terça-feira, 8 de abril de 2014

Domingo, 6 de Abril de 2014

Perder a batalha contra o cancro...

Ganhar e perder, é assim que põem as coisas. Nestes termos. Já não se pode morrer em paz. Quem morre em paz não pode ter perdido nada; quando muito, seguido caminho. 

Não sou seguidora, não vi as entrevistas nem li o livro, mas respeito o caminho. Um bem-haja, Manuel Forjaz. It's like trying to catch a falling star...

Sábado, 5 de Abril de 2014



A história do cancro contada por Siddhartha Mukherjee, médico, oncologista e investigador.

Transcrevo uma parte em que o cancro é interpretado à luz do inconsciente colectivo de uma sociedade que projecta os seus medos e os exterioriza inversamente numa linguagem somática. Escolhi esta parte porque, quanto mais desconstruo o bicho, mais me convenço de que o verdadeiro perigo reside nas características que lhe atribuímos e nas coisas nossas que projectamos nele - cancro, mais do que na mutação genética por si só. Tendo o cancro como implosivo e mortal, temos as células cancerosas num conflito entre o querer matar e o querer morrer e temos a vida por um fio.

Vou voltar a este livro e a explicar por que insisto tanto em relativizar o cancro. Não procuro a razão, procuro a perspectiva, para que não se tomem as coisas como absolutas. A ciência não tem como base ser absoluta, muito pelo contrário. E a minha perspectiva é a psicológica por paixão e formação. E aqui fica o excerto: 

"Quando uma doença se insinua de forma tão marcante na imaginação das gentes de toda uma era, muitas vezes tal ocorre porque essa doença exacerba um medo já latente nas mentes dessas pessoas. A sida tomou as proporções que tomou no imaginário das pessoas porque se tratava de uma geração inerentemente assombrada pela sexualidade e pela liberdade de que gozava. A Síndrome Respiratória Aguada (Pneumonia Atípica) desencadeou uma onda de pânico por causa da possibilidade de uma pandemia à escala global, numa altura em que a globalização e o intercâmbio social eram temas que preocupavam os ocidentais. Todas as eras moldam as doenças à sua imagem. A sociedade estabelece a correspondência entre os seus males clínicos e as suas crises psicológicas, como se fosse o protótipo do paciente psicossomático. Muitas vezes uma doença toca-nos numa "corda visceral" porque já temos essa corda a vibrar.

Foi o que se passou com o cancro. Nas palavras da escritora e filósofa Renata Salecl, "deu-se uma mudança radical na percepção do objecto do horror" na década de 1970, uma passagem daquilo que era externo para o que era interno. Na década de 1950, em plena Guerra Fria, o que atormentava os americanos era o medo da aniquilação por parte de elementos externos: as bombas e os mísseis nucleares, o possível envenenamento dos reservatórios de água, os exércitos comunistas e supostos invasores vindos do espaço. Consideravam que a ameaça à sociedade vinha do exterior. Os filmes de terror - os termómetros da ansiedade da cultura popular - apresentavam invasões alienígenas, a ocupação do cérebro por parasitas e corpos possuídos. (...)

Mas, no início da década de 1970, o foco da ansiedade - o "objecto do horror", como Salecl o descreveu - mudou, dramaticamente, do exterior para o interior. A podridão, o horror - a putrefacção biológica e a correspondente deterioração espiritual - tinham retornado ao interior do corpus da sociedade e, por extensão, ao interior do corpo humano. A sociedade americana ainda se sentia ameaçada, mas, desta vez, a ameaça vinha de dentro. Os títulos dos filmes de terror reflectiam esta mudança. Eram títulos como "O Exorcista" ou "They Came From Within".

O cancro era o supremo horror interno, a máxima expressão do inimigo nas entranhas das pessoas, uma célula salteadora que se gerava do corpo da própria vítima e o ocupava por dentro, um alienígena interno. Um colunista escreveu que a "Grande Bomba" tinha sido substituída pelo "Grande C": 

"(...) A morte já não vem sob a forma de um grande rebentamento, mas sob a forma de um tumor (...) O cancro é a obsessão das pessoas que sentem que a catástrofe pode não ser um instrumento de ordem pública com determinado objectivo, mas uma questão de descuido aleatório e acidental."

sexta-feira, 4 de abril de 2014


Mais um anjo que passou pela Terra e voltou para o céu... Não porque são palavras bonitas mas porque acredito. Conheci o Victor - o primeiro da fotografia - por intermédio do Horácio, o primeiro da direita, que esteve internado juntamente comigo no IPO. Só conheci o Víctor com este ar, já saudável, depois de ter  passado por muito. Aguardava no entanto o transplante de medula para continuar a dar conta da leucemia. Não sei pormenores. Sei que foi. Guardo os seus olhos mais do que as suas palavras, aquelas que sei que me disse mas que não consigo reproduzir porque o que me ficou foi o testemunho de um homem de 26 anos a quem já não podiam chamar de menino depois de tudo o que passou. 

Não esperem pela cura. Sejam a cura. 


Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Quando decidi fazer o blog, pensei em três objectivos:

- encontrar um compromisso comigo mesma que me ajudasse a manter focada na cura e naquilo que é importante para me manter no caminho, pelo que fazê-lo publicamente seria uma forma mais fácil de não falhar;

- criar um espaço onde outras pessoas pudessem aceder à minha experiência porque para mim, quando estava doente, ajudou-me e foi importante aceder à experiência de outras pessoas;

- criar um projecto alinhado com o meu sentido de missão, em que o blog seria o ponto de partida para a construção do mesmo.

Não dinamizo muito a página do facebook e sei que chegarei a mais pessoas se o fizer, mas gosto deste espaço, porque o sinto mais íntimo. Igualmente público, sinto que só vem cá quem realmente quer. Se duas ou três pessoas já se sentiram ajudadas depois de me lerem - uma que fosse, mas já tive alguns feedbacks neste sentido - já me sinto realizada. É a magia da vida em acção, o poder de tocarmos uns nos outros com uma palavra, um gesto ou por simplesmente existirmos.  


Quarta-feira, 3 de Abril de 2014

Porque hoje foi dia de festa numa casa da qual eu faço parte e que faz parte do Curação em Construção. A Artemove completa 3 aninhos e, como família que é, juntou alunos, pais e familiares, professores e equipa, num convívio, animado pelo show informal protagonizado pelos alunos de dança, os quais fizeram e apresentaram as suas próprias coreografias, dos miúdos aos graúdos. O Curação esteve na organização e posso dizer que foi uma noite muito especial, onde os afectos reinaram a par com a criatividade, a inspiração e o talento. Quem quer dançar?









quarta-feira, 2 de abril de 2014

Terça-feira, 1 de Abril de 2014

Há a omissão, o fingimento e a mentira. A omissão protege, mas impede. O fingimento disfarça, mas promete. A mentira é cobardia em pele de coragem. Não há coragem sem verdade, não há amor sem verdade, não há liberdade sem verdade. Mas todos temos medo. No Carnaval, ninguém leva a mal, no dia das Mentiras, é obrigatório. Precisamos de nos libertar da culpa e da repressão em dias certos, porque, no resto do ano, sabemos que vamos disfarçar-nos tantas malfadadas e não assumidas vezes. Tivera eu o condão e toda eu seria sempre verdade. Ou então não. Tivera eu o condão e só me dirias a verdade. Mas é melhor não. Tivera eu o condão e seria fada, não real. De mentira, portanto.

Segunda-Feira, 31 de Março de 2014


Há o dia da Mulher e o dia da Mulher Cabo-verdiana. Não façamos confusão. O dia da Mulher Cabo-verdiana foi na passada 5a feira, 27 de Março, e recordo aqui este momento, de um workshop que dinamizei na cidade da Praia, mais exactamente na Achada de São Filipe, em 2012. Mulheres. Cabo-verdianas. E eu. Coração. Força. Esperança. Mal sabia eu que estava a recolher inspiração para o que mais tarde me esperava. Grata por ter trazido um pouco de sangue caboverdiano na alma para enfrentar a vida, com e sem medo, sozinha e acompanhada, com armas e desarmada.

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