terça-feira, 22 de abril de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
E começo hoje aqui um novo bloco, onde vou destacar pensamentos e afirmações que escrevi durante o meu processo de doença, recuperação e cura, de forma a que também possam ser partilhados nas redes sociais por quem entender e assim o sentir.
A apresentação é da minha autoria, mas estou aberta a sugestões e parcerias, até porque, para mim, se trata apenas de mais um exercício criativo, porque não tenho qualquer formação em desenho, design gráfico ou fotografia. Gosto, no entanto, de brincar e criar.
E em dia de celebração da Ressureição... No Wikipédia, Ressurreição (em latim: resurrectio, em grego: anastasis) significa literalmente "levantar; erguer". E este pensamento é para todas as pessoas que enfrentam novos começos nas suas vidas.
Frase: 28 de Maio de 2013 (entre o 4º e o 5º ciclos de quimioterapia)
Pintura: 20 de Abril de 2014 (hoje, num contexto familiar e de celebração da Páscoa)
Esábado, 19 de abril de 2014
Bom, quando temos um cabelo novo, temos de o conhecer, construir todo um relacionamento com ele, perceber as suas manias, os seus defeitos e as suas potencialidades, se queremos chegar a um entendimento. Ainda mais quando a uma mutação genética chamada cancro se segue toda uma mudança capilar. Que cabelo é este, como é que isto se penteia? A situação fica mais desafiante quando não queremos cortar, porque, sem corte nenhum, temos de usar outros artifícios para criar penteados interessantes.
1.
1.1. É assim que está o meu cabelo, uma fotografia comparável a algumas da minha mãe nos anos 80. Demodé portanto. Não é necessário pentear. O penteado está sempre feito mas podia pertencer a uma senhora septuagenária e reformada, acabada de tirar os seus rolos e de fazer a sua mise. Not me.
1.2. É este o meu look-tipo actual. Utilizo ganchos para fazer um apanhado, tirar o cabelo do pescoço e juntar os caracóis todos lá em cima, o que já me valeu a alcunha de "ovelhinha". Também uso fitas ou bandoletes para manter o cabelo "baixo". Imprescindível a espuma ou gel para definir os caracóis. Também vale usar lenços ou turbantes.
Tirei estas fotos pela ordem inversa, a segunda durante o dia e depois a primeira, antes de me deitar.
2. Tirando a primeira fotografia que tem uns anos, todas as outras são de 2012, em Cabo Verde. A número 5 foi tirada em Maio de 2012, no meu aniversário, e a número 2 foi tirada no mês em que adoeci, Novembro de 2012, por isso foi assim que entrei no IPO, antes da quimioterapia. Como podem ver o meu cabelo mudou e hoje está diferente: cor, forma, textura. Sempre tive alguma ondulação que variava com o clima e o temperamento, mas não era de raíz. Nunca tive caracóis cerrados. Sempre tive o cabelo castanho claro, mais escuro no inverno e mais claro no verão, mas nunca tão escuro. Dizem que, depois dos tratamentos, o cabelo fica mais frisado e que depois vai voltando ao normal. Veremos. Na verdade entre cabelo liso e caracóis, prefiro a segunda opção; divirto-me mais e tem mais a ver com a minha personalidade.
3. Esta sequência diz respeito à evolução do meu cabelo novo. A primeira foto foi tirada na minha primeira saída durante os tratamentos, em Fevereiro de 2013. A partir daí, são fotos da recuperação (acho que não precisam de me ver com o ar doente, mas também tenho comigo algumas fotos dessas com cara de bolacha e, do meu ponto de vista, bastante deformada). A fotografia do meio é a mais recente deste grupo, de Dezembro de 2013. Como podem ver, o cabelo começou a crescer clarinho, no Verão, para depois ficar castanho escuro. A fotografia número 5, a do canto inferior esquerdo, foi tirada em Agosto de 2013, mês em que o cabelo despontou, dois meses depois da última quimioterapia.
4. Estas fotografias têm algumas semanas. Uma vez que o cabelo ainda cresce para cima e para os lados, tenho de usar fitas, preferencialmente postas ainda com o cabelo molhado e depois da espuma modeladora, para baixar o volume, combinando com brincos para um look-girly. (Eu prefiro não usar secador e deixar o cabelo secar "ao ar livre"; já usei secador, mas depois da fita colocada. Acontece-me muitas vezes lavar a cabeça à noite e, de manhã, pôr a espuma para moldar o cabelo seco e fazer o penteado.)
Não se assustem com o que vem a seguir...
5. Esta sequência foi feita hoje, 19 de Abril de 2014. E daqui voltamos para as duas primeiras fotografias deste post e à necessidade de encontrar soluções que não sejam a tesoura quando queremos voltar a ter o cabelo comprido. Utilizei a placa alisadora mas a verdade é que antigamente alisava o cabelo em três tempos, mas este agora é muito mais grosso, crespo, frisado e difícil de esticar. Percebi que já consigo fazer totós (ena!) e que posso recriar looks à la Dragon Ball com facilidade! (E que utilidade tem isso?, perguntam vocês...) É verdade que há dias em que queremos ter a nossa vida e o nosso cabelo de volta, mas há que manter a boa disposição e o espírito leve durante o processo.
Se é de loucos, sê louca!
(E, sem loucura, isto tudo não se aguentaria, acreditem...)
(E, sem loucura, isto tudo não se aguentaria, acreditem...)
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Aqui está o que escrevi...
http://curacaoemconstrucao.blogspot.pt/2014/03/resumo-alargado.html
Aqui deixo algumas partes do artigo da Carla Novo, mas podem ler na íntegra na Happy deste mês, já quase a sair das bancas. Go go go! :)
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
Ontem, no debate sobre a depressão sob uma perspectiva neuroinflamatória, dizia-se que a resposta do sistema imunitário a uma agressão - seja ela qual for - era adaptativa, com vista à sobrevivência. Será que actualmente essa resposta ancestral faz sentido? É adaptativa, leva à sobrevivência ou à morte? Eu continuo a acreditar que é adaptativa. Neste vídeo percebemos como experiências física ou emocionalmente fatais mudaram o rumo da vida destas pessoas e ajudaram-nas a descobrir novos caminhos. Até que ponto é que não estamos a precisar das mudanças que essas "inflamações" provocam em nós? Até que ponto é que, no caso de doença física, essa resposta inflamatória não vem provocar mudanças, em todas as dimensões do indivíduo, que o próprio indivíduo estava a precisar para sobreviver/viver melhor? Mas é ou não adaptativa dependendo da leitura que é feita e da experiência subjectiva de cada um. Se eu não lhe atribuir um sentido positivo, adapto-me à doença, ao padrão, à vitimização e não me adapto ao nível da sobrevivência, ou se calhar adapto-me ao nível da sobrevivência, mas não da vivência propriamente dita. A sobreviver já andamos tantas vezes...
Terça-feira, 15 de Abril de 2014
Hoje fui a um debate promovido pela Sociedade Portuguesa de Psicossomática sobre a relação entre a depressão e a doença física, mais frequente nas doenças crónicas, parte da apresentação realizada pela Psiquiatra Prof. Doutora Sílvia Ouakinin.
Existem já vários estudos que associam a quadros depressivos uma resposta inflamatória, assim como a uma resposta prolongada do sistema imunitário pode seguir-se uma depressão. Assim, perante uma agressão externa o sistema imunitário reage com uma inflamação; um quadro depressivo pode preceder ou seguir-se a um quadro inflamatório, sendo que a presença de depressão na doença física ou a presença de manifestação física na depressão não são obrigatórias e dependem da vulnerabilidade de cada um, de um conjunto de factores que predispõem ou não o indivíduo para que tal aconteça, histórias de vida, eventos, traços de personalidade, redes de apoio, etc. Segundo alguns autores, essa agressão que provoca uma activação do sistema imunitário pode ser de carácter psicossocial.
Alguns participantes levantaram a questão do reducionismo da depressão e da doença mental a mecanismos biológicos, se aceitarmos a depressão como uma resposta inflamatória a uma agressão, deixando de lado o aspecto existencial, vivencial e sentido da doença, ou seja, esquecendo o indivíduo como um todo, em que o seu sentir é muito particular.
Bom, não dei o meu parecer e testemunho, mas dou agora. Acredito que a atribuição de significado por parte da pessoa que experiencia a doença, seja ela física ou mental (o corpo é o mesmo) é o mais importante, mas o entendimento dos mecanismos biológicos inerentes ao processo mental - ou seja, identificar processos biológicos e cognitivos que acontecem em simultâneo - é fundamental até para podermos reverter o processo. Para mim, começar no físico ou no psicológico, o importante é agir e agarrar numa das pontas para quebrar a circularidade/o padrão. Mas depois é necessário um entendimento global num indivíduo particular.
Eu entendi a manifestação do meu cancro como resposta física a uma agressão psicológica (um evento que teve esse impacto em mim. o importante não são os eventos, mas a forma como os sentimos). Por isso, para mim, é importante entender como mecanismos cognitivos têm tradução somática e vive-versa, mas o mais importante no meu caso é que eu lhe atribuí esse significado e que toda a experiência subjectiva, tanto do evento "agressivo" como da própria doença, foram determinantes no desenrolar do processo: de ficar doente, de estar doente e de recuperar o estado saudável!










