sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Hoje não se anda. Corre-se. Não se saboreia. Engole-se. Não
se vê. Olha-se. Não se procura. Não é preciso. Defendo a vida pelos sentidos, mas hoje venho falar do excesso de estímulos. Somos sensorialmente bombardeados
e a máquina que aguente! É a estimulação inconsciente, a estimulação desligada
que me preocupa. Ocupa-nos tanto espaço que corremos o risco de perder o
essencial em prol do acessório. A multi-estimulação é barulhenta e não nos
permite de facto sentir nada em concreto de tão abstracta, mas é na abstracção
que penso estar a resposta. Quando tento dessensibilizar-me, encontro-me com os
meus pensamentos e sentimentos e encontro tão somente um espelho de tudo o que
vivo quando me afasto deles: correria, inquietação, ritmo, barulho. Não digo
que desgoste da vida agitada – gosto da vida a palpitar - mas digo que o nosso
mundo interior reflecte o exterior e vice-versa. Ontem peguei num livro antes
de dormir e pensei “Que silêncio!” Por que é que sinto um livro como silêncio e
o computador como barulho? Que estímulos vos evocam a paz e que estímulos vos
evocam o ruído?
Creio que o estímulo que conduz à paz é aquele que permite
contemplação. E a contemplação requer tempo. E a contemplação requer espaço. E
a contemplação requer amor. Tão pouco é necessário assim tanto tempo ou assim
tanto espaço ou um amor devoto. 5 minutos para dar e receber. Espaço interior. E amor-próprio. E a vida não
nos escapa. Acontece.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Bom, a vida acordou! Acordámos uma para a outra... E connosco regressam as várias ritas... A Rita que de manhã dá aulas de Pilates, de tarde é secretária, à noite dá uns passos de dança - ora de hip hop, ora de clássico, ora de jazz, ora ora... - de madrugada ainda faz relatórios como formadora, nos intervalos ainda faz telefonemas como psicóloga e termina o dia como blogger/escritora. Qual barbie qual quê!
domingo, 26 de janeiro de 2014
Se formos bem a ver, ensinam-nos a viver por partes. O tempo é dividido por anos, dias, horas e minutos e o espaço é dividido por estradas, muros e paredes. Desde o início nos ensinam a viver por partes e em partes. São partes que existem dentro de partes maiores. Ainda assim o tempo é contínuo, ainda assim o ar é para todos. Em alturas difíceis, ir por partes dá muito jeito. Organiza-nos. Como armários. E gavetas. Um passo. E depois o outro. Primeiro a saúde, depois o trabalho. Primeiro um dia. Depois o outro. Primeiro gatinhar. Depois andar. Um dia correr. Um dia parar. Até a música se divide em tempos e o corpo é analisado por partes e especialistas diferentes, consoante nos doa o pé ou o coração. Até eu tenho várias partes. Habituei-me a funcionar com várias partes em simultâneo - dizem que as mulheres têm mais facilidade em fazer várias coisas ao mesmo tempo - e a dividir-me e/ou multiplicar-me porque não gosto apenas de uma coisa nem uma coisa apenas me serve. Veste, despe, tira, põe, troca, entra, sai. O contra-senso de nos dividirmos tanto é o risco de ir perdendo partes por aí e sobretudo de perder o todo que somos nós e que pouco tem a ver com a soma das partes. Não há operação aritmética que resolva isto. Na esquizofrenia da vida, quando se perde todas as partes - aí sim - está-se ainda mais perto de reencontrar o todo. Despe-te. Talvez te encontres.








