sexta-feira, 6 de junho de 2014


 A Sara (Shara) não é nova por aqui, porque é minha parceira no projecto Boomerang: http://curacaoemconstrucao.blogspot.pt/search/label/project%20boomerang

Já falei nela algumas vezes, mas hoje tenho de reforçar a inspiração que ela foi e continua a ser para mim. Não querendo revelar muito, vivemos juntas em Cabo Verde, no ano da sua Curação relativamente à perda da mãe para o cancro, exactamente no ano em que o meu cancro se estava a sedimentar sem que eu o soubesse. Ela como filha, eu como protagonista da doença, mas este ano, o da minha Curação, consigo entendê-la melhor no seu processo de luto e reconstrução, sem o seu maior pilar.

Admiro a Sara porque, com maiores ou menores dificuldades, com ou sem emprego, com ou sem remuneração, ela representa a resiliência, a criatividade, o potencial inesgotável que trazemos em nós, um talento fora de série e a contínua busca por superação. Ela é ação, cura e coração.

Investigação, Dança, Música, Multimedia - Fotografia e Vídeo, Design, Desporto, Ensino, Eventos... Sara Stranovsky, meia americana meia europeia, é criativa e o resto é só meio que ela escolhe para comunicar. A dançar, a cantar, a compor, a fotografar, a filmar... tem um sentido estético que reflecte a sua (est)ética interior e que a faz não querer ser menos do que aquilo que pode ser.

O site



O canal no You Tube



O seu novo projeto fotográfico:




Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Entrámos este mês no último trimestre Curação-em-Construção... Porque uma cura se constrói diariamente e agoramente. A cura de que falo é, antes de mais nada, uma cura subjectiva ou a experiência subjectiva da cura, ou seja, a forma como cada pessoa sente e percepciona a sua cura. Quero com isto dizer que não estou a falar da cura clínica efectiva, atestada pelos médicos, muito embora eu acredite que as duas estão ligadas. Ou seja, mesmo que a doença esteja "activa", mesmo que a doença esteja em remissão mas considerada latente, mesmo que faltem x anos sem recidivas para os médicos arriscarem falar de cura, mesmo que a classe médica já tenha dado alta e despedido o doente dessa função, eu acredito que a cura se constrói a partir do momento em que cada pessoa o decide fazer e, sobretudo, a sente. E arrisco dizer que é para sempre, porque cura também representa crescimento, cura também representa amor, cura também representa um melhor relacionamento consigo mesmo e com o seu corpo e não há crescimento, amor ou relacionamento que deva ser dado como ADQUIRIDO. Tudo se alimenta, tudo se transforma, tudo se constrói. Também uma cura. Também uma vida. Também uma pessoa.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

Há um ano atrás, estava eu bem mais debilitada e condicionada na minha vida, a fazer o último cíclo de quimioterapia, e, mesmo assim, achava de certa forma exagerado que me fosse atribuído um atestado de 60% de incapacidade durante 5 anos. Andava coxa mas não era deficiente (não que houvesse problema se fosse, mas não era). Hoje, bastante mais forte fisicamente, vejo a coisa de forma completamente diferente.

Trabalho na área da inclusão, com pessoas com deficiência, há 6 anos e vejo-me dia após dia a viver na primeira pessoa a experiência da necessidade de integração e inclusão na vida activa. Cada vez embirro mais com esta expressão que teimo em utilizar - vida activa - como se a minha vida fosse passiva fora dos trâmites sócio-profissionais que todos conhecemos... Não sei se a experiência é diferente para quem fica desempregado, tem um acidente, perde todos os bens que tinha, perde familiares ou sofre outra catástrofe qualquer, mas a verdade é que, apesar de continuar a ser eu, reencontro-me de outra forma, noutro sítio, com uma vida imposta pela realidade do pós-cancro-com-muita-quimioterapia-nas-veias-e-muitos-neurónios-a-menos.

As dificuldades continuam um ano depois, os efeitos secundários ainda se fazem sentir, sejam eles físicos ou emocionais, e o rescaldo é mais deprimente do que o incêndio em si: sem fogo e sem nada do que um dia foi (com muitas outras coisas porém, mas diferentes).

Por todas estas razões, faz-me todo o sentido que, numa sociedade inclusiva, haja benefícios que facilitem a reintegração dos doentes oncológicos a todos os níveis, afectivo, familiar, social e profissional. Há um ano atrás eu dizia que não estava diferente, estava apenas pior, no sentido em que toda a experiência me tinha feito renovar todos os meus votos com a vida, com todas as minhas convicções. Hoje digo que, sim, há diferenças... e há diferenças que me fazem ir devagar, respeitar o processo e aceitar que um ano é o tempo que é para a experiência que foi, nem mais nem menos. Sem nunca parar o caminho porque o caminho não se faz parar.

Obrigada por me permitirem passar à frente no banco, no Centro de Emprego, na Segurança Social, no Registo Civil... Com tanto desafio em tão pouco tempo, é mais organizador para o meu cérebro que assim seja, porque tempo já perdi muito em salas de espera e hibernamentos. Coisas estranhas que nós, ocidentais, perdemos: tempo! Alguém que nos ensine que o tempo não se perde, mas encontra-se... e encontra-nos...



Terça-feira, 3 de Junho de 2014

Fazendo um ponto da situação do mês de Maio... Mudei de casa, fiz anos, fui à consulta do IPO, o cérebro pregou-me muitas partidas e fiz muitas asneiras, trabalhei muito, dancei mais, discuti, chorei e, no meio disto tudo, passei por alguns amok's... garganta, gânglios do pescoço, voz, omoplata, enjôos. vómitos, suores... E já passou. Passou o Maio e já estamos em Junho. A garganta e a voz continuam reactivas mas o vento amainou. A Rita desacelerou. E vamos em velocidade de cruzeiro, a velocidade que me permite funcionar com melhor capacidade de adaptação e adequação às circunstâncias... Devagar se vai ao longe... E é para o longe que queremos ir!

Domingo, 1 de Junho de 2014

E foi fantástica a energia que se gerou pela reunião de tantas pessoas por uma causa! Fiquem com o feeling...


O flash mob juntou pessoas que não se conheciam e que não têm prática de dança por uma causa, a do cancro infanto-juvenil. Pessoalmente, adorei a moldura da Câmara Municipal de Cascais!




O início do flash mob pelos alunos Arte Move.

Um pé de dança na Baía de Cascais

Diferentes gerações unidas e divertidas por uma causa e num dia dedicado, não só à criança, mas também à família!


Uma visita muito especial destas meninas da família da Madalena, paciente do IPO, gira e bem disposta, que gostou muito do flash mob. É pelas Madalenas que isto tudo faz sentido!

Já nos conhecemos há tantos anos, mas foi o cancro que nos aproximou mais. Colega, parceira e amiga, Marisa Silva, mãe de 4, empresária, professora, bailarina, mulher e dona de casa... e linda e maravilhosa para o que der e vier! Uma inspiração!

A Marisa e a minha mãe

Com tia e mãe, manas sempre lindas e de coração aberto

A Marisa Silva da Arte Move, o João Vilaverde da Cascais On, parceira na divulgação deste evento, e eu, em representação da Associação Princesa Leonor - Aceita e Sorri.

Com a Rita, a minha BFF, que veio de Aveiro com várias mãozinhas de esperança




quarta-feira, 4 de junho de 2014


Sábado, 31 de Maio de 2014



Dentro da Psicologia, sempre quis trabalhar na área da Psicossomática e esse desejo parte inevitavelmente da minha vivência. Tudo o que vivo emocionalmente tem repercussão directa no corpo, pelo que não consigo conceber a ideia de uma emoção sem uma manifestação física correspondente ou uma manifestação física sem um correspondente psicológico. Não se trata de causalidade, trata-se de processos que concorrem e que atestam que todos somos psicossomáticos, todos somos SOMA (corpo) e todos somos PSIQUE. 

Área multidisciplinar que reúne medicina, psiquiatria, psicanálise e psicologia, bem como outras áreas do estudo do pensamento e do homem, como a filosofia, a literatura, o jornalismo e a sociologia... Reúnem-se pessoas para falar de pessoas e de várias perspectivas de ver a vida, a morte, a doença e a saúde.

Muito embora tenha identificado, nas revisões bibliográficas apresentadas, uma ausência na referência a autores ligados às psicoterapias corporais, acredito que estamos no bom caminho para uma integração dos conhecimentos originários de várias ciências, sendo que, como disse o Prof. Coimbra de Matos: 

"só a dúvida e o pensamento divergente fazem ciência".

Minha colega e amiga, Sofia Câmara, e a sua mãe e pediatra do IPO, Dra. Maria José Ribeiro.

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