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domingo, 13 de julho de 2014


Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Faltam 51 dias para terminar o projecto "curacão em construção" e dar asas ao CurAção. Qual o objectivo desta construção? Este é tão somente um espaço onde vou partilhando o meu primeiro ano depois do cancro, depois da quimioterapia, depois do renascimento... Não tem um tema específico nem as actividades ou ações que partilho têm um fio condutor que não seja EU. Como tal, o único critério é: fazer-me sentido estar implicada nessas situAções no momento presente, seja pela formação profissional ou pelo resgate da minha vida pessoal, seja pela minha curação (cura) ou seja pela curação (curación) das pessoas ou entidades que decido apoiar, por identificação, empatia e realização pessoal. Foi assim que decidi viver a minha cura e foi esta a forma que escolhi para conseguir manter o foco e a direção.

Recuperar
Resgatar
Repetir
Reconstruir
Redirecionar
Reagir


Quando se volta à estaca 0, há que repetir, refazer tudo de novo, não da mesma forma, porque estamos diferentes, mas não há dúvida de que há etapas e degraus que temos de voltar a passar ou subir. Nesse sentido, há uma Re-Ação (também me encontro numa fase de transição em relação ao acordo ortográfico!), porque há um regresso à ação

Por definição, a palavra Reação remete-nos sempre para uma ação realizada em função de alguma coisa, como uma resposta, que pode ir no sentido contrário à ação inicial levada a cabo pelo agente inicial ou, no mesmo sentido, mas contra o mesmo. Aqui reação é um regresso à ação, mas é inevitável não relembrar as minhas ações anteriores a tudo isto, assim como o agente que provocou a reação da cura: a doença.

Ou seja, o projeto CurAção nasce do cancro mas não é o cancro, muito menos existe para o combater, embora o possa prevenir por consequência (acredito eu); constitui um regresso à ação, de uma forma consciente e virada para a concretização, a realizAção; e parte da minha experiência mas não será a minha experiência mas a de cada um que fizer parte desta aventura e se identifique com este conceito. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um dos lemas "CurAção" é emprestado do Lavoisier e diz: "Tudo se transforma." E a transformação dá-se dentro de cada um de nós, quando as coisas passam por nós, quando passamos pelas coisas e quando lhes damos nomes, cores, ritmos, sons, mais ainda quando as emprestamos aos outros que lhes dão o seu significado e transformam também a sua história. Faço isto na minha vida profissional mas trouxe esta magia para a minha vida pessoal, fazendo por contaminar mais uns quantos que se deixam tocar.

Por isso aqui não faz sentido estar sozinha nas minhas ações. Sim, posso fazer as coisas de que gosto sozinha, mas posso convidar e desafiar quem se identifique com o projecto a participar e a dar o seu contributo - ao nível das suas competências e da sua vontade - e as curações multiplicam-se. Por exemplo:

1. Sessão fotográfica das fotos de apresentação CurAção. Eu emprestei a minha cara e a minha careca, a Marta emprestou as suas competências como maquilhadora e a Cindy as suas competências como artista plástica. Posso dizer que a sessão foi terapêutica para as três, por razões diferentes e o resultado foi triplicado relativamente ao que teria sido se tivesse optado por publicar uma fotografia minha simplesmente careca. E a experiência de ser careca foi transformada, desconstruída, assumida, reconstruída, desmistificada, mesmo que lhe possamos atribuir um valor místico, pelo carácter ritualístico que possa estar associado a esta ação que teve também a intenção de marcar uma mudança, externa e interna.

2. Projecto Boomerang. A Sara empresta-me as suas fotos e eu as minhas palavras. Eu poderia tirar fotografias ou escolher imagens e dissertar sobre elas, mas este projecto é transformador da experiência subjectiva da Sara como fotógrafa porque, nas minhas palavras, a sua imagem assume outro significado, que depois assume um terceiro significado quando traduzimos para inglês e que depois viaja até aos seus amigos nos E.U.A. que vão interpretar à luz da sua experiência, que já não é a minha nem a da Sara, a original. E assim este projecto tem também e principalmente a função de nos manter ligadas e continuarmos a fazer parte da curação uma da outra, pois ambas tivemos experiências com o cancro, que continuam a ser elaboradas e transformadas dentro de cada uma de nós.

3. Textos que escrevi para o espectáculo "Crio" da ArteMove. Os textos foram escritos para o espectáculo, mas, a partir da altura em que os entreguei e foram interpretados por outras pessoas, a minha experiência contida naquelas palavras expandiu-se à experiência de quem encenou e de quem as interpretou. Tendo escrito sobre mim, ainda que sob os temas que me foram propostos, já tinha dado nome a tantas coisas minhas que vivi este ano, mas, quando o Pessoa Júnior pega nos textos e lhes dá forma, acrescenta o seu ponto de vista, que toca no meu, mas já é outra coisa. E quando os intérpretes lhes dão vida no palco e os associam ao movimento e à dança, já todos estavam em curação, mesmo sem saberem, a falar sobre "ser feliz", o "coração que fala sozinho", o "ser criança" e tantas outras palavras que voaram até ao público e chegaram já como uma quarta experiência, que já não é a minha, nem a do Júnior nem a dos intérpretes.

3. Vídeos de dança com os KDM. Qual era o interesse de eu continuar a gravar-me a dançar sozinha para marcar este ano curação e a dizer que, sim, a dança faz parte da minha cura? Se eu posso acrescentar os dotes do Djam como coreógrafo e criativo e dos meus colegas que enriquecem a experiência e o resultado, para quê fazê-lo sozinha? Todos entram nesta viagem curação e, embora eu não possa falar na sua transformação, posso falar da minha, que não só fui desafiada para além da minha zona de conforto, como renovei dentro de mim a confiança neste caminho.

4. 1º Concerto solidário Princesa Leonor. A Lara Afonso tem uma sobrinha, a Nonô, que tem um cancro. A Lara tem uma canção sobre e dedicada à Nonô. A mãe Vanessa desafia-me para dançar neste concerto enquanto a Lara canta, não como profissional - que não sou nem pretendo ser - mas como a pessoa que passou também pela doença. Como fazê-lo sozinha e para quê? Desafiei a ArteMove e pus mais 4 pessoas a mexer, que ficaram a conhecer o projecto dos Aprendizes da Nonô, a minha história e entraram em curação comigo. Acrescentei as competências da Paula Careto como coreógrafa e as competências do Afonso, da Bárbara e da Inês como bailarinos e o resultado foi potenciado, mas só será avaliado amanhã ao nível das 2000 pessoas que estarão a assistir. O que é mágico aqui?

Experiência da Lara como tia de uma criança com cancro numa música ------- Eu interpreto as suas palavras à luz da minha história como doente oncológica -------- A Paula pega na minha ideia e interpreta-a dando-lhe movimento e construindo uma história coreográfica, que já tem uns pozinhos a mais relativamente ao que lhe passei ---------- Eu, o Afonso, a Bárbara e a Inês vamos emprestar as nossas emoções e histórias pessoais à interpretação da coreografia da Paula, transformada só por isso noutra coisa ----------
o público há-de receber a informação e transformá-la ainda noutra história, mas estarão todos em curação se se deixarem tocar por nós todos. E assim se envolve mais pessoas numa só causa.

O mais interessante nisto tudo, a título pessoal, é a de que estas e outras ações valem mais pelo processo do que pelo resultado. As horas passadas em interAção com todas as pessoas envolvidas, em ensaios, fotográficos, de escrita ou dançados, são mais transformadores e curadores para mim do que o resultado final, mas o resultado é a consolidação e o registo da própria mensagem, que pode depois chegar mais longe, para lá do círculo de amigos. E assim se vai transformando cá dentro toda uma experiência de forma a que ela não se repita, porque, apesar de todo o protagonismo, não é a doença o centro da curação, muito menos o fim, mas apenas o início e o ponto de partida para outras viagens. Tudo se transforma.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


O 75º dia deste blog, que há de ter 365, merece uma celebração. Ou várias. Este espaço foi criado, como referi no primeiro post, com o objectivo primeiro e último de me manter feliz. Porquê escrever? Porquê todos os dias? Porque mantém a minha atenção na cura, no ser saudável, no meu SER. Ah e tal inspirar e ajudar outras pessoas... Sim, é verdade que a ideia do blog surgiu da constatação de que a partilha da minha experiência tinha um impacto positivo na vida dos outros, mas não posso dizer que este projecto é um acto altruísta  e voluntarioso da minha parte, porque eu preciso mais dele do que vocês que o lêem. A parte da inspiração que pode ter para algumas pessoas pode ser uma consequência mas nunca o fim deste projecto.

Qual a importância do outro - vocês - neste processo? É o papel de interlocutor, questionador, apoiante e amigo. Tudo isto ganha mais força e sentido dentro de mim se houver interlocutores, perguntadores, palavras amigas e de apoio. Por isso, hoje celebro dois meses de sucesso, que se traduzem em saúde no resultado das análises que fiz hoje no IPO (Instituto Português de Oncologia) de Lisboa.

Este blog começou no dia 1 de Setembro e as análises do dia 5 do mesmo mês mostravam um fígado muito afectado pelos tratamentos, com valores ainda alterados. Fiz a opção de não fazer tratamento nenhum no espaço destes 2 meses, nem químico nem natural, e resumir-me à parte mental - até na alimentação quebrei as regras - mantendo o foco naquilo que acredito ser a maior fonte de saúde e de doença. Hoje, 13 de Novembro, os valores do fígado já normalizaram e as análises estão "óptimas".

Este espaço mantém-me no caminho, não permite que me distraia com tanta gente a tentar travar-me sob a desculpa de querer o melhor para mim. O discurso dessas pessoas não me pode distrair. Já me basta lidar com os meus medos, não preciso que me incentivem a bloquear ainda mais o curso das minhas coisas, o regresso à saúde e à vida real. Se esperavam outra coisa ou era suposto outra coisa por me ter sido diagnosticada uma doença grave e supostamente terminal? Pois, se os meus pre-supostos são outros, os meus supostos também o são.

Ter uma doença não significa necessariamente ser doente. Querem liberdade? Libertem-se!

Para celebrar fui ao teatro ver "As Centenárias", uma peça sobre a Morte para celebrar a Vida! (No Teatro Meridional até Domingo, 17/11)

"E era uma vez... lá vem a morte, outra vez" (Natália Luiza, encenadora da peça)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


Partindo da minha linha de pensamento e das pesquisas que tenho vindo a fazer na área, falo hoje da doença como símbolo, baseado no livro "A Doença como Caminho" de Thorwald Dethlefsen (psicólogo) e Rüdiger Dahlke (médico e psicoterapeuta). E começo por dizer que, como doença, refiro-me ao conjunto de sintomas que é tomado como tal, mais do que propriamente ao nome que se lhe dá. E mais, refiro-me apenas à forma como esses sintomas são percepcionados mais do que à forma que assumem por si só. Por exemplo, a minha mãe hoje tem uma dor num braço que a deixa aflita e condicionada. Interessa-me mais a sua aflição e a forma como descreve o que sente ("parecem mordidelas de cão") do que o diagnóstico em si, porque acredito que aí reside a chave do seu cofre. Mas voltemos atrás.

"A nossa linguagem é psicossomática. (...) O doente ao falar dos seus sintomas corporais costuma descrever um problema psíquico." Para os autores, temos de usar o pensamento simbólico, através de analogias, para entender o que se passa a nível mental e que teve manifestação no corpo, não porque uma situação leve à outra, mas porque os dois planos acontecem em simultâneo, o físico e o mental, e um tem sempre representação no outro. Assim como o Variações dizia que o corpo paga "quando a cabeça não tem juízo", aqui a falta de juízo é reprimida ou remetida para uma "zona de sombra", por "repúdio ou resistência": "o corpo tem de viver aquilo que o indivíduo se escusou a assumir conscientemente." Ou seja, o sintoma físico tem a sua correspondência no plano psíquico, mas a um nível inconsciente. Aqui acrescento que a maior parte das vezes sabemos bem o que nos está "a morder" por dentro, mas não o queremos verbalizar, ou seja, assumir. É um gato escondido com o rabo de fora.

"Aquilo que se manifesta no corpo está também na alma: assim na Terra como no Céu." A proposta dos autores não é eliminar os sintomas por si só, mas aceitar as sombras que neles residem. "Se a ampliação da consciência produzir automaticamente uma modificação subjectiva, pois fantástico", o que normalmente acontece.

E o que fica na sombra? Todos os impulsos difíceis de assumir, muitas vezes alvo de julgamento individual e social e que podem dar a origem a comportamentos não adaptados dos pontos de vista individual e colectivo ou a consequências difíceis de aceitar por parte primeiro do próprio e depois dos outros. Os instintos agressivos e sexuais são dos mais relegados para a sombra, mesmo que a sua saída pudesse passar apenas pelo verbo e não exactamente pela acção, nem sempre possível ou desejável. Mas a agressividade pode ser bem mais perigosa na sombra. "Enquanto a agressividade (ou qualquer outro impulso) permanecer na sombra, subtrai-se à consciência e isso é que a torna perigosa." Não há sol sem sombra. E eu sei como a minha mãe estava irritadaaaa no dia em que o braço quase paralisou. Teria sido conveniente ter dado um murro em alguém? Bom, talvez não fosse a saída adequada, mas como ideia, não era má de assumir. Até porque no campo das ideias tudo é possível. Graças a Deus e à inteligência divina que não nos põe limites na fantasia!

Mas então qual é a dificuldade em chegarmos ao cerne da questão? É que estamos sempre mais ocupados a perseguir culpados e em combater do que em dar tréguas e apaziguar a nossa mente. "Aquele que combate ou que persegue jamais atingirá o seu objectivo". Para além disso, como os sintomas das doenças são "avaliados muito negativamente, tanto pelo indivíduo como pela colectividade, (...) não são vividos e vistos de modo consciente."

Qual é a proposta? "Abstrair-se do sintoma e transpô-lo para o plano psíquico. Escutar com atenção as expressões idiomáticas que nos poderão servir de chave."

"É importante que o indivíduo se deixe perturbar pelo transtorno. Um sintoma não faz mais do que corrigir um desequilíbrio: o hiperactivo vê-se forçado a descansar, o irrequieto é forçado à imobilização, o comunicador compulsivo obrigado a silenciar-se. O sintoma activa o pólo rejeitado. Há que (...) abraçar sem hesitações aquilo que nos é imposto. A doença é sempre crise e toda a crise exige evolução. Qualquer tentativa no sentido de recuperar o estado anterior à doença é prova de ingenuidade ou de tolice. A doença pretende conduzir-nos a conhecer novas zonas desconhecidas e ainda não vividas; quando atendemos ao chamamento de modo consciente e voluntário, damos um sentido à crise."

Agora quem é que vai dizer à minha mãe para ficar um dia com o braço quietinho?

A minha proposta é semelhante mas tem algumas diferenças porque eu entendo um sintoma como um veículo de expressão, da seguinte forma e por esta ordem (e é assim que tenho lidado com os sintomas que têm surgido nos últimos meses que, de outra forma, podiam levar-me a ficar apenas centrada e obcecada com a doença):

Situação (Sintoma) Emoção

e que normalmente aparece assim:

(Situação) Sintoma (Emoção)

com o sintoma a aparecer em neón, a piscar.

O sintoma é o mediador e condutor da expressão que não teve lugar. Através do sintoma é-nos permitido finalmente expressar livremente (ainda que em forma física de bloqueio, porque o conflito psíquico ainda está presente), até porque, enquanto doentes, é um direito que nos assiste. Assim que identifico a minha emoção - facilitada pela sensação proporcionada pelo sintoma - e a situação que me incomoda, trato de mudar a minha crença em relação à mesma, aceitando-a como ela é se não estiver ao meu alcance mudá-la ou agir de acordo com o que pretendo, dentro das minhas possibilidades. E um sintoma que perde protagonismo é um bicho que perde força e se retira de cena. (Mas um dia destes volto a este assunto.)

Termino com a frase dos autores: "A DOENÇA TORNA-NOS SINCEROS".

P.S. Para quem conseguiu chegar a este post scriptum, vou voltar a este livro para vos contar da interpretação dos autores especificamente do cancro.

P.S.2 Peço desculpa à minha mãe por utilizá-la como exemplo, quando me podia ter exposto a mim, mas foi o timing da coisa. Hoje é ela.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013


Hoje a minha ação é pensar. Bom, hoje as ações até foram muitas, mas como isto não é um diário, refiro-me à curAção que partilho diariamente. Estava a pensar nos pressupostos da minha curAção, que são três:

1. Os doentes (também aplicável a pessoas em situação de crise e, em última análise, a toda a gente), ou melhor, os doentes físicos, mentais, emocionais, espirituais, sociais e/ou afins têm um papel ativo e responsável na sua vida, pelo que são responsáveis na doença e na cura (na pobreza e na riqueza, na vida e na morte, até que esta os separe de nós. E deles próprios.).

     1.1. Aqui distinguimos responsabilidade de culpa. Também não há injustiças, porque não vejo a vida como uma sequência de prémios e/ou castigos decorrentes de bons e/ou maus comportamentos. Há, sim, escolhas e consequências. Não é verdade ou consequência. É verdade e consequência! (Responsabilidade aqui é diferente de imputabilidade!)

     1.2. Quem se responsabiliza não depende dos outros para se curar. Pode precisar dos outros - e precisa! -, mas não está propriamente pendurado neles à espera de milagres. Responsabilidade é Poder. E é aqui que se dá o verdadeiro milagre.

     1.3. Parte das escolhas dirá respeito a processos inconscientes. O facto de parte das escolhas serem feitas de forma inconsciente não nos retira a responsabilidade. Vou dizer outra vez. O facto de parte das escolhas serem feitas de forma inconsciente não nos retira a responsabilidade. Não é culpa, é responsabilidade.

     1.4. Parte das escolhas dirá respeito a processos conscientes. Queremos aumentar esta taxa, principalmente no caminho de regresso ao estado saudável e equilibrado. (Não queremos eliminar os processos inconscientes, pois estes são responsáveis por grande parte das nossas criações. Queremos é aumentar a taxa de criações construtivas, em oposição às destrutivas. Deixemos o inconsciente continuar a fazer o seu trabalho, assim numa de artista, mas em bom!)

           1.4.1. Se estivermos em silêncio, interno e externo, conseguimos ouvir o nosso inconsciente, voz interior, intuição, essência, eu superior, deus, universo, guias ou outro nome que queiramos dar, conforme formação, credo, cultura ou dia da semana (!). É melhor escolher o nome que consideramos mais forte, que nos inspira mais confiança, porque, nas alturas de maior aperto, não se brinca!

2. A criatividade tem uma função terapêutica OU ser criativo/criador corresponde ao nosso estado natural/inicial/essencial/saudável.

     2.1. É da relação única entre indíviduo, neste caso, doente, e evento, materiais, pessoas ou contexto, neste caso, doença, que resulta o produto criativo, novo, original, que vem mudar a condição presente, transformando-a em algo superior. (Uma vez que acredito que estamos aqui para evoluir, só posso admitir que a condição anterior será inferior e a nova superior.)

     2.2. Também criámos a doença, certo? Quem cria o bom também cria o mal! A boa notícia então é que também criamos a cura!

           2.2.1. Vou baralhar isto tudo - mais um bocado - e acrescentar que entendo que o que chamamos de doença faz parte dos mecanismos de cura do nosso próprio corpo. Mas esqueçam isto por agora, para já... até ao ponto 3.

     2.3. Criatividade e expressão. Pois, é que ser criativo não é para todos. É de todos, mas não é para todos. É só para os livres. Livres de espírito. E aqui entra a liberdade de expressão. E aqui ainda entram todos os meios de expressão que conheçam (armas de fogo não contam!). E também entram as artes. Mas também entram as soluções. E sobretudo os idiotas! E os loucos, claro!

          2.3.1 Esta é mais fácil transcrever, que já é tarde: Liberdade Psicológica. (...) Nem em todas as circunstâncias é libertador o faCto de se exprimirem no comportamento todos os sentimentos, impulsos e formas. O comportamento pode ser limitado em determinadas circunstâncias pela sociedade e assim deve ser. Mas a expressão simbólica não tem necessidade de ser limitada. (Rogers, 2009) Expressão simbólica, senão vai tudo para a choldra! Podem-se matar uns aos outros, mas em sonhos! Ou a dançar, a representar, a pintar, a falar...

     2.4. "Ah, eu faço isto por ti!" Errado. Ninguém faz nada por mim e eu não faço nada por ninguém. Quando crio, é por mim, para me satisfazer na minha missão de ser EU. Mas aceito que me acompanhem ou acompanhar-vos. Isto sozinho também não tem piada!

3. A doença tem uma função terapêutica, ainda que patológica. Confusos? A doença tem uma função! Alguém se mantém num estado se este não serve para nada, se não se tira ganhos da situação e se ainda por cima não se merece? No one no one no oooooone... (melodia da Alicia Keys, mas em baixinho, por favor).

     3.1. Cada um vai refletir nisto se quiser porque já é tarde.

     3.2. Na doença, o corpo é um mediador emoção-expressão e o sintoma o símbolo através do qual nos permitimos expressar. Voltem à alínea 1.3. É preciso interpretar, descodificar ou ouvir. E sentir. Voltem à alínea 1.4.1.

     3.3. Alguma coisa grave - leia-se "percecionada como grave" - terá acontecido para passarmos a fatura ao corpo! É a cabeça que não tem juízo, já dizia o Variações! Ninguém se põe doente por dá cá aquela palha!

E regressem ao ponto 1., principalmente o 1.2.!

E duas citações oportunas, de Carl Rogers (2009), para terminar, porque isto afinal era apenas para pensar:

Numa época em que o conhecimento construtivo e destrutivo avança a passos gigantescos para uma era atómica fantástica, a adaptação autenticamente criadora parece representar a única possibilidade que o homem tem de se manter ao nível das mutações caleidoscópicas do nosso mundo. Perante as descobertas e as invenções que crescem em progressão geométrica, um povo passivo e tradicional não pode fazer face às múltiplas questões e problemas. A menos que os indivíduos, os grupos e as nações sejam capazes de imaginar, de construir e de rever de uma forma criadora as novas formas de estabelecer relações com essas complexas mutações, as sombras irão crescendo. (...) Não serão apenas as desadaptações pessoais ou as tensões de grupo que representarão o preço que teremos de pagar por essa ausência de criatividade, mas a aniquilação das nações.

Nenhum contemporâneo pode apreciar satisfatoriamente um produto da criação no tempo em que ele se formou e esta afirmação é tanto mais verdadeira quanto maior é a novidade da criação.

Inventem, mas pouco.






domingo, 1 de setembro de 2013

CurAção é o meu projeto de desenvolvimento pessoal tornado transmissível, com o objetivo primeiro de cumprir a minha missão de ser feliz e o objetivo último de inspirar para a felicidade quem se expire diariamente em medos e armadilhas que pertencem naturalmente a quem cá anda.  

Posso partilhar os ingredientes da minha felicidade: energia diária de amor e cura, ação no sentido de honrar a vida que escolhi e escolho todos os dias, conduzida pelo lugar mais honesto que há em mim, o coração.

Dizem que os mestres aparecem quando os alunos estão preparados. Tive uma boa preparação durante 32 anos, um teste à altura nos últimos meses e, como escolhi sempre ser boa aluna, propus-me passa-lo com distinção. Em última análise, quando não sei a resposta a muitas das perguntas da vida, a resposta Amor está sempre certa e o puzzle acaba por se compor. Tenho medo de morrer e agora? Amor. Estou sem trabalho, sem dinheiro, sem saúde, sem amor, sem cabelo, sem tudo o que me definia… E agora? Amor. Ah, estou sozinha e agora? Amor (chamam-lhe “próprio” – uma redundância). Cada pessoa tem as suas respostas, a sua caminhada, a sua definição, mas esta é a resposta universal que está sempre certa, a par de todas as que possam fazer parte de cada processo. Sabia na teoria, respondi assim no teste prático e aqui estou.

Depois de um diagnóstico de linfoma não-hodgkin, estadio IV, com comprometimento de órgãos, medula e sistema nervoso central – prevista na literatura uma sobrevida de 9 meses – agarrei-me ao que já sabia. Eu sou responsável pela minha vida, eu sou criadora e criativa, eu conduzi-me até à doença, eu posso conduzir-me até à cura! Eu escolho o meu caminho, que não é igual ao das pessoas que constam dos processos clínicos da equipa médica que me segue e que ficaram pelo caminho (delas). No meu caminho, o medo entra, conversa comigo e é convidado a sair. Nunca se senta porque tem muita gente para visitar também. Esta foi a minha escolha. Não tenho nada contra o Sr. Medo, mas é que, se o deixo instalar-se, não consigo ouvir aquela voz que vem daquele sítio honesto e me conduz, porque ele faz muito barulho. Essa foi a escolha que fiz e é essa que me faz feliz. Todas as decisões que tomo e as ações que realizo vêm quando o Sr. Medo anda por outras paragens. Esse foi um compromisso que assumi. Se ele teima em sentar-se na minha sala? Amor. Lembram-se? A resposta universal! Sempre certa.


CurAção pretende ser um espaço de partilha de ações, de valorização do tempo que temos enquanto escolhemos viver, de responsabilidade, sobretudo nos tempos que chamamos de mortos, porque escolhemos matar. Doença, desemprego, crise… Tempos fantásticos de transformAção. Na minha Ação, a criatividade e a arte estão de camarote, mas na Ação cabe um mundo de possibilidades, de acordo com o potencial de cada um. CurAção é um projecto de ações que despertem o potencial criativo de cada um, porque acredito que a nossa última e primeiríssima missão é ser feliz e que a profissão, o corpo, os relacionamentos, o dinheiro, a família, os filhos, os amigos, os hobbies, a idade, o nome – tudo o que costuma vir depois das palavrinhas “Eu sou…” são apenas mediadores fantásticos que nos permitem manifestar e multiplicar o nosso potencial, mas não nos definem. Fiquei sem tudo o que “era”. Quem sou agora? Quem me acompanhou sabe que fiz esta pergunta. Depois disto tudo, já sabem com certeza qual foi a resposta perante tamanha incógnita. Até saber, mas já sabendo, Amor. Aqui não há vítimas, só criadores.

AÇÃO: Integração expressão plástica, make-up e fotografia
Maquilhagem: Make Up By Me (direção Marta Moura)
Pintura, Figurino e Fotografia: Maçaroca Educação & Design (direção Cindy Baptista)

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