sábado, 5 de julho de 2014


E hoje foi dia de caminhada. Onyria Running Challenge, um evento organizado pela Xistarca, a favor da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (facebook APCL). Não dei o meu contributo financeiro, mas marquei presença e passo a palavra. Momentos de partilha, saúde, sol e mobilização para apoiar o trabalho de uma associação que não conheço de perto, mas que faz "10 anos de vida pela Vida".

No site da associação podemos ler:

A APCL tem como missão contribuir, a nível nacional, para aumentar a eficácia do tratamento das Leucemias e outras neoplasias hematológicas afins.
Os principais objetivos aos quais a APCL se propõe são:
  • A manutenção e o desenvolvimento do Registo de Dadores Voluntários de Medula Óssea em Portugal - CEDACE (Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão);
  • A promoção do progresso do conhecimento científico sobre a natureza, evolução, prevenção e tratamento destas doenças, apoiando a investigação científica com um programa de atribuição de Bolsas e investindo na Formação Avançada para profissionais de saúde;
  • O apoio financeiro a doentes com Leucemia e às suas famílias.
Independentemente da minha posição relativamente aos tratamentos actuais para fazer frente às doenças hemato-oncológicas, associações como estas que nascem de um movimento de sobreviventes protagonistas deste processo saúde-doença-saúde têm o meu apoio, pois o SNS não pode dar resposta a todas as necessidades dos doentes e das famílias, para além de que os fundos para a investigação são provavelmente limitados e privilegiam as doenças mais comuns. É necessário que a sociedade seja mobilizada e envolvida na responsabilidade que é a saúde de todos nós


P.S. Sílvia, estás em espírito!

sexta-feira, 4 de julho de 2014




Porque os deuses devem estar loucos...


(tão depressa chove como faz sol... e o que isso diz sobre nós?)



O comboio das estações leva-me até à Primavera. No caminho vejo a chuva a cair, as árvores despidas, os agasalhos, as botas, os ombros junto às orelhas, as marrecas que não deixam penetrar o frio... Os cinzas, os castanhos e os escuros predominam, os vultos diluem-se no quadro da estação invernosa... Chora a céu, contraem-se as entranhas, entristece-se a natureza... Só as árvores têm a coragem de se despir... como que a pedir...

A poucos minutos da estação, o sol começa a espreitar. Às vezes penso que a luz ao fundo do túnel é apenas sol... que aquece os corações deprimidos... 

Saio na Primavera e vejo vida, renovação, criação, cor... Alguma razão teriam os romanos ao iniciar o ano em Março... Avisam-me de que só posso permanecer 3 meses, porque, logo depois, o comboio segue para o Verão. Percebi que a Primavera só é possível graças ao Inverno... Como a bonança depois da tempestade... 

No Verão, é o calor, a loucura, a mania da natureza... Mergulha-se na vida em pleno na esperança de encontrar a plenitude na vida...

Se os ciclos da Natureza se traduzissem em ciclos internos nas nossas vidas, para mim, a Primavera seria a Esperança, o Verão a Bonança, o Outono o Balanço e a Reflexão e o Inverno a Depressão. Estações que passam por nós e em nós, que nos diluimos no universo da vida.

O que acontecerá se o Verão deixar de ser Verão e o Inverno deixar de ser Inverno? 
O que acontecerá se a bonança e a depressão se manifestarem esporadicamente, sem sentido, pelas nossas vidas? E se a esperança desaparecer? E o espaço para reflectir? 

Chove, faz sol, desaparece o sol, chove. Ainda dizem que está tudo louco!

Se calhar...

quinta-feira, 3 de julho de 2014


Quarta-feira, 2 de Julho de 2014


No âmbito do projeto "Djunto no ta prendi fazi", apoiado pelo Programa Cidadania Ativa da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Girassol Solidário apresenta, no espaço ArtCasa, a Exposição "A 11ª Ilha de Cabo Verde".

Este projeto visa capacitar os doentes caboverdianos que estão em Lisboa a fazer tratamentos que não são contemplados ainda em Cabo Verde e que são também voluntários da associação. Tem três valências, como o artigo do jornal cabo-verdiano "A Semana" especifica:

- Formação para a Saúde, ministrada pela Saúde em Português (a qual eu frequentei) para que os voluntários, que são eles próprios doentes evacuados, conheçam melhor as suas doenças e as dos conterrâneos que vão ajudar;

- Intervenção no terreno, para que estes voluntários conheçam todo o percurso e o trabalho dos técnicos no apoio aos doentes evacuados desde que chegam a Portugal e eles próprios intervenham activamente no processo;

- Expressão para a Cidadania, com a formadora Cindy Baptista, onde a expressão artística é facilitadora de processos de auto-conhecimento, reconhecimento e partilha de vivências, emoções e sonhos destes interlocutores, cujos trabalhos constam desta exposição.

A Cindy foi minha colega de pós-graduação, minha companheira na aventura de Cabo Verde e está empenhada, assim como eu, em continuar o caminho que não nos foi possível construir nesse país, o seu de origem. Cidadã do mundo e pintora de sonhos, sabe que as fronteiras são estabelecidas pelo homem, mas que entre almas não existem. As suas e as da sua Maçaroca traduzem-se em pontes que unem o que de mais bonito se faz entre os países que vão morando no seu coração e onde ela vai habitando criativamente. CriAtivamente.

Até 5 de Julho!



referências à terra (enxada) e à música (cavaquinho)


Os trabalhos são todos fantásticos mas seleccionei os dois que identifiquei com a minha CurAção:

Artista: Thierry Chaile
Ilha: São Vicente
Em tratamento desde: Abril 2014
Nome: Amor


Artista: Gonçalo Lima
Ilha: Santo Antão
Tratamento desde: Abril 2013
Nome: Conecta


Um pormenor do trabalho feito com o barro, onde os artistas projectaram as suas vivências

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