sexta-feira, 4 de julho de 2014




Porque os deuses devem estar loucos...


(tão depressa chove como faz sol... e o que isso diz sobre nós?)



O comboio das estações leva-me até à Primavera. No caminho vejo a chuva a cair, as árvores despidas, os agasalhos, as botas, os ombros junto às orelhas, as marrecas que não deixam penetrar o frio... Os cinzas, os castanhos e os escuros predominam, os vultos diluem-se no quadro da estação invernosa... Chora a céu, contraem-se as entranhas, entristece-se a natureza... Só as árvores têm a coragem de se despir... como que a pedir...

A poucos minutos da estação, o sol começa a espreitar. Às vezes penso que a luz ao fundo do túnel é apenas sol... que aquece os corações deprimidos... 

Saio na Primavera e vejo vida, renovação, criação, cor... Alguma razão teriam os romanos ao iniciar o ano em Março... Avisam-me de que só posso permanecer 3 meses, porque, logo depois, o comboio segue para o Verão. Percebi que a Primavera só é possível graças ao Inverno... Como a bonança depois da tempestade... 

No Verão, é o calor, a loucura, a mania da natureza... Mergulha-se na vida em pleno na esperança de encontrar a plenitude na vida...

Se os ciclos da Natureza se traduzissem em ciclos internos nas nossas vidas, para mim, a Primavera seria a Esperança, o Verão a Bonança, o Outono o Balanço e a Reflexão e o Inverno a Depressão. Estações que passam por nós e em nós, que nos diluimos no universo da vida.

O que acontecerá se o Verão deixar de ser Verão e o Inverno deixar de ser Inverno? 
O que acontecerá se a bonança e a depressão se manifestarem esporadicamente, sem sentido, pelas nossas vidas? E se a esperança desaparecer? E o espaço para reflectir? 

Chove, faz sol, desaparece o sol, chove. Ainda dizem que está tudo louco!

Se calhar...

quinta-feira, 3 de julho de 2014


Quarta-feira, 2 de Julho de 2014


No âmbito do projeto "Djunto no ta prendi fazi", apoiado pelo Programa Cidadania Ativa da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Girassol Solidário apresenta, no espaço ArtCasa, a Exposição "A 11ª Ilha de Cabo Verde".

Este projeto visa capacitar os doentes caboverdianos que estão em Lisboa a fazer tratamentos que não são contemplados ainda em Cabo Verde e que são também voluntários da associação. Tem três valências, como o artigo do jornal cabo-verdiano "A Semana" especifica:

- Formação para a Saúde, ministrada pela Saúde em Português (a qual eu frequentei) para que os voluntários, que são eles próprios doentes evacuados, conheçam melhor as suas doenças e as dos conterrâneos que vão ajudar;

- Intervenção no terreno, para que estes voluntários conheçam todo o percurso e o trabalho dos técnicos no apoio aos doentes evacuados desde que chegam a Portugal e eles próprios intervenham activamente no processo;

- Expressão para a Cidadania, com a formadora Cindy Baptista, onde a expressão artística é facilitadora de processos de auto-conhecimento, reconhecimento e partilha de vivências, emoções e sonhos destes interlocutores, cujos trabalhos constam desta exposição.

A Cindy foi minha colega de pós-graduação, minha companheira na aventura de Cabo Verde e está empenhada, assim como eu, em continuar o caminho que não nos foi possível construir nesse país, o seu de origem. Cidadã do mundo e pintora de sonhos, sabe que as fronteiras são estabelecidas pelo homem, mas que entre almas não existem. As suas e as da sua Maçaroca traduzem-se em pontes que unem o que de mais bonito se faz entre os países que vão morando no seu coração e onde ela vai habitando criativamente. CriAtivamente.

Até 5 de Julho!



referências à terra (enxada) e à música (cavaquinho)


Os trabalhos são todos fantásticos mas seleccionei os dois que identifiquei com a minha CurAção:

Artista: Thierry Chaile
Ilha: São Vicente
Em tratamento desde: Abril 2014
Nome: Amor


Artista: Gonçalo Lima
Ilha: Santo Antão
Tratamento desde: Abril 2013
Nome: Conecta


Um pormenor do trabalho feito com o barro, onde os artistas projectaram as suas vivências

domingo, 29 de junho de 2014


Há sonhos que se adiam para não se realizarem adiantados.

Este fim-de-semana frequentei este workshop, ministrado pela dança terapeuta Jeanette MacDonald, pioneira deste método na Europa. Agradeço, desde já, à Psinove ter-nos proporcionado a oportunidade de aceder à experiência, ao conhecimento e à generosidade desta profissional, bem como às vivências que pudemos experimentar na primeira pessoa durante estes dois dias. 

Que a dança é terapêutica e pode constituir uma ferramenta no caminho da cura já todos vocês sabem que é uma das premissas CurAção, porque já o mencionei e testemunhei várias vezes. Que o movimento constitui um mediador importante em contextos educativos, clínicos, comunitários, etc. e um facilitador de processos de aprendizagem, desenvolvimento pessoal e cura num sentido mais abrangente, também já constituía uma verdade para mim, não só porque já consta na literatura, porque o estudei ou o comprovei no terreno mas porque o vivencio todos os dias, comigo e com os grupos com que trabalho. 

Mas preciso de sistematizar e arrumar muitas das coisas que fui recolhendo e aprender muitas mais para poder um dia utilizar a dança como ferramenta psicoterapêutica, nomeadamente realizar o mestrado em Dança Movimento Terapia.

Também é verdade que uma das minhas bandeiras é a da Psicossomática, porque todos somos psicossomáticos. Qual não foi a minha surpresa quando a Jeanette começa a formação com a seguinte premissa:

We are not only psychosomatic but also somatopsychic. 
It's a circular process.*

Soma e psique acontecem em simultâneo, não há como dissociar as duas dimensões. 

BODY DOESN'T FORGET.*

Com a dança terapia pretende-se aumentar o repertório de movimento (que constitui um reflexo de um "movimento" interior), potenciando assim a mudança para novos padrões (motion + emotion), envolvendo todos os sentidos no processo. 

There's dance in everyBODY.*

Dancing is only walking with attitude.*

Foi um fim-de-semana intenso, essencialmente vivencial, onde foram tocados processos individuais, relacionais e de grupo, para que pudéssemos sentir a essência desta abordagem. 

A Jeanette tem 40 anos de experiência, humildade, amor e um respeito enorme pelo próximo. Uma inspiração. 

E agora com o bichinho completamente acordado, espero que o mestrado chegue a Portugal ou vou até Barcelona fazê-lo, mas... 6000 eur é muita ginástica para os meus baby steps (só renasci há um ano!). Andando com atitude e o resto... virá!

Há sonhos que se precipitam para não chegarem atrasados.

*conteúdos da formação


(foto Psinove)



(foto Psinove)


Sábado, 28 de Junho de 2014

Estou no workshop de Dança Movimento Terapia. Amanhã a reportagem, hoje o feeling:


All You Need Is Love - Beatles

Love, love, love
Love, love, love
Love, love, love

There's nothing you can do that can't be done
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say
But you can learn how the play the game
It's easy

There's nothing you can make that can't be made
No one you can save that can't be saved
Nothing you can do
But you can learn how to be you in time
It's easy

All you need is love
All you need is love
All you need is love, love
Love is all you need


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