sexta-feira, 17 de janeiro de 2014




Os amigos são assim como bruxinhas boas que nos antevêem um futuro risonho. Este foi o post da Ana no dia 31 de Dezembro de 2012, depois do primeiro ciclo de quimioterapia, que me deixou no limbo. No mesmo dia, um ano depois, estava a linfobabe Dani na corda bamba, na fronteira das grandes decisões - ir ou ficar - mas a profecia que se confirmou para mim, confirma-se para ela também, que sai hoje do isolamento do IPO, de volta à vida que escolheu. Hoje celebramos porque sabemos o valor que temos, o valor que têm as pessoas que nos rodeiam e o valor que têm os créditos de vida que recuperámos.

E até a Lua se encheu de sonhos e esperanças. E até Lisboa se cobriu de branco. E até quem sabe um dia, não hoje, mas eventualmente, nos possamos sorrir disto tudo...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014


Como a vida é dualidade para lá da unidade, vou falar de tristeza e de estar triste. Podia falar de estar zangado, furioso, magoado, incomodado, mas vou falar de estar triste porque a tristeza se esconde atrás de várias máscaras, até de muitos sorrisos. A tristeza é uma óptima companhia, deixa-nos chorar, dá-nos colo e abraça-nos para não irmos a lado nenhum. Se não fosse a tristeza, como seria a solidariedade? E a amizade? A tristeza visita-nos e chateia-nos muito se não a deixamos entrar. Não vem sozinha. Traz vários amigos que nos ajudam a expressá-la: lágrimas, palavras, gritos, silêncio... Sim, o silêncio ajuda-nos a ouvir a tristeza... E o sorriso. A tristeza traz-nos o sorriso para que não fiquemos sós quando se vai embora. 

Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

Hoje saí da "Padaria Portuguesa" a sorrir e do restaurante vegetariano "Jardim das Cerejas" com um sorriso rasgado na cara que só desfiz quando me apercebi de que estava a rir sozinha no meio da rua. Com isto percebi que, na balança das pessoas que me rodeia ou de que me faço rodear, quero aumentar o lado das pessoas que me fazem sorrir, sejam elas muito íntimas ou perfeitas desconhecidas.Tão simples quanto isso. Para que 2014 me sorria, vou sorrir a 2014. E é tão barato sorrir que não acredito na desculpa da crise para não o fazer.

domingo, 12 de janeiro de 2014


Um cancro não passa pela vida de uma pessoa sem varrer tudo o que lhe aparece à frente, se fizer jus à fama que tem de devastador e engolidor de vidas das pessoas como elas as conheciam até então. Há bichos-papões que se materializam e papam papam tudo, ainda mais se não ousarmos deixá-los famintos. E mais do que o cancro em si, a quimioterapia é um bicho-papa-tudo, o alegado mau e o sempre bom. E assim, com a inibição do crescimento celular, traz com ela a menopausa, engolidos ovúlos, estrogénios, progesteronas ou qualquer potencial de criação ainda vigente. Ainda acredito ser um verdadeiro milagre a forma como o corpo sobrevive a tratamentos tão destrutivos e como o corpo nos perdoa pelo mal que lhe fazemos acreditando num bem maior.

Com a menopausa induzida pelos tratamentos, vêm todos os sintomas de que ouvimos falar e que, no meu caso com 32 anos, tinha guardados a umas décadas de distância. Fertilidade, sexualidade, intimidade, hormonalidade e emocionalidade... Tudo em causa fora da idade! 9 meses a debater-me com valores de sobrevivência que se levantaram e que me fizeram sentir assexuada, sem género ou categoria, remetida para uma fase embrionária de não-menino, não-menina e apenas pessoa ou projecto de pessoa.

9 meses depois do primeiro tratamento e 4 meses depois do último, nasce o bebé menstruação-de-volta, como se de uma porta se tratasse, de um quarto escondido e encerrado a 7 chaves, redescoberto e reaberto. Abre-se a porta e regressam todos os sonhos. Abre-se a porta e espreitam os medos. Abre-se a porta e saiam da frente que atrás vem tudo da gente! Hormonas a circular, trânsito de emoções engarrafadas, altos e baixos, pára-arranca's, nada certo a não ser a vida de volta, mas com força, porque isto não acontece por simpatia.

E 9 meses depois, os ciclos estão mais curtos, os períodos maiores e... aguenta coração! Se o corpo não é mágico, o que é? A esta velocidade, 2014 vai querer recuperar o tempo congelado de 2013 traduzindo-se em mais ciclos do que era suposto, como se tratasse de um processo de homeostase e busca de equilíbrio, que eu não encomendei mas que impera. E vamos que vamos! Em contrapausa, observando tudo o que me está a acontecer... e eu que não gosto de montanhas-russas!

Não encomendem um cancro se vos faltar emoção no vosso filme. Façam qualquer outro desporto radical menos este!

sábado, 11 de janeiro de 2014

"To see the world, things dangerous to come to, to see behind walls, draw closer, to find each other, and to feel. That is the purpose of life."

"Beautiful things don't ask for attention."

Banda sonora: Jose Gonzalez "Step out":

"Heart's on fire, leaving all behind
Dark as night, let the lightning guide you"

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