Pois fugir é muitas vezes a prova da maior das inteligências. Fugir do homem errado, do trabalho errado, do ursinho polar ou do touro e dos cornos. É, pois, estratégia!

Se é preciso remédio, alguma coisa não bate certo. Vou acrescentar mais isto, vou dizer-lhe mais aquilo, vou fazer mais aqueloutro e acresce toda uma lista de desculpas para ficar. Ficar. Ficar. Ficar até mais não, até não haver mais ninguém de ti para contar a história! Até seres engolido pelo papão! Alguém vai sair de barriga cheia e não és tu! Eu sei, é a adrenalina de sentir o perigo eminente, a perspectiva de saires mais forte e o delírio de eventualmente superares a tua fraqueza perante o bicho e a tua (pouca) força para segurar nos cornos. A verdade é que há efectivamente bichos perigosos, ossos duros de roer, lobos em pele de cordeiro e grandes furadas. Se não te preveniste, foge!

Antes fugir do que remediar ou remendar. Médicos e costureiros em causa própria, dediquem-se ao que sabem fazer e não inventem! Que grande xarope tu me saíste! Fosse tosse o meu mal e estava curada. Melhor fugir enquanto é tempo, mas melhor que fugir atempadamente, é FUGIR! Run forest run!

Fugir é respeito, quando encarar é soberania.

Fugir é humildade, quando remediar é inferioridade.

Fugir é força nas pernas-para-que-te-quero, quando o remédio é para os doentes.

Fugir é para os atletas, quando remediar é ginástica passiva.

E o burro morreu a pensar “fosse eu cavalo e isto seria tudo diferente!”

P.S. E a ti – agora só aqui entre nós – devo-te um pedido de desculpas! Não és medicamento para a insuficiência cardíaca. Fizeste bem em fugir, não fosse o bicho pegar! (Fraquinho…)

quinta-feira, 29 de maio de 2014


Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Desafio

"Não é verdade que..." 
Continue o texto, usando no máximo 400 palavras.

Não é verdade que gosto de ti porque, se gostasse, não teria dúvidas de que é contigo que quero ficar, muito menos certezas de tudo o que faz de ti o homem errado. Também não é verdade que isto me preocupa porque, se me preocupasse, não procuraria em mim as razões que fazem de ti a pessoa certa. Não dói. Mói. São lugares diferentes. Qual água mole, eu quero ser dura. E o mais dura que consigo ser amolece-te comigo. Às vezes. Poucas vezes.

Não é verdade que gosto de ti porque, se gostasse, gostava e pronto. Não há pensamento que tenha lugar quando estou a gostar de estar contigo. Os pensamentos saltam todos das gavetas e tenho de fugir de ti para me querer reaproximar. Ou fugir para sempre.

Não é verdade que seja amor, mas pode ser ar-dor, se é que me entendes. Nem sequer é verdade que precise de ti. Sou tão fingidora que finjo a dor de estar longe de ti. Sou tão amadora que amo a dor de fazeres parte de mim.

Será no entanto meia verdade a metade de ti que está comigo. Aliás, há muitas meias verdades nisto porque nada é de facto mentira. Gosto um bocadinho de ti, gostas um bocadinho de mim, gostamos um bocadinho disto e, daqui a bocado, enfartamo-nos desta história. Mas há histórias assim, que falam a verdade a mentir, que dizem a sua justiça a sorrir e que terminam como não começaram. Sem problemas. Problemático.

Às vezes queremos que as coisas sejam o que simplesmente não são. Às vezes até são mas temos medo que simplesmente sejam. Assim, as verdades demoram a chegar porque entram numa corrida cheia de obstáculos, adversários e um pódio onde nem sempre uma verdade chega. Ou chega tão tarde que parece mentira.

Não há pior verdade do que aquela que parece mentira. Não acreditada, desprezada e menosprezada de tão desejada e ambicionada. Não digas que gostas de mim porque é tudo o que quero ouvir. Não digas que me queres porque é tudo o que quero sentir. Não posso com tudo se depois fico com nada. Não posso com o nada disfarçado de tudo.

Por isso minto-te verdadeiramente. Não gosto de ti. Chega.

Não te chegues. Chega.

Não me chego. Chega. 

Ai, chega-chega. Chega.


Título: Da agulha e do dedal


domingo, 25 de maio de 2014


Sábado, 24 de Maio de 2014

Este foi o texto que me deu o 2º lugar na 2ª jornada, em 118 concorrentes.

Desafio

Escreva um texto com 20 vírgulas - nem mais uma nem menos uma.
(máximo: 400 palavras)


Tudo o que cabe num chapéu

Dava um euro pelos teus pensamentos mas acredito que seja pouco. Nas esmolas que te peço, encho-te o chapéu de sonhos. O que vais fazer com eles é da tua história e não da minha. De mão ou chapéu estendidos, andamos todos de tempos a tempos. E agora pinga. E agora não pinga. E agora chove. E agora faz sol. Sentados ou de pé, no metro ou na rua, a amargura do pedinte é a miséria de quem se abandona, mas o doce de quem tenta um abraço na volta. Pinga, pinga. Preciso dele a pingar.

Escondo-me no chapéu que me guarda da chuva dos parvos. Mal escondida, porque chapéu é tecto mas não é parede. Se quem anda à chuva se molha, eu molho-me às vezes, porque, se bem guardadinhos andarmos, não há quem se entregue. Mas os invernos são assim: guardamo-nos ou molhamo-nos e choramos depois. Não tivesse eu casa e dentro da casa um coração e andaria aí de chapéu pelas ruas, sem-abrigando-me da emoção.

Não sei quem teve a ideia de virar o chapéu ao contrário, mas algum génio no meio da aflição. Não há criatividade sem fonte de inspiração, necessidade ou ilusão. Chapéu é tecto mas também é chão. É assim um “queres vir comigo?” e um “não me digas que não!” Adivinha-me: quantas cabeças cabem debaixo de um chapéu, se uma é pouco e três são demais?

Chapéus são do inverno emprestados ao verão, podem ser estilo e causar sensação. Não te queimes, não te exponhas, não te molhes, não te vivas!


Chapéus há muitos! Se não me queres, chapéu! 

sexta-feira, 16 de maio de 2014


No dia 13 de Fevereiro, iniciei a minha participação no Campeonato de Escrita Criativa, como vos disse aqui. Terminou no dia 28 de Abril e, em 118 participantes, fiquei em 14º lugar. Foi uma experiência nova. Todas as semanas tinha um desafio e tinha de responder com um texto de 400 palavras (máx.). Vou partilhar aqui alguns dos 10 textos que escrevi para este fim. Vou começar pelo da penúltima jornada, porque é o único que fala do cancro e porque acho que preciso de me religar a esta energia de cura, de capacidade de transformação e de dar a volta ao texto.

Desafio

Cometeu um erro imperdoável. 
Escreva um texto que pudesse fazer com que, ainda assim, fosse perdoado.
(máximo: 400 palavras)

Há coisas que não se devem dizer logo à primeira, correndo o risco de deixar, à partida, impressões digitais impossíveis de apagar, no coração de quem nos conhece. Assim, convém ir devagar e optar por pegadas na areia, a serem levadas pelo mar, por uma segunda oportunidade de amar. À nona semana já posso abrir o jogo, até porque o jogo vai terminar de qualquer forma (mas não de qualquer maneira, porque nunca a maneira será qualquer).

Já fui doente terminal, daquelas de terminar com a doença. Daquelas que sabem que, depois do estadio em que se encontram, a próxima estação é o fim, mas que não vê o fim à vista. Ou não quer ver. Está lá um fim, mas - do quê - é outra história. Então, sendo assim, decidi contar esta história, a história de quem enganou o fim e o transformou no princípio.

Quando uma má notícia chega, ela vem desarrumar-nos. Só por si, a notícia chega como tem de ser: como uma bomba! É como se dissesse: venho terminar-te porque isto está tudo errado. E, como só oiço o que me interessa, penso: deves ter-te enganado, porque aqui não mora ninguém. Mentira. Mora alguém com todas as forças mas é melhor dizer que não estou em casa e fingir que estou a dormir. Entretanto explodiu e… não há nada a fazer. Morri.

Pouco interessa ordenar-me com tempos verbais e pontuação adequados, porque foi a grande confusão. Não gosto de guerras, não quero nada disto. Entre a guerra e a paz, o maior erro que cometi foi o de enganar o pensamento e escrever a história como a queria contar, como queria que a ouvissem e como queria que ma contassem. Como diz a canção, à minha maneira.

Devo um pedido de desculpas ao Sr. Cancro, por lhe ter dado a mão e o ter ajudado a atravessar a história da minha vida. Não era suposto. Ele vem para ser atropelado e eu paro para ele passar? Como está Sr. Contente? Como vai Sr. Feliz? Diga a gente, diga a gente como vai este país

Neste meu país ia o caos, a crise. E, para dar a volta ao texto e fazer do fim o princípio, este senhor deixou-me impressões digitais impossíveis de apagar, paixão arrebatadora das que não sabem o seu lugar. Perdoe-me se o abandonei, por uma segunda oportunidade de amar... 

398. 399. 400.

Post Mortem. Renasci. E, se a vida me perdoou, vocês também me vão perdoar, com toda a energia dos Xutos, à vossa maneiraaaa… Por uma segunda oportunidade de viver… 

domingo, 5 de janeiro de 2014



Conto-te pelos dedos para não me escapares pelas mãos
Toco-te bem baixinho para não desafinar a ilusão
7 pecados e +1 de satisfação
Há certos caminhos que se erram – por que não?

Counting you on my fingers so this can't get out of hand
I'll play you low, don't want the illusion to be out of tune 
7 sins plus one for satisfaction
We meander along right paths - why not?


Boomerang #5
                                                                                                                               Boomerang #4
Boomerang #3

                                                                                                                               Boomerang #2
                                                                                                                               Boomerang #1

sábado, 4 de janeiro de 2014


EU AMO

Realizado a 31 de Maio de 2013, uma semana antes da última quimioterapia

Não há forma melhor para responder ao medo do que lembrarmo-nos do que somos feitos e de onde vimos; aceitar todas as emoções que ainda nos prejudicam em vez de lutar contra elas e aumentar a vibração de amor para que o corpo responda em consonância; recordar todas as razões pelas quais quero continuar por cá durante mais uns tempos...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013


Se um dia precisei que me iluminasses o caminho
Foi para ter a certeza de não estar sozinho
Podes ir, porque eu sei que estás aí
Eu vou, porque eu sei que estás aqui

Raio-X-Y-Z, ABC da vida como ela se vê…

If I ever needed you to illuminate the way
It was only for me to know I was not alone
You can go, because I know you're there
I will, because I know you're here

X-Y-Z-Rays, ABC of life as it allow us to see it...


Boomerang #4
Boomerang #3

sábado, 7 de dezembro de 2013


E como este blog não responde a tempos e espaços cronologicamente determinados, hoje destaco a battle de hip hop all styles, onde fui jurí, no dia 23 de Novembro, no Kebra Cabana, na cidade da Praia. Este vídeo do Nuno Miranda, que conseguiu captar-nos subtilmente, resume o espírito do evento. E que difícil foi decidir o vencedor, quando os finalistas são de qualidade indiscutível, conferida em diversos critérios. Vale a inspiração no minuto que têm para o freestyle. Improviso, musicalidade, performance... e a magia acontece... Ganhou o Benilson (Beny), que se debateu brilhantemente com o Marcos "Rogo" Semedo. Dois talentos. Inspiração para o meu regresso à dança. (DNNhos...)


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Post inspirado na peça "Feio" da companhia Palco 13, em exibição até ao final do mês de Novembro, no Auditório F. Lopes Graça/Parque Palmela, em Cascais. 

Hoje é dia de ir ao teatro em Cascais. E é o meu último post alusivo ao "Feio". Quatro actores não-feios, parodiando a beldade e a fealdade inerente ao facto de sermos de carne e osso e apreendermos o mundo também com os olhos, que transmitem uma determinada informação ao cérebro. E o cérebro precisa de ser desafiado, porque, sem contradição, não nos posicionamos. Sim, precisamos de coerência e estabilidade para adquirir competências e funcionar de uma forma adaptada, mas também precisamos de forças opostas que nos permitam estar em permanente transformação e evolução. E assim que me sento e começo a assistir à peça, ocorre-me logo "espera lá, mas este é que é O feio? Um feio que não é feio?" Pronto, não só sou obrigada a desconstruir a minha ideia de Feio, como sou obrigada a exercitar o cérebro para imaginar que estava à frente de uma pessoa muito feia.

Entretanto, o branco aparece como fundo reforçando ainda mais a ideia contraditória de uma sociedade com os valores pervertidos. O meu cérebro viajou, teletransportou-se para vários cenários sugeridos pela candura representada naquele espaço - sonho, céu, hospital psiquiátrico? Mas não seria afinal o inferno? E o exercício cerebral continuou ao ser levada a imaginar objectos e adereços que não estavam no espaço real, mas que fazem parte da história. Não sei se o teatro e as obras de arte devem conduzir-nos a grandes dissertações ou se devem apenas ser vivenciados, mas na medida em que o cérebro é estimulado e levado a realizar novas sinapses, essa ginástica mental que nos leva a des-construir, quando a vida real nos obriga a estar em permanente construção, já nos permite, ao mesmo tempo, pensar e des-pensar, sem ser necessário estar muito consciente do processo. 

Aquele desconforto criado pela oposição que nos obriga a rever o que temos estereotipado, desde o mais subtil ao mais óbvio, do mais consciente ao mais inconsciente, desarruma-nos um bocadinho a casa, ainda que estejamos perante um cenário de linhas limpas e direitas, minimalista, para que nada nos distraia do que ali se passa e, sobretudo, para que nos apercebamos do que se passa e não se vê. Clean. (Ou dirty?) Afinal de contas, neste mundo em que vivemos, o sub-texto tem todos os dias vida própria, muito mais do que os bla bla bla's que muitas vezes não passam de isso mesmo, bla's, whiskas saquetas.

Parabéns aos feios, que afinal são bonitos! Quatro actores, quatro elogios, embora os elogios sejam estendidos a todos os implicados. E... não fiquem em casa!

Alfredo Matos Fotografia


Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013 (é o que dá ter a hora portuguesa no computador)

Em Cabo Verde, dia #6

Neste momento, estou tão cansada, tão cansada, tão cansada que só me ocorre dizer que é tão bom poder cansar-me! Hoje foi dia do corpo, por isso não dá para pensar e o melhor é mergulhar na cama! Não há cá teorias, reflexões, momentos pseudo-artístico-filosóficos... 

Olhinhos de ressaca do treino... Mas em que momento alucinado é que eu aceitei dançar num evento na 6ª feira?



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