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sábado, 2 de novembro de 2013


No dia 29-06-2013, disse à Cindy e à Marta que trataram de mim na sessão fotográfica que resultou nas fotos CurAção - perfil e capa do blog e do facebook: "Aproveitem hoje porque é o último dia em que me vêem careca!" Ainda não tinha decidido com a médica o passo seguinte, mas acho que a decisão estava tomada dentro de mim. Já se passaram 4 meses e pretendo manter a profecia. Hoje a Marta ajudou-me a dar mais um passinho neste caminho e participei no seu workshop de auto-maquilhagem, do seu projecto Makeup By Me

Junho 2013:
A Marta criando a base para a Cindy - Maçaroca Educação & Design - pintar.

 Retoques finais

Novembro 2013:
Este foi o clima da sessão de beleza! A linfobabe Sara aqui do lado direito...

Eu e a Marta, depois dos pozinhos mágicos! Mas a magia maior é a de estarmos juntas nisto... Sabemos do que falo :) 

No final da sessão de Junho fui ao Parque Marechal Carmona (Cascais) ver a peça "Soldado Fanfarrão" e hoje, no final da sessão, fui ao Parque Palmela ver a peça "Feio", num dia em que fui tratar de me pôr bonita. Ambas as peças da companhia Palco 13. Fica para outro post, mas, enquanto isso, vão ao teatro!

terça-feira, 29 de outubro de 2013



Ex-modelo e jornalista, Flávia Flores, brasileira, inspira muitas mulheres para que sejam capazes de se reinventar durante o processo de quimioterapia, com um blog e uma fanpage nas redes sociais e agora com um livro. As cats são as gatxinhas que passam pelo tratamento e o look da quimio é a forma como algumas delas escolhem apresentar-se, cada uma com o seu estilo. Vídeos de como colocar os lenços, dicas de maquilhagem, auto-estima acima de tudo, para que não se descure, mas ao contrário se cure com todas as ferramentas disponíveis. Não há por que viver todos os dias com a cara "de lagartixa" imposta pela doença e pelos tratamentos.

Ainda mais importante do que isto, quero salientar que tudo o que retiramos de positivo de uma situação difícil deve ser levado para cada bocadinho de dia, cada oportunidade de vida e cada desafio que se apresente e aqui acho que não é necessário ter um cancro da mama como a Flávia para que qualquer pessoa cuide de si nem um linfoma como eu para que desperte o seu lado criativo. Estamos cá para que quem lê não tenha de passar por estas coisas, mas que ainda assim cuide de si e das suas coisas com todo o amor.

 


quinta-feira, 24 de outubro de 2013



E começa aqui esta história, algures em 2006, se bem me recordo, quando fui fazer um casting e fui escolhida para ser modelo do Miguel Garcia...

Este era o meu cabelo original

 E aqui está a primeira carecada!




Em 2012:



Em Cabo verde, antes do tratamento; foi assim que fui internada.


No IPO, a 2ª carecada, a preparar-me para a queda do cabelo. Tinha de ser o Miguel, porque ele usa uma tesoura especial anti-dor. Não custa nada!


Assim que o cabelo começou a cair demasiado, procedeu-se à real carecada, assunto tratado pelas auxiliares do IPO. Para terem noção de como não registei esse momento ou lhe desprovi de emoção, nem me lembro de quem é que me rapou o cabelo!

     
Em 2013:

Look actual


Como não gostava do novo penteado "selvagem", sem corte, com demasiado cabelo no pescoço, como podem ver na foto acima, hoje demos-lhe forma! E tínhamos de registar a primeira ida ao cabeleireiro com o cabelo recém-nascido, que tem sensivelmente 3 mesinhos. Agora não queremos ver a tesoura nos próximos 3! 


Esta tesoura só deu uns toques porque a ideia não é manter o look curto, mas doeu um bocadinho, por mais incrível que pareça! É que este cabelo todo NOVO é uma conquista! Queremos que o bebé capilar cresça forte e saudável (e já agora depressinha, digo eu)! Este não é para perder!




Obrigada por me fazeres feliz e por me tornares sempre mais bonita, em qualquer circunstância! 

domingo, 13 de outubro de 2013

Pestanas e sobrancelhas recomeçam a crescer

 Hoje: Antes

Hoje: Depois

Hoje dizia eu, em modo de queixa, à senhora da Kiko que as minhas pestanas, que tinha perdido havia pouco tempo, tinham voltado a crescer, mas em menor quantidade e/ou visibilidade. Ela olha bem para as minhas pestanas e diz: "As suas pestanas são enormes, mas estão mais claras nas pontas, da cor do seu cabelo. São californianas! Se a moda pega!" Na fotografia não se nota, mas é verdade, coisa que nunca tinha acontecido antes! Nada que um rímel/máscara não resolva! Nem eu sabia a quantidade de máscaras que existem para as pestanas (cílios, para quem me lê do Brasil), na Kiko, a 3,90eur! Volume, comprimento, à prova de água, natural, com diferentes escovas conforme o efeito que se quer... Este é o Luxurious Lashes! O que não faz a minha mãe para me ver com tudo outra vez no sítio?

P.S. Reparam como o brilho no olho é diferente da primeira para a segunda foto? Não é só da luz da fotografia. A primeira foi no hospital... O primeiro olho diz doença, o segundo diz saúde. Que bom é poder voltar a dar importância aos pormenores!

domingo, 22 de setembro de 2013


Há momentos na vida em que parece que levantamos vôo, nuns a sensação é muito boa, porque ficamos leves, a energia levita e de repente habitamos um jardim; noutros as sensações são tão más que parecem não encaixar no filme e na vida que continua a correr para os outros, mas desistiu de nós. E neste vôo o corpo perde as forças de tal forma que nem a gravidade lhe chega. Há dias em que sentimos "do chão não passo", porque afinal o que precisamos é de energias para nos levantar, esquecendo-nos de que podemos, sim, passar do chão, uns metros abaixo aliás! Mas, no meu filme, eu tive medo de passar do tecto! Alguém se preocupa com o tecto, a gravidade ao contrário? De repente, arrancaram-me os pés do chão e levaram-me para uma realidade paralela. "A vida não é assim, onde é que eu vim parar?"

Seja mais perto do chão ou mais perto do tecto, mais perto do céu ou mais perto do inferno, mais perto da paz ou mais perto da guerra, no limite queremos o meio, aquele onde a virtude se passeia, onde as qualidades convivem com os defeitos e onde o essencial convive com o acessório. É afinal por isso que os pés andam no chão e a cabeça nas nuvens. 50/50.

Nos momentos mais difíceis, os amigos e a família parecem crianças a passear com o seu balão de hélio nas mãos, autênticos fios condutores que nos mantêm ligados e não nos largam em momento algum. Ainda não.

Se perguntarem às enfermeiras e auxiliares do serviço de hematologia do IPO, vão saber que, mesmo cheia de fios daqueles para não voar, e tendo deixado a rita-mulher à porta do hospital, a rita-balão tinha sempre as suas unhas impecáveis, porque a mãe-balão nunca se distraía. E porque afinal o acessório também pode ser essencial, quando se trata de mais um fio que nos liga à vida. Não é de todo mau ser marioneta quando se tem as pessoas certas a agarrar nos fios.

Passados 5 meses, quando o sol voltou a brilhar de perto e o hospital passou a ser uma miragem, as unhas desfizeram-se todas de cansaço. Sabiam que já não eram... vitais.


Já descansaram o suficiente :)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013




Este post é inspirado no livro "A Rapariga das 9 Perucas", de Sophie van der Stap. Sophie tinha 20 anos quando encontrou nas perucas uma forma de explorar diversas facetas suas, partes do que era e, melhor, do que poderia ser. O cancro, o não se rever na Sophie-careca, levou-a descobrir-se desta forma e a sair do processo muito mais enriquecida e crescida. O desapego em relação à Rita como sempre a vi também pode ser muito divertido! Se é para ser assim, como eu disse várias vezes, que seja "em gira"! Em que outra altura da minha vida me atreveria a desapegar da imagem que tinha de mim?

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