quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Nos últimos anos a sigla CV para mim significa Cabo Verde, mas hoje significa Curriculum Vitae, como é mais comum... E actualizar ou refazer um CV com um ano congelado leva-me a questionar... que colocar no lugar do ano sabático imposto pela vida? Encontrei esta definição de ano sabático que encaixa parcialmente naquela que se pode dizer que tenha sido a minha experiência:

http://vidaedu.com/ano-sabatico/                                         Semelhanças com a experiência sabática de
                                                                                          ter um cancro:
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Trata de um período, que não tem de ser necessariamente um ano, em que se parte à aventura, se deixa o que é familiar e se procura sair da zona de conforto. Uns procuram fazê-lo a estudar, outros a trabalhar, outros em ações de voluntariado e outros juntando as todas as coisas. A ideia de ano sabático é sobretudo de crescimento pessoal, um período educativo, fora do país.
Para os que tiveram a oportunidade de fazer, descrevem esta experiência como uma vivência única, necessária, um período de crescimento e autoconhecimento que os devolve à terra Natal mais completos.A maioria das pessoas faz este ano sabático depois de terminar os estudos universitários, mas há muita gente a fazê-lo num intervalo de carreira. A verdade é que o ano sabático é um conceito muito bem visto para quem está a recrutar porque mostra que o candidato é capaz de se desenvencilhar, sair da zona de conforto e fazer o esforço extra, se necessário.
O termo tem origem na palavra sabá, período entre a sexta-feira e o sábado, comum nas comunidades judaicas que se dedicam ao descanso religioso, em que não deve ser realizada qualquer atividade. Este período de inatividade supunha uma melhoria na produtividade. O costume de aplicar essa tradição religiosa judaica a outros níveis da sociedade surgiu no século 19, nas universidades americanas sob o nome de licença sabática que era atribuída aos professores para se afastarem das atividades regulares e fazerem reciclagem curricular. Por isso é atualmente um conceito totalmente ligado ao sistema educativo.
Foi apenas nos anos 50 que o conceito atingiu o tecido empresarial. Algumas empresas adotaram os programas sabáticos que permitiam aos seus colaboradores afastarem-se das suas atividades normais, durante um período de tempo, para se dedicarem a uma atividade que lhes agradasse e que lhes permitiria voltar mais motivados, criativos e mais produtivos.


      Aventura (ou desventura)
      Deixar o familiar
      Sair da zona de conforto




       Vivência única
       Período de crescimento
       Autoconhecimento
       Mais completa


       Capacidade de me desenvencilhar em
       situações atípicas




Descanso "religioso"
Sem realizar qualquer atividade
Inatividade que vai melhorar produtividade










Atividade pouco agradável mas que me permite voltar mais motivada, criativa e produtiva











E assim se transforma uma experiência que pode levar à segregação sócio-profissional numa mais-valia para qualquer empregador! 

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014


Ainda sou do tempo pré-digital. Para mim ler é no papel, a sublinhar, a riscar, a rabiscar... Estou a imprimir tudo o que tenho documentado da história dos meus últimos 3 anos, 2011-2014:

- o diário dos meus dias em Cabo Verde (2011/2012);
- o grupo do facebook "Clube dos Amigos da Rita", onde fui partilhando os meus estados desde o diagnóstico do cancro, até à remissão, durante os internamentos consecutivos (2012/2013);
- o blog "curaçãoemconstrução" (2013/2014), onde constam as minhas reflexões durante o primeiro ano da recuperação, já fora do hospital e finalizados os tratamentos.

Ainda só estou a imprimir e julgo que dois dossiers chegarão, mas... será que vou ter coragem de me reler e voltar a fazer A VIAGEM?


terça-feira, 5 de agosto de 2014


Entrei no último mês do desafio "Curação em Construção" e, inevitavelmente, é um mês de balanço. Como foi o primeiro ano depois do atropelamento,  do hibernamento e do ressuscitamento?

Quando comecei este blog não estava a trabalhar e achei que um post por dia seria um desafio interessante para me manter ligada e não me esquecer por um dia o caminho que estava a percorrer. Durante este ano voltei a dançar, voltei ao pilates e parcialmente à psicologia e fui-me envolvendo em projetos alinhados com o propósito CurAção. Voltei a viver sozinha e a estar por minha conta.

Entretanto o tempo que parecia muito volta a parecer pouco e o desafio de um post por dia começa a ter dois bicos: sim, mantenho-me focada no caminho. mas mantenho-me apegada à experiência do cancro. A vida deve seguir em frente e, muito embora queira continuar profissionalmente a lidar com doentes crónicos, eventualmente oncológicos, e muito embora vá continuar a contar a minha história e até pensar na ideia de um livro, agrada-me a ideia de deixar ir esta fase do post-diário-que-me-prende-à-cura. Porque só libertando a cura deixo ir verdadeiramente a doença...

Muito trabalho de casa a fazer neste mês de Agosto... Balanço, projetos, reorganização, planos de ação... não no sentido da cura, mas no sentido da vida que existe em mim e que existe fora de mim, à minha espera. E mergulhos! Não há Agosto sem mergulhos!


segunda-feira, 4 de agosto de 2014


Hoje a italiana mais caboverdiana de todas passou por Portugal, a minha BFF Stefania Bortolotti! Trouxe-me cumprimentos dos jovens da Achada Grande Frente, comunidade da cidade da Praia, onde estive a trabalhar e onde ela continua a intervir. Em jeito de retribuição, umas fotos nossas, com a também italiana Chiara (Projeto Dreamers). Porque o trabalho social tem a ver com emoções, realidades e curações; resiliência, desafios e contradições; laços, nós e ilusões; esperança, persistência e transformações.

Aqui também podem ver o resultado do alisamento da raiz com o líquido redutor na minha última visita ao cabeleireiro. Os caracóis agora vão mais para baixo e menos para cima e o cabelo até ganhou em comprimento. 

sábado, 2 de agosto de 2014


Nesta aventura de mudar de “identidade de cabelo”, tenho de aprender a relacionar-me com estes fios novos que têm um comportamento completamente diferente dos anteriores. Há momentos nostálgicos de saudades e outros de excitação por toda uma nova descoberta. Antigamente eu dizia que “o cabelo andava comigo”, às vezes mais “deprimido”, outras vezes mais “rebelde”. Não sei o que este novo cabelo diz de mim, mas tem uma força difícil de controlar. Não o quero esticar e retirar-lhe a personalidade – talvez o faça quando me apetecer mudar, no Inverno e quando tiver um bocadinho mais de comprimento – mas não quero parecer ter um capacete.

Mais uma vez o Miguel Garcia Cabeleireiro se juntou ao CurAção nesta pesquisa sobre os cabelos pós-quimioterapia, em particular os meus, porque cada um será como cada qual.

Para além da amizade – o ponto de partida desta colaborAção - como cliente, encontro um profissional com quem me identifico na forma de estar e de trabalhar.

Nas palavras do próprio:

Ouvir e visualizar ... são particularidades que eu procuro cada vez mais aprofundar no meu contacto com a cliente para que o meu diagnóstico seja, por um lado, de acordo com o que a cliente quer, mas também único.

Independentemente da técnica de aplicação de qualquer produto, pela experiência e sensibilidade adquiridas, consigo tirar partido de alguns produtos de uma forma muito personalizada.

Existe uma coisa que se chama "click foto" que nós cabeleireiros temos que ter e aprofundar: a cliente entra ou fala connosco e eu devo perceber "ouvindo" qual a mensagem que a cliente me traz: Mudança radical, Mudança de Moda, Actualização do já existente ou nada disto...

Como cliente do Miguel Garcia há cerca de sete anos, reconheço a capacidade de empatia e o respeito como características que acompanham o know-how e a experiência. Recuando até 2007, quando nos conhecemos como cabeleireiro-modelo, levei aquilo que eu considerei uma carecada (mal eu sabia o que era uma carecada!!!) mas, embora eu me tivesse predisposto e tivesse disponibilizado a minha imagem em prol do seu trabalho, o Miguel teve em conta a minha personalidade, os meus gostos e procurou que ficasse satisfeita com o resultado, como se de uma cliente se tratasse, muito embora o foco fosse no resultado para uma colectânea de cortes de cabelo. E por que estou a sublinhar isto? Porque me lembro de colegas minhas, modelos de outros cabeleireiros, de lágrima no olho porque ficaram com cortes de cabelo demasiado radicais, que em nada serviam quem eram e que nada tinham a ver com os seus contextos profissionais (uma delas não sabia como teria coragem de se apresentar no emprego com o cabelo todo assimétrico, curto de um lado, comprido do outro e com uma cor berrante o suficiente para não passar despercebida). Claro que quem vai a um casting para este tipo de trabalho, habilita-se a que isto aconteça, mas eu tive a sorte de encontrar o Miguel Garcia.



Vou abrir aqui um parêntesis para dizer por que esta forma de estar e trabalhar me faz todo o sentido. Posso atestar o que vou dizer relativamente ao meu trabalho, em áreas diferentes, com os meus clientes e alunos. Na minha perspetiva, em qualquer área:

- uma coisa é a técnica e outra é a técnica aplicada (a abordagem à técnica diferente em cada profissional e diferente com cada cliente);

- uma coisa é a funcionalidade de um produto/material e outra todas as potencialidades dos mesmos tendo em conta as suas características e o objetivo que se tem;

- uma coisa é um diagnóstico e outra a abordagem e a intervenção consoante a realidade objetiva (estilo de vida, acontecimentos de vida, objetivos, etc…) e subjetiva (sentimentos, gostos, desejos) do cliente (intervenção dirigida, personalizada e humanizada).

Para além disto, tem de haver espaço para a criatividade, pelo que o processo deve ser dinâmico, criativo e recriativo.

        
Voltando à aventura de hoje, fui apenas acompanhar a minha mãe mas o Miguel já tinha estado a magicar e propôs-me desafiar mais uma vez a minha ovelhinha pensadora (vulgo cabeleira). A ideia era levar o cabelo a não contrariar a gravidade, obedecendo ao sentido descendente e não ascendente, ou seja, que os caracóis deixassem de apontar para o teto e todos os sentidos. Aceitei logo desde que não implicasse tesoura!

O Miguel explica-me: Havia uma necessidade de controlar os movimentos de uma forma que mantivesses os caracóis (que eu sei que gostas) mas ao mesmo tempo evitar que a tua cabeça ganhasse um volume "tipo bola". A proposta foi utilizar um Liquido Redutor, de uma forma natural, obrigando o volume de raiz a baixar e, por conseguinte, alargar os caracóis, o que leva os movimentos a ficarem mais controlados. Também com a técnica usada - só as mãos - consegue-se obrigar o cabelo a começar a ter um movimento descendente, evitando assim o tal efeito "tipo bola".

Resumindo, controlamos os movimentos, alargamos os caracóis e baixamos o volume, obrigando o cabelo a ter um movimento descendente.


Deixo-vos com a reportagem fotográfica:





E vocês que acham do resultado?

Quanto à manutenção e ao styling diário - simples de executar - requerem a utilização de um shampôo reparador, um condicionador para cabelos secos, um spray "acondicionador sem enxaguamento" antes da aplicação da espuma (para evitar que esta seque ainda mais o cabelo) e a espuma para definir caracóis. E voilá! On the go!

Agradecimentos ao Miguel Garcia, à Fátima Fernandes e ao Miguel Garcia Cabeleireiro. E à mãe Manô! Por um FINAL FELIZ.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014


No exercício de recuperar escritos antigos, às vezes deparo-me com coisas que me causam estranheza e com as quais já não me identifico - raramente me deparo com exercícios de criatividade que considere iluminados ou perto de brilhantes - mas é engraçado ver as diferenças, porque a vida e as experiências por que passamos fazem-nos passar a ver as mesmas coisas com outros olhos (e pernas e cabelos e afins). Como eu via o medo em 2008? Que bicho era esse? Que questões me trazia?


Hoje acrescentaria: "O doente ou o saudável? O normal ou o patológico?"

Como diz a Maguita, "o medo está onde está o ser humano"...

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