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domingo, 13 de julho de 2014


Sábado, 12 de Julho de 2014

Uma das ações relativamente à minha cura é a AlimentAção, não só porque "somos o que comemos" mas porque sinto efectivamente diferenças no meu bem-estar e na minha saúde quando faço uma alimentação mais saudável. Já descobri isso há muitos anos, por isso não foi a doença que me fez atender mais a este aspecto, muito embora não possa negar que tenha ficado doente num ano em que fui mais negligente comigo mesma. Talvez por isso e por entender que a nossa saúde é o resultado de muitos factores, não defendo a intransigência nas escolhas alimentares que fazemos, mas que a alimentação que escolhemos fazer constitua um acto de amor-próprio e de prazer x saúde. A partir da altura em que não como isto ou aquilo porque isto ou aquilo me vai pôr doente, passo a fazer escolhas por medo das consequências e não pelo bom que é comer coisas que, ao mesmo tempo, são saudáveis e me fazem bem. Ou seja, como em tudo, é preciso bom senso.

Não sou vegetariana, não sou macrobiótica, não sou crudívora, não sou vegan, mas sou também tudo isto e adoro as alternativas que estas linhas me oferecem. Cereais integrais já fazem parte das minhas escolhas há cerca de dez anos e já não imagino a minha vida só com massa, arroz branco ou batata como acompanhamentos. Não como carnes vermelhas há 11 anos e não como carne branca desde que estive internada (aquelas pernas de frango em seis meses de IPO acabaram com a complacência que ainda tinha relativamente á carne!), mas não dispenso um peixinho de vez em quando.

Hoje desafiei a minha mãe, que se aplicou ainda mais nas cozinhas macrobiótica e vegetariana no último ano - uma vez que me teve como hóspede inesperada - e fomos aprender um bocadinho mais com a Gabriela Oliveira (facebook). Ficámos a conhecer ao vivo, a cores e a sabores, algumas receitas do seu mais recente livro "Cozinha Vegetariana para quem quer poupar". Por que ir a um workshop quando temos um livro fantástico, atrativo na apresentação e na descrição das receitas? Porque há sempre uma partilha de aprendizagens, dicas e experiências que ultrapassam a bidimensionalidade de um livro. E, além disso, há a degustação!!! Ah pois é! Segue-se a reportagem fotográfica, porque todos os sentidos estão implicados quando se trata de alimentação e os olhos são os primeiros a comer!
Eu e a mami com a Gabriela, na foto de cima. Nas outras fotografias, lunch in progress!
De seguida, o menu:

1. Creme de lentilhas com gengibre;
2. Salada crudívora de beterraba;
3. Maionese sem ovo;
4. Tabule de bulgur;
5. Seitan com molho de amêndoa;
6. Assado de tofu com broa;
7. Chá frio;
8. Bolo de coco e cenoura;
9. Pudim de fruta.

Obrigada à Gabriela pela simpatia e pela inspiração (inspiro-me sempre mais com a forma como os professores partilham o conhecimento do que com o conhecimento em si)! E ao restaurante "Origem", no Espaço Amoreiras, que ficará na lista das próximas visitas gastronómicas!

Tenho de confessar que quem tem o livro e quem tem praticado é a mãe CurAção e eu de vez em quando vou lá a casa roubar uma receita ou outra. Já provei várias receitas - todas aprovadas - mas deixo aqui a fotografia de dois dos bolos da Gabriela confecionados pela minha mãe, para a festa do seu aniversário: bolo de chocolate e bolo de banana e noz (os dois sem ovos).



Nota-se que sou gulosa... Atrevam-se!


Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Desafio
E se ninguém conseguisse mentir?
Desenvolva o tema, usando não mais de 400 palavras.


Era uma vez um menino que gostava de brincar às escondidas. Gostava de desaparecer de vez em quando para que pudessem procurar por ele. Será que o vão apanhar? Será que vão à sua procura? O menino sabia – sem saber – que os livros se vendem fechados para que possam ser abertos. E desfolhados. Ensinaram-lhe que era feio mentir e, pelo que pôde perceber, só aos adultos é permitido mentir. E à descarada. Ele desculpa-os porque sabe que precisam de inventar algumas histórias para não se zangarem uns com os outros ou andarem tristes dentro deles – embora andem na mesma. Ele não precisa de mentir porque inventa histórias de encantar e de grandes heróis para manter viva a sua verdade. São de faz-de-conta, o que é diferente de mentir. Os crescidos deixam de brincar e começam a mentir. Mas ele também tem alguns amiguinhos que às vezes mentem porque têm medo. Ele mentiu uma vez para a mãe não ficar zangada e triste.

Batota. Batoteiros. Não sei por que chamaram um coxo para falar de mentiras mas talvez porque, enquanto houver vida, há de haver mancos, imperfeições e mentiras. Piedosas ou cobardes, corajosas ou maldosas, escondem-nos ou mostram-nos para não haver dúvidas de que somos reais. Deixasse de conseguir mentir, disfarçar, fingir ou omitir – farinhas do mesmo saco - e achar-me-ia no céu - quiçá no inferno - no Júlio de Matos ou simplesmente noutro planeta. Posso não te mentir, mas não posso não te poder mentir, ok? É a fuga, o crime perfeito!

 As minhas mãos não marcariam compasso na mesa para resistir dançar com as tuas, os meus olhos não fugiriam dos teus intermitentemente, a minha boca não diria as coisas certas, os meus pés não se manteriam timidamente no seu cantinho… Não teria desligado a chamada, não te teria dito que está tudo bem, nem sequer teria desistido de ti. Talvez o meu pecado não seja a mentira, mas a omissão. Escondo-te a alma, a que brilha nos olhos quando encontram os teus e vibra no corpo quando te sente por perto ou mesmo a caminho. Não, prefiro mentir-me a ver-me louca.

Era uma vez um menino que gostava de brincar às escondidas porque sabia que podia sempre afastar-se e voltar a casa. Era uma vez um menino que não precisava de mentir nem fugir nem fingir porque o seu coração ainda tinha asas. 

sábado, 12 de julho de 2014


Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Estamos mais uma vez com a Arte Move, desta vez para apoiar a Associação Helpo. Sediada em Cascais, esta ONGD (Organização Não Governamental para o Desenvolvimento) actua em Portugal, Moçambique e São Tomé e Principe, no sentido de melhorar as condições de vida das populações com que trabalha, através de programas de apoio continuados, projectos de assistência, ajuda humanitária, desenvolvimento comunitário, educação para o desenvolvimento e desenvolvimento humano. A Helpo actua directamente no terreno, implementando os seus projectos e garantindo a concretização dos mesmos, em parceria com entidades locais.

Os vectores de intervenção centram-se na assistência alimentar, educativa, sanitária, empowerment, educação para o desenvolvimento, desenvolvimento humano e ajuda humanitária e de emergência.

O Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância é um dos que garante o apoio continuado às crianças sinalizadas. E vou transcrever o que penso deixar-nos com uma ideia mais concreta desta actuação:

Em termos práticos, uma contribuição periódica da parte de cada um dos padrinhos traduz-se numa assistência concreta prestada às crianças de cada comunidade, proporcionando-lhes pequenas melhorias que fazem a diferença no seu dia-a-dia através de distribuição directa de bens essenciais tais como material escolar, roupa de época, produtos de higiene básica, cobertores, redes mosquiteiras, sementes e outros alimentos. Ao mesmo tempo que se presta um apoio imediato às crianças, trabalha-se em conjunto com as comunidades na concretização de projectos de apoio comunitário tais como poços, hortas escolares, e/ou comunitárias, salas de aula, creches, latrinas melhoradas, bibliotecas.

Para saberem mais, http://www.helpo.pt/ e, para ajudar, o CurAção apoia a Arte Move no espectáculo "Desassossego" (19 e 20 de Julho, no Parque Palmela, em Cascais, pelas 22h), onde a Helpo estará presente para a recolha de material escolar base para estas crianças. Quem for assistir ao espectáculo poderá contribuir com um kit escolar à sua escolha que pode incluir: esferográficas, lápis de carvão, lápis de colorir, borrachas, afias e cadernos. 



Por enquanto, os ensaios continuam...








sábado, 5 de julho de 2014


E hoje foi dia de caminhada. Onyria Running Challenge, um evento organizado pela Xistarca, a favor da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (facebook APCL). Não dei o meu contributo financeiro, mas marquei presença e passo a palavra. Momentos de partilha, saúde, sol e mobilização para apoiar o trabalho de uma associação que não conheço de perto, mas que faz "10 anos de vida pela Vida".

No site da associação podemos ler:

A APCL tem como missão contribuir, a nível nacional, para aumentar a eficácia do tratamento das Leucemias e outras neoplasias hematológicas afins.
Os principais objetivos aos quais a APCL se propõe são:
  • A manutenção e o desenvolvimento do Registo de Dadores Voluntários de Medula Óssea em Portugal - CEDACE (Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão);
  • A promoção do progresso do conhecimento científico sobre a natureza, evolução, prevenção e tratamento destas doenças, apoiando a investigação científica com um programa de atribuição de Bolsas e investindo na Formação Avançada para profissionais de saúde;
  • O apoio financeiro a doentes com Leucemia e às suas famílias.
Independentemente da minha posição relativamente aos tratamentos actuais para fazer frente às doenças hemato-oncológicas, associações como estas que nascem de um movimento de sobreviventes protagonistas deste processo saúde-doença-saúde têm o meu apoio, pois o SNS não pode dar resposta a todas as necessidades dos doentes e das famílias, para além de que os fundos para a investigação são provavelmente limitados e privilegiam as doenças mais comuns. É necessário que a sociedade seja mobilizada e envolvida na responsabilidade que é a saúde de todos nós


P.S. Sílvia, estás em espírito!

domingo, 29 de junho de 2014


Há sonhos que se adiam para não se realizarem adiantados.

Este fim-de-semana frequentei este workshop, ministrado pela dança terapeuta Jeanette MacDonald, pioneira deste método na Europa. Agradeço, desde já, à Psinove ter-nos proporcionado a oportunidade de aceder à experiência, ao conhecimento e à generosidade desta profissional, bem como às vivências que pudemos experimentar na primeira pessoa durante estes dois dias. 

Que a dança é terapêutica e pode constituir uma ferramenta no caminho da cura já todos vocês sabem que é uma das premissas CurAção, porque já o mencionei e testemunhei várias vezes. Que o movimento constitui um mediador importante em contextos educativos, clínicos, comunitários, etc. e um facilitador de processos de aprendizagem, desenvolvimento pessoal e cura num sentido mais abrangente, também já constituía uma verdade para mim, não só porque já consta na literatura, porque o estudei ou o comprovei no terreno mas porque o vivencio todos os dias, comigo e com os grupos com que trabalho. 

Mas preciso de sistematizar e arrumar muitas das coisas que fui recolhendo e aprender muitas mais para poder um dia utilizar a dança como ferramenta psicoterapêutica, nomeadamente realizar o mestrado em Dança Movimento Terapia.

Também é verdade que uma das minhas bandeiras é a da Psicossomática, porque todos somos psicossomáticos. Qual não foi a minha surpresa quando a Jeanette começa a formação com a seguinte premissa:

We are not only psychosomatic but also somatopsychic. 
It's a circular process.*

Soma e psique acontecem em simultâneo, não há como dissociar as duas dimensões. 

BODY DOESN'T FORGET.*

Com a dança terapia pretende-se aumentar o repertório de movimento (que constitui um reflexo de um "movimento" interior), potenciando assim a mudança para novos padrões (motion + emotion), envolvendo todos os sentidos no processo. 

There's dance in everyBODY.*

Dancing is only walking with attitude.*

Foi um fim-de-semana intenso, essencialmente vivencial, onde foram tocados processos individuais, relacionais e de grupo, para que pudéssemos sentir a essência desta abordagem. 

A Jeanette tem 40 anos de experiência, humildade, amor e um respeito enorme pelo próximo. Uma inspiração. 

E agora com o bichinho completamente acordado, espero que o mestrado chegue a Portugal ou vou até Barcelona fazê-lo, mas... 6000 eur é muita ginástica para os meus baby steps (só renasci há um ano!). Andando com atitude e o resto... virá!

Há sonhos que se precipitam para não chegarem atrasados.

*conteúdos da formação


(foto Psinove)



(foto Psinove)


Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Desafio
O contrato estava assinado. 
Explore o enredo, usando no máximo 400 palavras. 

Era um dia como o de hoje… Cinzento, com raios de luz que timidamente nos tocavam, uma brisa fria que combinava com o nervoso miudinho que se impunha… e a tua expressão, indecifrável, cinzenta para não descortinar e fria para não aquecer os ânimos. Sempre disseste que o papel reduziria o sonho e que, amarrado, não conseguirias amar. Sempre te disse que o papel legitimaria o sonho e que nos permitiria voar. Juntos. Há dias cinzentos que nos permitem pensar e há dias cinzentos que nos param o pensamento. É assim uma terra do meio, onde impera o talvez. Talvez para sempre. Penso eu. Talvez nunca. Pensas tu. Também tenho esta estranha mania de achar que sei o que tu pensas ou, pior, de achar que pensas muito para além do que dizes, como eu, como se soubesses o que é esconder as palavras atrás das nuvens, à espera da tempestade.

Acordei cansada. Já sabia que não teria energia para te argumentar. A tempestade já fora, mas o sol ainda não chegara. Há dias assim, em que a mudança fica suspensa e o ar preso na inspiração. Falta uma assinatura. Falta um papel. E o sonho acabará para a vida poder continuar. O fim dos sonhos não é triste, é só um acordar, e aprendi contigo que se fecha os olhos para se poder amar. Fechei os olhos aos sinais, não queria ver nem saber demais.

Chegaste primeiro, esperavas sentado e recto no banco corrido. Se a tristeza é fria, estavas triste, mas ainda hoje não sei. De fato cinzento, sem cor nem dor. Nem amor. Cruzei-me contigo, mas deixámos a boa educação de parte – há alturas em que de nada serve, a não ser mentir. E o silêncio não sabe mentir.

Usaste a esferográfica que te ofereci, com o teu M (de maldição?), como que a dizer que vou contigo, ainda que não. A mesma do dia dos votos. A mesma para a separação. O contrato, um dia assinado, foi neste dia desfeito. Disseste que não havia outro jeito.

Sem contratos, a vida é simplificada ao ponto da experiência. Não me poderia apegar sem assinar. Ele não se poderia apegar assinando. Ainda hoje os dias cinzentos me obrigam a chorar o que as nuvens seguram. Parece que o mundo se cala para ouvir. E o silêncio não sabe mentir. 

(silêncio)

O contrato estava assinado, porra!


(chove lá fora… finalmente

sábado, 21 de junho de 2014


E hoje foi mais um dia de reflexão e aprendizagem... Vamos substituir o medo e a necessidade de afastar o sintoma a todo o custo pelo acolhimento do mesmo e o diálogo interno, de forma a entender a sua função, respeitando as respostas adaptativas do nosso cérebro que, em última análise, procura sempre a solução dos conflitos com que se depara. Mudança de paradigma nada rentável para as índústrias que nos vencem pelo medo: não podemos comer determinado alimento, senão... não podemos estar ao sol sem protector, senão... não podemos não tomar um determinado medicamento, senão... não podemos poder... Esta abordagem visa aproximar-nos de uma vida natural e responsável e promove uma atitude de observação e aceitação perante a doença que, acrescento eu, faz parte do caminho do indivíduo saudável. Pela integração e não segregação da experiência.


A minha leitura de hoje:


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eis o desafio desta semana: 
Antes fugir do que remediar.
Explore esta ideia.
(máximo: 400 palavras)


Fugir é um verbo muito menosprezado. É muito mais corajoso ficar, encarar e agarrar o touro pelos cornos. Fugir é para os fracos, os que temem, os que metem o rabinho entre as pernas e desistem. Foge! Abaixo os fracos! Vou ficar aqui a bater com a cabeça na parede até gostares de mim, porque assim não há forma sequer de a inteligência se fazer aparecer e valer.

Pois fugir é muitas vezes a prova da maior das inteligências. Fugir do homem errado, do trabalho errado, do ursinho polar ou do touro e dos cornos. É, pois, estratégia!

Se é preciso remédio, alguma coisa não bate certo. Vou acrescentar mais isto, vou dizer-lhe mais aquilo, vou fazer mais aqueloutro e acresce toda uma lista de desculpas para ficar. Ficar. Ficar. Ficar até mais não, até não haver mais ninguém de ti para contar a história! Até seres engolido pelo papão! Alguém vai sair de barriga cheia e não és tu! Eu sei, é a adrenalina de sentir o perigo eminente, a perspectiva de saires mais forte e o delírio de eventualmente superares a tua fraqueza perante o bicho e a tua (pouca) força para segurar nos cornos. A verdade é que há efectivamente bichos perigosos, ossos duros de roer, lobos em pele de cordeiro e grandes furadas. Se não te preveniste, foge!

Antes fugir do que remediar ou remendar. Médicos e costureiros em causa própria, dediquem-se ao que sabem fazer e não inventem! Que grande xarope tu me saíste! Fosse tosse o meu mal e estava curada. Melhor fugir enquanto é tempo, mas melhor que fugir atempadamente, é FUGIR! Run forest run!

Fugir é respeito, quando encarar é soberania.

Fugir é humildade, quando remediar é inferioridade.

Fugir é força nas pernas-para-que-te-quero, quando o remédio é para os doentes.

Fugir é para os atletas, quando remediar é ginástica passiva.

E o burro morreu a pensar “fosse eu cavalo e isto seria tudo diferente!”

P.S. E a ti – agora só aqui entre nós – devo-te um pedido de desculpas! Não és medicamento para a insuficiência cardíaca. Fizeste bem em fugir, não fosse o bicho pegar! (Fraquinho…)

quinta-feira, 29 de maio de 2014


Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Desafio

"Não é verdade que..." 
Continue o texto, usando no máximo 400 palavras.

Não é verdade que gosto de ti porque, se gostasse, não teria dúvidas de que é contigo que quero ficar, muito menos certezas de tudo o que faz de ti o homem errado. Também não é verdade que isto me preocupa porque, se me preocupasse, não procuraria em mim as razões que fazem de ti a pessoa certa. Não dói. Mói. São lugares diferentes. Qual água mole, eu quero ser dura. E o mais dura que consigo ser amolece-te comigo. Às vezes. Poucas vezes.

Não é verdade que gosto de ti porque, se gostasse, gostava e pronto. Não há pensamento que tenha lugar quando estou a gostar de estar contigo. Os pensamentos saltam todos das gavetas e tenho de fugir de ti para me querer reaproximar. Ou fugir para sempre.

Não é verdade que seja amor, mas pode ser ar-dor, se é que me entendes. Nem sequer é verdade que precise de ti. Sou tão fingidora que finjo a dor de estar longe de ti. Sou tão amadora que amo a dor de fazeres parte de mim.

Será no entanto meia verdade a metade de ti que está comigo. Aliás, há muitas meias verdades nisto porque nada é de facto mentira. Gosto um bocadinho de ti, gostas um bocadinho de mim, gostamos um bocadinho disto e, daqui a bocado, enfartamo-nos desta história. Mas há histórias assim, que falam a verdade a mentir, que dizem a sua justiça a sorrir e que terminam como não começaram. Sem problemas. Problemático.

Às vezes queremos que as coisas sejam o que simplesmente não são. Às vezes até são mas temos medo que simplesmente sejam. Assim, as verdades demoram a chegar porque entram numa corrida cheia de obstáculos, adversários e um pódio onde nem sempre uma verdade chega. Ou chega tão tarde que parece mentira.

Não há pior verdade do que aquela que parece mentira. Não acreditada, desprezada e menosprezada de tão desejada e ambicionada. Não digas que gostas de mim porque é tudo o que quero ouvir. Não digas que me queres porque é tudo o que quero sentir. Não posso com tudo se depois fico com nada. Não posso com o nada disfarçado de tudo.

Por isso minto-te verdadeiramente. Não gosto de ti. Chega.

Não te chegues. Chega.

Não me chego. Chega. 

Ai, chega-chega. Chega.


Título: Da agulha e do dedal


domingo, 25 de maio de 2014


Sábado, 24 de Maio de 2014

Este foi o texto que me deu o 2º lugar na 2ª jornada, em 118 concorrentes.

Desafio

Escreva um texto com 20 vírgulas - nem mais uma nem menos uma.
(máximo: 400 palavras)


Tudo o que cabe num chapéu

Dava um euro pelos teus pensamentos mas acredito que seja pouco. Nas esmolas que te peço, encho-te o chapéu de sonhos. O que vais fazer com eles é da tua história e não da minha. De mão ou chapéu estendidos, andamos todos de tempos a tempos. E agora pinga. E agora não pinga. E agora chove. E agora faz sol. Sentados ou de pé, no metro ou na rua, a amargura do pedinte é a miséria de quem se abandona, mas o doce de quem tenta um abraço na volta. Pinga, pinga. Preciso dele a pingar.

Escondo-me no chapéu que me guarda da chuva dos parvos. Mal escondida, porque chapéu é tecto mas não é parede. Se quem anda à chuva se molha, eu molho-me às vezes, porque, se bem guardadinhos andarmos, não há quem se entregue. Mas os invernos são assim: guardamo-nos ou molhamo-nos e choramos depois. Não tivesse eu casa e dentro da casa um coração e andaria aí de chapéu pelas ruas, sem-abrigando-me da emoção.

Não sei quem teve a ideia de virar o chapéu ao contrário, mas algum génio no meio da aflição. Não há criatividade sem fonte de inspiração, necessidade ou ilusão. Chapéu é tecto mas também é chão. É assim um “queres vir comigo?” e um “não me digas que não!” Adivinha-me: quantas cabeças cabem debaixo de um chapéu, se uma é pouco e três são demais?

Chapéus são do inverno emprestados ao verão, podem ser estilo e causar sensação. Não te queimes, não te exponhas, não te molhes, não te vivas!


Chapéus há muitos! Se não me queres, chapéu! 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sábado, 17 de Maio de 2014

Quando alguém me procura com alguma doença ou queixa física, eu encaminho para este especialista, Alain Jezequel, biopsicoterapeuta, que associa processos biológicos a emocionais. Ajuda-nos a desconstruir os sintomas até que eles percam a sua força e a sua função e desapareçam.

"Cada doença é como cada um de nós: específica, resultado da nossa história particular, do nosso relacionamento com o meio, do relacionamento connosco, da forma como gerimos as frustrações, as rupturas da vida e ainda de experiências prematuras vividas de forma traumática."

"A TSB propõe que o doente concentre a sua energia na identificação dos momentos decisivos que estão na origem do sintoma."

Hoje fui uma tertúlia sobre a TSB e, na 3a feira, tenho consulta para entender os meus sintomas actuais. Depois partilho.

sexta-feira, 16 de maio de 2014


No dia 13 de Fevereiro, iniciei a minha participação no Campeonato de Escrita Criativa, como vos disse aqui. Terminou no dia 28 de Abril e, em 118 participantes, fiquei em 14º lugar. Foi uma experiência nova. Todas as semanas tinha um desafio e tinha de responder com um texto de 400 palavras (máx.). Vou partilhar aqui alguns dos 10 textos que escrevi para este fim. Vou começar pelo da penúltima jornada, porque é o único que fala do cancro e porque acho que preciso de me religar a esta energia de cura, de capacidade de transformação e de dar a volta ao texto.

Desafio

Cometeu um erro imperdoável. 
Escreva um texto que pudesse fazer com que, ainda assim, fosse perdoado.
(máximo: 400 palavras)

Há coisas que não se devem dizer logo à primeira, correndo o risco de deixar, à partida, impressões digitais impossíveis de apagar, no coração de quem nos conhece. Assim, convém ir devagar e optar por pegadas na areia, a serem levadas pelo mar, por uma segunda oportunidade de amar. À nona semana já posso abrir o jogo, até porque o jogo vai terminar de qualquer forma (mas não de qualquer maneira, porque nunca a maneira será qualquer).

Já fui doente terminal, daquelas de terminar com a doença. Daquelas que sabem que, depois do estadio em que se encontram, a próxima estação é o fim, mas que não vê o fim à vista. Ou não quer ver. Está lá um fim, mas - do quê - é outra história. Então, sendo assim, decidi contar esta história, a história de quem enganou o fim e o transformou no princípio.

Quando uma má notícia chega, ela vem desarrumar-nos. Só por si, a notícia chega como tem de ser: como uma bomba! É como se dissesse: venho terminar-te porque isto está tudo errado. E, como só oiço o que me interessa, penso: deves ter-te enganado, porque aqui não mora ninguém. Mentira. Mora alguém com todas as forças mas é melhor dizer que não estou em casa e fingir que estou a dormir. Entretanto explodiu e… não há nada a fazer. Morri.

Pouco interessa ordenar-me com tempos verbais e pontuação adequados, porque foi a grande confusão. Não gosto de guerras, não quero nada disto. Entre a guerra e a paz, o maior erro que cometi foi o de enganar o pensamento e escrever a história como a queria contar, como queria que a ouvissem e como queria que ma contassem. Como diz a canção, à minha maneira.

Devo um pedido de desculpas ao Sr. Cancro, por lhe ter dado a mão e o ter ajudado a atravessar a história da minha vida. Não era suposto. Ele vem para ser atropelado e eu paro para ele passar? Como está Sr. Contente? Como vai Sr. Feliz? Diga a gente, diga a gente como vai este país

Neste meu país ia o caos, a crise. E, para dar a volta ao texto e fazer do fim o princípio, este senhor deixou-me impressões digitais impossíveis de apagar, paixão arrebatadora das que não sabem o seu lugar. Perdoe-me se o abandonei, por uma segunda oportunidade de amar... 

398. 399. 400.

Post Mortem. Renasci. E, se a vida me perdoou, vocês também me vão perdoar, com toda a energia dos Xutos, à vossa maneiraaaa… Por uma segunda oportunidade de viver… 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


Ontem foi uma noite de emoções boas. A Vanessa e a Lara Afonso desafiaram-me para dançar nesta gala/concerto organizada pelos "Aprendizes da Nono", o primeiro evento e o pontapé de saída da Associação Princesa Leonor - Aceita e Sorri, que vai apoiar crianças e jovens com doença oncológica.

Desde o início do projecto CurAção que tinha vontade de pôr a minha história "em movimento" e, com uma semana para preparar uma coreografia para a música da Lara, não sendo eu profissional e não estando eu em forma, percebi logo que não o poderia fazer sozinha - nem queria. E depois ainda percebi que só fazia mesmo sentido fazê-lo acompanhada, por todas as pessoas que me acompanharam e por todas as pessoas que rodeiam os doentes oncológicos e que também são enredados nesta teia, porque ser mãe, filho, irmã, pai, tio, marido, mulher, neste filme, também é dose.

Numa noite de muita música, muita inspiração, muito amor e muita celebração, juntaram-se não só artistas, como pessoas muito especiais - como a Sara Tavares, que me inspira assim que é uma coisa, mas esta é uma escolha pessoal..., entre todos os outros envolvidos directa ou indirectamente na associação, como o Nuno Gomes e a Áurea, os padrinhos oficiais - e todos estavam lá de coração, inebriados pelo espírito da solidariedade e contagiados com a alegria da Nonô, que é a protagonista e catalizadora de todo este movimento, do alto dos seus quatro anos que não querem saber de doenças e só querem saber da vida como ela é, para ser recebida, sentida e devolvida.

E assim lá estive, não só como aprendiz da Nonô, mas também para devolver aos amigos CurAção toda a energia que me transmitiram este ano e que todas as pessoas que estavam naquela plateia saibam como é importante serem importantes para os outros como são.

Como não consigo postar o vídeo - o blogger ainda não me deixa - vou deixar algumas fotografias e o vídeo fica para outro dia.


Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço


terça-feira, 17 de dezembro de 2013


E eis que, recém-chegada de Cabo Verde, a 7 de Dezembro, vou até à Associação Girassol Solidário, em Lisboa, associação que dá apoio aos doentes evacuados de Cabo Verde que se encontram em Portugal a fazer tratamentos médicos a que não teriam acesso no seu país de origem. Porque, para desenvolver mais os meus conhecimentos na área da psicossomática e para trabalhar com doentes, preciso de ter mais conhecimentos na área somática, este dia foi dia para ficar a saber mais sobre as doenças cardiovasculares, as doenças do coração (nada melhor para primeira lição que frequento como CurAção!). Foi a primeira sessão e mais tarde falarei sobre esta formação para a saúde da Girassol, no âmbito de um projecto que ganharam em parceria com a Maçaroca Educação & Design, parceira CurAção, que me convidou a estar presente como formanda.




Esta formação é dirigida maioritariamente aos utentes da Girassol, que vão ganhar mais conhecimentos acerca das suas próprias patologias e poderão também expor as suas dúvidas e receios no que às mesmas diz respeito. Aqui uma fotografia com o seu conterrâneo, o músico Batchart, que foi convidar os formandos a estarem presentes no concerto que deu nessa noite.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2013


Ontem estive na festa de Natal das crianças do IPO. Aliás, só ontem conheci o auditório, que fica no Pavilhão Central. O auditório tinha poucas crianças, eram mais adultos, tanto na assistência como no palco, mas a festa era transmitida em directo para os televisores das crianças que estavam uns andares de cima, na enfermaria, no piso da Pediatria. Foram vários os artistas, só vi uma parte, mas destaco aqui os Doutores Palhaços, da Operação Nariz Vermelho, na foto acima. Gostei particularmente da doutora e do menino que estava atrás de mim a rir-se às gargalhadas.
Depois fui até à Pediatria - pela primeira vez - visitar a Nonô (do projecto "Os Aprendizes da Nonô"), onde também encontrei música nos corredores, corredores bastante mais simpáticos do que os dos adultos - de um turquesa relaxante - com cartazes a anunciar o WI-FI, outra coisa que me surpreendeu - por que as crianças têm wi-fi e os adultos não? Conclusão: cores, animação, brinquedos, prendas, música, internet, "tudo o que possa minimizar o impacto do internamento nas crianças" - palavras da mãe Vanessa - são aplicáveis apenas às crianças.

Do ponto de vista de quem esteve praticamente 5 meses a morar na enfermaria do piso de Hematologia do Pavilhão de Medicina - um dos pisos melhores desse edifício, pelo que dizem e pelas obras recentes - e de quem passou o Natal e o Ano Novo na cama 7 da Sala 2, não entendo por que investimos tanto tempo a colorir o mundo infantil, que já tem cores por si só, e deixamos o mundo dos adultos preto no branco ou no cinzento (mesmo que as paredes até sejam azuis). Eu tive uma festa montada na cama 7, com direito a árvore de Natal, presépio, anjinhos, prendas, postais, frigorífico com a minha comida, ceia de Natal com os meus pais, mas porque eu tenho uns amigos suficientemente malucos, que se estão nas tintas para protocolos e decoraram todo o parapeito e a "minha" janela (num quarto de 4 doentes), mas posso dizer que não vi nem ouvi falar em festas ou celebrações. E eu que até gosto dessas paródias! A partir da Consoada, os efeitos da quimio começaram a manifestar-se, veio a morfina e a vida não dava para grandes festas - e é verdade que muitos dos doentes não estão em condições nem com paciência para isso - mas acredito que haja um grande preconceito neste mundo relativamente aos adultos. Vamos para a/o primeira classe/ano e acabou-se a brincadeira, não vá a vida achar que não a levamos a sério... Ainda assim, e contrariando isto, era ver na festa das crianças, feita por adultos, profissionais do IPO, tanto no palco como na plateia, a rirem-se das figuras/personagens uns dos outros, porque aquele era o seu tempo de diversão. Afinal de contas, as crianças merecem. Ou não serão eles próprios a precisar disto?

Em relação ao WI-FI, na época em que vivemos, continuo a não entender por que não fornecem a password aos pacientes adultos. Claro que, quanto mais desconfortável for um hospital, menos tempo queremos lá estar, o que é positivo! Se eu tivesse tido a sala de espera que está lá agora, depois das obras, não tinha passado sempre 3 horas deitada no carro à espera de consulta, mas se calhar também não tinha a necessidade de fugir de lá tão "depressa". De qualquer forma, que a qualidade do tempo e do espaço que ocupamos nos hospitais seja tida em conta, porque sempre ouvi dizer da boca dos técnicos que o doente é a prioridade daquele espaço.

P.S. Eu sei que há o "Natal dos Hospitais" para os adultos, mas falo apenas da minha experiência.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013



Novembro 2012



Dezembro 2013

Nota: Quando, depois de um ano, parte do qual acamada, parte do qual em recuperação, o Djam me desafia para fazer este "Candy Shop" ou algo semelhante, a primeira coisa que lhe disse foi "Não estás a ver bem o filme! Aliás, não estamos a ver o mesmo filme!" É que a verdade é que, por mais que as pessoas saibam do meu processo, parece que estão sempre à espera que eu esteja no ponto em que estava no vídeo de cima, porque é essa a imagem que guardam. Claro que, vendo o resultado, eu sei o que já progredi desde que saí do hospital e sei que vou continuar a recuperar, mas acho que o verdadeiro desafio foi recuperar a Rita-que-também-é-mulher-e-pode-ser-sensual depois de um ano onde isso foi relegado para 5º plano! Lollipop? A sério? Independentemente de gostos e afinidades com o estilo musical e de dança, este vídeo constitui mais um passo no regresso à normalidade e por isso o celebro aqui hoje. E a evolução dos Kriol Dance Movement, pois, no primeiro vídeo, eu era a representante feminina e, hoje, elas são 3! This one's for the girls!

domingo, 8 de dezembro de 2013


E hoje viajo até ao dia 25 de Maio de 2013, ao primeiro mês fora do hospital, uns dias antes do último ciclo de quimioterapia que realizei. Viajei até Sintra a convite destes meus amigos, até a esta feira de "alternativas" e encontrei a Ana Martins Proença, que pediu para nos tirar uma fotografia com o símbolo ou do amor ou da paz, no âmbito do seu projecto fotográfico "Love And Peace", que agora foi publicado no facebook.




E aqui estamos nós, meses antes do lançamento do CurAção, mas já ligadas a esta energia. E hoje relembro, olhando para esta fotografia, sem sobrancelhas e pestanas, o caminho já percorrido. 

E que os caminhos alternativos se tornem cada vez mais acessíveis porque, no fundo, sonhamos todos com o mesmo... Love. Peace. 

sábado, 7 de dezembro de 2013


E como este blog não responde a tempos e espaços cronologicamente determinados, hoje destaco a battle de hip hop all styles, onde fui jurí, no dia 23 de Novembro, no Kebra Cabana, na cidade da Praia. Este vídeo do Nuno Miranda, que conseguiu captar-nos subtilmente, resume o espírito do evento. E que difícil foi decidir o vencedor, quando os finalistas são de qualidade indiscutível, conferida em diversos critérios. Vale a inspiração no minuto que têm para o freestyle. Improviso, musicalidade, performance... e a magia acontece... Ganhou o Benilson (Beny), que se debateu brilhantemente com o Marcos "Rogo" Semedo. Dois talentos. Inspiração para o meu regresso à dança. (DNNhos...)


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