quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Post inspirado na peça "Feio" da companhia Palco 13, em exibição até ao final do mês de Novembro, no Auditório F. Lopes Graça/Parque Palmela, em Cascais. 

Hoje é dia de ir ao teatro em Cascais. E é o meu último post alusivo ao "Feio". Quatro actores não-feios, parodiando a beldade e a fealdade inerente ao facto de sermos de carne e osso e apreendermos o mundo também com os olhos, que transmitem uma determinada informação ao cérebro. E o cérebro precisa de ser desafiado, porque, sem contradição, não nos posicionamos. Sim, precisamos de coerência e estabilidade para adquirir competências e funcionar de uma forma adaptada, mas também precisamos de forças opostas que nos permitam estar em permanente transformação e evolução. E assim que me sento e começo a assistir à peça, ocorre-me logo "espera lá, mas este é que é O feio? Um feio que não é feio?" Pronto, não só sou obrigada a desconstruir a minha ideia de Feio, como sou obrigada a exercitar o cérebro para imaginar que estava à frente de uma pessoa muito feia.

Entretanto, o branco aparece como fundo reforçando ainda mais a ideia contraditória de uma sociedade com os valores pervertidos. O meu cérebro viajou, teletransportou-se para vários cenários sugeridos pela candura representada naquele espaço - sonho, céu, hospital psiquiátrico? Mas não seria afinal o inferno? E o exercício cerebral continuou ao ser levada a imaginar objectos e adereços que não estavam no espaço real, mas que fazem parte da história. Não sei se o teatro e as obras de arte devem conduzir-nos a grandes dissertações ou se devem apenas ser vivenciados, mas na medida em que o cérebro é estimulado e levado a realizar novas sinapses, essa ginástica mental que nos leva a des-construir, quando a vida real nos obriga a estar em permanente construção, já nos permite, ao mesmo tempo, pensar e des-pensar, sem ser necessário estar muito consciente do processo. 

Aquele desconforto criado pela oposição que nos obriga a rever o que temos estereotipado, desde o mais subtil ao mais óbvio, do mais consciente ao mais inconsciente, desarruma-nos um bocadinho a casa, ainda que estejamos perante um cenário de linhas limpas e direitas, minimalista, para que nada nos distraia do que ali se passa e, sobretudo, para que nos apercebamos do que se passa e não se vê. Clean. (Ou dirty?) Afinal de contas, neste mundo em que vivemos, o sub-texto tem todos os dias vida própria, muito mais do que os bla bla bla's que muitas vezes não passam de isso mesmo, bla's, whiskas saquetas.

Parabéns aos feios, que afinal são bonitos! Quatro actores, quatro elogios, embora os elogios sejam estendidos a todos os implicados. E... não fiquem em casa!

Alfredo Matos Fotografia


Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013 (é o que dá ter a hora portuguesa no computador)

Em Cabo Verde, dia #6

Neste momento, estou tão cansada, tão cansada, tão cansada que só me ocorre dizer que é tão bom poder cansar-me! Hoje foi dia do corpo, por isso não dá para pensar e o melhor é mergulhar na cama! Não há cá teorias, reflexões, momentos pseudo-artístico-filosóficos... 

Olhinhos de ressaca do treino... Mas em que momento alucinado é que eu aceitei dançar num evento na 6ª feira?



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Terça-feira, 19 de Novembro de 2013 (depois da meia-noite)

Em Cabo Verde, dia #5

Descobri que há coisas que me vão incomodar sempre, desde sempre e para sempre. Não importa o lugar. Onde é que o incómodo mora? Aqui algures nas paredes do estômago ou nas áreas vizinhas. Devia subir e sair pelas guelas... Mas, no dia em que fui visitar um dos meus grupos de meninos e estes me receberam, uns de braços abertos, outros de braços abertos que se fecharam à minha volta e outros de olhos arregalados e imóveis, mas que depressa se transformaram em contadores das histórias do último ano que tantas coisas novas também lhes trouxe, tenho de privilegiar esta vivência, porque esta mora no coração. E ninguém fala comigo sem perguntar também pela "professora preta", a tia Cindy. Depois de trocadas as novidades e esclarecidas as coisas, entre as quais "pamodi bu corta cabelo??", levo para Portugal várias recordações destas... (E sim, fiquei com eles uma hora porque a professora imprevisivelmente - espero eu - faltou):



























Não fui eu que falei em CurAção, mas está lá e está cá! Uma menina, duas flores, dois corações, nóis, Cindy Baptista!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


Dia 1
Recepção no aeroporto pelos amigos António e Stefania

Primeira visita à esplanada Kebra Kabana com a Ste

Dia 2


Pequeno-almoço com direito a sumo de papaia, um habitué em CV, aqui na casa da Ste e do João

Primeira visita à companhia de dança KDM, no local de ensaios, Instituto Francês. Alex, Vanessa, Eça, Rony e Beny

Visita às novas instalações da Academia de Dança Sol do Sahara, oficina de Dança-Teatro do Bruno/Djam

Passeio no Plateau com amigas italianas, Ste, Ester e Virgínia

Actuação KDM no Auditório Nacional. Rony e Beny na foto

No Kebra depois do show. Djam e Eça na foto

Dia 3

Animadores de Infância Arco Risos na Cruz di Papa, Achada de Santo António, onde revi também as amigas Natalie e Dulce e as animadoras Zu e Lenira. Lucas e Luís na foto


Eu vestida de palhaço porque estava frioooo. Aqui com o Lucas, meu ex-aluno

Visita ao estreado Praia Shopping que deixei em construção e que já está em funcionamento. Um luxo. Jantarinho na esplanada com a Ste.

Dia 4


Na praia de Kebra Kanela

Nos estúdios da companhia de dança Raiz di Pólon, mas publico fotos dos ensaios noutro dia porque hoje fico-me pelas crianças...

com Djamila e Djamilson, filhos do bailarino Nuno Barreto

Finalmente com o best friend Marquitos "Rogo" Semedo, no Kebra Kabana!


Ida ao novo cinema da Praia, no Shopping


domingo, 17 de novembro de 2013


Hoje carpo. Não só por ter sabido de mais uma morte, desta feita de uma menina cabo-verdiana de 16 anos, que eu pus a dançar funaná na enfermaria do piso de hematologia do IPO e que saía da sua cama e do seu quarto para se ir sentar ao lado da minha cama até as enfermeiras a expulsarem de lá, não fosse ela tentar fugir novamente do prédio. Tratavam-na como uma criança, mas duvido que algum dia o tenha deixado de ser. E ali no meio dos velhos, era. Ainda não me acredito muito nisto, porque parece que ainda a estou a ver a enrolar o lenço na cabeça, fazendo jus à sua origem, e a inspirar-me para fazer o mesmo e lançar a moda.

Hoje carpo. Se calhar é mais fácil enganar a vida do que a morte, embora eu acredite que podemos enganar a morte se agarrarmos a vida. Carpe diem. Todos os dias. E prometo dançar um funaná com toda a alegria que se lhe impõe. E prometo ser feliz na tua terra. E prometo fazer tudo o que tem de ser. Carpo diem. Carpo vitam.

Relembrando "As Centenárias", peça a que fui assistir na última 4ª feira e que terminou hoje, no Teatro Meridional, em Lisboa... Com a brilhante interpretação das 3 actrizes em palco, homenagearam as carpideiras que tanto vivem perto da morte por não a querer ver de perto, em modo de manter o inimigo sob vigilância, conhecer-lhe os truques todos para poder passar-lhe uma rasteira sempre que este se apresentar. Acho que nunca vi a morte de frente. Passou-me ao lado. Mas não há morte que não nos remeta para a vida. Por isso, sim, vamos carpir e lamentar o que tem de ser carpido e lamentado, para depois continuar a carpir mas cada dia, um depois do outro, e em bom. Carpo mais o dia do que a noite. Pelo menos pretendo.

Obrigada Flávia (Gusmão) pelo MoMo - outra peça muito especial - e pela tua carpideira brilhante. Cá te espero na também tua terra, para um funaná sem manha...



Carpir. Do latim carpo, carpere.
http://www.os-sinonimos.com/sinonimo-de-carpir

sábado, 16 de novembro de 2013

Em Cabo Verde, dia #2

Quem é que não gosta de viajar? Já conheci algumas pessoas que não gostam de sair de casa, com medo de se perderem, mas também conheço outras viciadas em viagens para se encontrarem. De uma forma ou de outra, não queremos todos o mesmo? Até gostamos de perder se depois for para ganhar. É quase a briga que compramos para podermos fazer as pazes. E é de pazes que quero falar. Encontro-me na terra onde adoeci, Cabo Verde. Faz hoje dois anos viajei para cá, exactamente um ano depois regressei doente e exactamente outro ano depois estou de volta, desta vez de passagem. As datas não foram planeadas, mas aconteceram assim. Hoje percebi que esta era uma viagem importante a fazer, mas uma viagem sobretudo para dentro de mim, apesar de tudo o que se passar cá fora. E como as viagens nos ajudam a viajar para dentro, no espaço e no tempo! Mudamos de espaço exterior e adaptamos o interior a novas realidades e diferentes códigos. Não há como fugir à viagem interna, se nos dispusermos de facto à vivência da diferença que, de passagem, é divertida, mas em mais do que uma simples passagem, constitui um verdadeiro desafio a valores, preconceitos, estereótipos e memórias que transportamos connosco. Toda a gente devia ter a oportunidade de viajar, nem que seja até à casa do vizinho do lado. Do vizinho feio, porque o bonito já está a bater-vos à porta, claro! Não há como não crescer a viajar, embora também se possa fugir muito da viagem, dentro da própria viagem.

Este é o meu minutinho do dia para pensar, porque tenho mais que fazer nestes 21 dias! :)

21 dias foi imposição da TAP para poder usufruir das tarifas mais baixas, mas a verdade é que 21 é um número utilizado muitas vezes nos rituais que pressupõem mudança ou manutenção da mesma. Parece que é o tempo mínimo de que o cérebro necessita para criar novos hábitos, novas ligações neuronais que resultem em mudanças duradouras. "Algumas teorias dizem que se repetirmos uma acção por 21 dias seguidos vamos criar um novo hábito." Assim, encontro-me no meu ritual de limpeza... Para além do neurológico, do ponto de vista energético, 21 dias para 7 chakras, dá 3 dias para cada um deles, o tempo necessário para reequilibrar e repor tudo no seu sítio.

P.S. A explicação das duas abordagens, neurológica e energética, neste site: http://animamundhy.com.br/blog/por-que-21-dias-perguntas-e-respostas

sexta-feira, 15 de novembro de 2013


Por vezes o equilíbrio é difícil porque, entre passado e futuro, não queremos tocar no presente que se passeia à nossa volta e no chão que se apresenta debaixo dos nossos pés... Entre o fim e o início. Rumo à Primavera. Nos bicos da alma para não estragar. Lufada de ar fresco para recomeçar.

 

Sometimes balance is hard to achieve because, between past and future, we don't want to touch the present that walks around us nor the ground right beneath our feet... between end and beginning. Towards Spring time. Tiptoeing soul, don't want to ruin it. A breath of fresh air to start it all over. Again.

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