domingo, 22 de dezembro de 2013


E é disto que se faz o amor, a amizade e uma pitada de loucura, porque foram esses os ingredientes que tive no Natal passado da parte dos meus amigos, durante o meu internamento e assim aprendi. Hoje é a Dani que está de retiro hospitalar nesta quadra, pronta a renovar as energias para entrar em 2014 com toda a força. E como, para fazer o auto-transplante de medula, tem de estar isolada, abracinhos, miminhos e conversa, tudo se faz com este vidro no meio, desde já a janela mais animada daquele corredor de quartos isolados, até porque já sabemos o que queremos e o que merecemos, mesmo na adversidade. Estamos juntas. 



Linfobabes in da house. Aqui na foto, o coração de post-its da Sara


Nós as 3 ou todos os/as linfobabes


Até o meu pai desenhou o Gaspar, o cão da Dani, para que não lhe faltasse nada!


Sábado, 21 de Dezembro de 2013

Vou deixar aqui o excerto de um texto e uma interpretação do significado desta época, em que as noites são mais compridas e em que se festeja o nascimento da luz, permitido apenas pela existência da escuridão. É isto o Natal. "E este é um segredo antiquíssimo: a luz não a encontramos na claridade, mas nas trevas, no ponto mais escuro". E está dito.

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Si seguimos el recorrido del Sol entre el punto de inicio del otoño y el del invierno, presenciamos el acortamiento del día y el alargamiento de la noche. Esto quiere decir que las fuerzas de la luz, las fuerzas del día, se retiran paulatinamente: el día se acorta y la noche se prolonga.
Si observamos el aspecto mitológico, vemos las relaciones visibles cambiantes, en las cuales las fuerzas de la luz van desapareciendo doblegadas por la oscuridad, que comienza a dominar y abarcar más espacio. El día se va retirando.
Cuando celebramos la Navidad, el Sol se encuentra a 0 grados Capricornio, en el punto del solsticio de invierno, cuando las noches se han hecho más largas y los días más cortos. Este es el momento en que el Sol se encuentra más alejado de la tierra en todo su recorrido anual.
Y en esta máxima oscuridad, en esta noche nace la luz. Nace, literalmente, de modo natural. Hasta ese punto la noche venía siendo perseguida, devorada. En el equinoccio cambia la situación: en el momento en que las fuerzas de la oscuridad parecen haber vencido empieza el triunfo de la luz. A partir de este punto comienzan a aumentar de nuevo las fuerzas de la luz, con lo cual los días se alargan y al aminorar las fuerzas de la oscuridad, mengua la noche, quedando en equilibrio la duración de día y noche.
Los hombres de culturas antiguas mantuvieron un contacto más estrecho con las fuerzas de la naturaleza. Festejaban de manera especial los cambios de las estaciones. Para estas culturas tenía especial significado el punto en el que, en medio de la mayor oscuridad exterior, nacía la luz y comenzaba su curso victorioso sobre las fuerzas de las tinieblas.
La Nochebuena, la noche de navidad fue celebrada desde siempre como una noche de consagración. 

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Aquí tenemos un símbolo muy importante: resaltar la máxima oscuridad como el punto en el que nace la luz. Se trata de una referencia a la antigua polaridad de la luz del Sol en la oscuridad que figura en el prólogo del Evangelio de San Juán:
Y la luz en las tinieblas brilla.
A esto siempre se refieren los alquimistas como esencial: la verdadera quinta-esencia solo se halla en el ámbito en el que los hombres no están dispuestos a mirar porque les parece demasiado sucio y oscuro. Allí donde los hombres no van, a donde no se quieren acercar ni quieren hallar, allí se encuentra lo esencial, lo que busca la alquimia, el real portador de la luz. Este es un secreto antiquísimo; la luz no la encontramos en la claridad sino en las tinieblas, en el punto más oscuro. Esta es la razón por la cual siempre se relaciona esta temporada del año con las ideas y representaciones mitológicas.

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Bajo este punto de vista, la Navidad se convierte en un rito: el renacer en el espíritu del nacimiento de la Luz y de Dios en nosotros. Esencialmente, solo aquí puede realizarce la Navidad. Pero el nacimiento de la Luz en el hombre se puede efectuar también unicamente cuando afuera hay oscuridad, es decir, cuando el hombre se aleja del mundo exterior. 

(...)

Visto psíquicamente, podemos decir que sólo cuando el hombre está dispuesto a bajar a la máxima profundidad de su alma, cuando está dispuesto a soportar el horror de su propia sombra, cuando se decide a mirarla, recorrerla, mirar su propia negrura, sus tinieblas, sólo entonces podrá experimentar en ellas el nacimiento de la luz:
Y la luz en las tinieblas brilla.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


Ontem foi uma noite de emoções boas. A Vanessa e a Lara Afonso desafiaram-me para dançar nesta gala/concerto organizada pelos "Aprendizes da Nono", o primeiro evento e o pontapé de saída da Associação Princesa Leonor - Aceita e Sorri, que vai apoiar crianças e jovens com doença oncológica.

Desde o início do projecto CurAção que tinha vontade de pôr a minha história "em movimento" e, com uma semana para preparar uma coreografia para a música da Lara, não sendo eu profissional e não estando eu em forma, percebi logo que não o poderia fazer sozinha - nem queria. E depois ainda percebi que só fazia mesmo sentido fazê-lo acompanhada, por todas as pessoas que me acompanharam e por todas as pessoas que rodeiam os doentes oncológicos e que também são enredados nesta teia, porque ser mãe, filho, irmã, pai, tio, marido, mulher, neste filme, também é dose.

Numa noite de muita música, muita inspiração, muito amor e muita celebração, juntaram-se não só artistas, como pessoas muito especiais - como a Sara Tavares, que me inspira assim que é uma coisa, mas esta é uma escolha pessoal..., entre todos os outros envolvidos directa ou indirectamente na associação, como o Nuno Gomes e a Áurea, os padrinhos oficiais - e todos estavam lá de coração, inebriados pelo espírito da solidariedade e contagiados com a alegria da Nonô, que é a protagonista e catalizadora de todo este movimento, do alto dos seus quatro anos que não querem saber de doenças e só querem saber da vida como ela é, para ser recebida, sentida e devolvida.

E assim lá estive, não só como aprendiz da Nonô, mas também para devolver aos amigos CurAção toda a energia que me transmitiram este ano e que todas as pessoas que estavam naquela plateia saibam como é importante serem importantes para os outros como são.

Como não consigo postar o vídeo - o blogger ainda não me deixa - vou deixar algumas fotografias e o vídeo fica para outro dia.


Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço

Foto: Zito Colaço


terça-feira, 17 de dezembro de 2013


E eis que, recém-chegada de Cabo Verde, a 7 de Dezembro, vou até à Associação Girassol Solidário, em Lisboa, associação que dá apoio aos doentes evacuados de Cabo Verde que se encontram em Portugal a fazer tratamentos médicos a que não teriam acesso no seu país de origem. Porque, para desenvolver mais os meus conhecimentos na área da psicossomática e para trabalhar com doentes, preciso de ter mais conhecimentos na área somática, este dia foi dia para ficar a saber mais sobre as doenças cardiovasculares, as doenças do coração (nada melhor para primeira lição que frequento como CurAção!). Foi a primeira sessão e mais tarde falarei sobre esta formação para a saúde da Girassol, no âmbito de um projecto que ganharam em parceria com a Maçaroca Educação & Design, parceira CurAção, que me convidou a estar presente como formanda.




Esta formação é dirigida maioritariamente aos utentes da Girassol, que vão ganhar mais conhecimentos acerca das suas próprias patologias e poderão também expor as suas dúvidas e receios no que às mesmas diz respeito. Aqui uma fotografia com o seu conterrâneo, o músico Batchart, que foi convidar os formandos a estarem presentes no concerto que deu nessa noite.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um dos lemas "CurAção" é emprestado do Lavoisier e diz: "Tudo se transforma." E a transformação dá-se dentro de cada um de nós, quando as coisas passam por nós, quando passamos pelas coisas e quando lhes damos nomes, cores, ritmos, sons, mais ainda quando as emprestamos aos outros que lhes dão o seu significado e transformam também a sua história. Faço isto na minha vida profissional mas trouxe esta magia para a minha vida pessoal, fazendo por contaminar mais uns quantos que se deixam tocar.

Por isso aqui não faz sentido estar sozinha nas minhas ações. Sim, posso fazer as coisas de que gosto sozinha, mas posso convidar e desafiar quem se identifique com o projecto a participar e a dar o seu contributo - ao nível das suas competências e da sua vontade - e as curações multiplicam-se. Por exemplo:

1. Sessão fotográfica das fotos de apresentação CurAção. Eu emprestei a minha cara e a minha careca, a Marta emprestou as suas competências como maquilhadora e a Cindy as suas competências como artista plástica. Posso dizer que a sessão foi terapêutica para as três, por razões diferentes e o resultado foi triplicado relativamente ao que teria sido se tivesse optado por publicar uma fotografia minha simplesmente careca. E a experiência de ser careca foi transformada, desconstruída, assumida, reconstruída, desmistificada, mesmo que lhe possamos atribuir um valor místico, pelo carácter ritualístico que possa estar associado a esta ação que teve também a intenção de marcar uma mudança, externa e interna.

2. Projecto Boomerang. A Sara empresta-me as suas fotos e eu as minhas palavras. Eu poderia tirar fotografias ou escolher imagens e dissertar sobre elas, mas este projecto é transformador da experiência subjectiva da Sara como fotógrafa porque, nas minhas palavras, a sua imagem assume outro significado, que depois assume um terceiro significado quando traduzimos para inglês e que depois viaja até aos seus amigos nos E.U.A. que vão interpretar à luz da sua experiência, que já não é a minha nem a da Sara, a original. E assim este projecto tem também e principalmente a função de nos manter ligadas e continuarmos a fazer parte da curação uma da outra, pois ambas tivemos experiências com o cancro, que continuam a ser elaboradas e transformadas dentro de cada uma de nós.

3. Textos que escrevi para o espectáculo "Crio" da ArteMove. Os textos foram escritos para o espectáculo, mas, a partir da altura em que os entreguei e foram interpretados por outras pessoas, a minha experiência contida naquelas palavras expandiu-se à experiência de quem encenou e de quem as interpretou. Tendo escrito sobre mim, ainda que sob os temas que me foram propostos, já tinha dado nome a tantas coisas minhas que vivi este ano, mas, quando o Pessoa Júnior pega nos textos e lhes dá forma, acrescenta o seu ponto de vista, que toca no meu, mas já é outra coisa. E quando os intérpretes lhes dão vida no palco e os associam ao movimento e à dança, já todos estavam em curação, mesmo sem saberem, a falar sobre "ser feliz", o "coração que fala sozinho", o "ser criança" e tantas outras palavras que voaram até ao público e chegaram já como uma quarta experiência, que já não é a minha, nem a do Júnior nem a dos intérpretes.

3. Vídeos de dança com os KDM. Qual era o interesse de eu continuar a gravar-me a dançar sozinha para marcar este ano curação e a dizer que, sim, a dança faz parte da minha cura? Se eu posso acrescentar os dotes do Djam como coreógrafo e criativo e dos meus colegas que enriquecem a experiência e o resultado, para quê fazê-lo sozinha? Todos entram nesta viagem curação e, embora eu não possa falar na sua transformação, posso falar da minha, que não só fui desafiada para além da minha zona de conforto, como renovei dentro de mim a confiança neste caminho.

4. 1º Concerto solidário Princesa Leonor. A Lara Afonso tem uma sobrinha, a Nonô, que tem um cancro. A Lara tem uma canção sobre e dedicada à Nonô. A mãe Vanessa desafia-me para dançar neste concerto enquanto a Lara canta, não como profissional - que não sou nem pretendo ser - mas como a pessoa que passou também pela doença. Como fazê-lo sozinha e para quê? Desafiei a ArteMove e pus mais 4 pessoas a mexer, que ficaram a conhecer o projecto dos Aprendizes da Nonô, a minha história e entraram em curação comigo. Acrescentei as competências da Paula Careto como coreógrafa e as competências do Afonso, da Bárbara e da Inês como bailarinos e o resultado foi potenciado, mas só será avaliado amanhã ao nível das 2000 pessoas que estarão a assistir. O que é mágico aqui?

Experiência da Lara como tia de uma criança com cancro numa música ------- Eu interpreto as suas palavras à luz da minha história como doente oncológica -------- A Paula pega na minha ideia e interpreta-a dando-lhe movimento e construindo uma história coreográfica, que já tem uns pozinhos a mais relativamente ao que lhe passei ---------- Eu, o Afonso, a Bárbara e a Inês vamos emprestar as nossas emoções e histórias pessoais à interpretação da coreografia da Paula, transformada só por isso noutra coisa ----------
o público há-de receber a informação e transformá-la ainda noutra história, mas estarão todos em curação se se deixarem tocar por nós todos. E assim se envolve mais pessoas numa só causa.

O mais interessante nisto tudo, a título pessoal, é a de que estas e outras ações valem mais pelo processo do que pelo resultado. As horas passadas em interAção com todas as pessoas envolvidas, em ensaios, fotográficos, de escrita ou dançados, são mais transformadores e curadores para mim do que o resultado final, mas o resultado é a consolidação e o registo da própria mensagem, que pode depois chegar mais longe, para lá do círculo de amigos. E assim se vai transformando cá dentro toda uma experiência de forma a que ela não se repita, porque, apesar de todo o protagonismo, não é a doença o centro da curação, muito menos o fim, mas apenas o início e o ponto de partida para outras viagens. Tudo se transforma.

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