domingo, 3 de novembro de 2013

Still
 Not still

Corro corro corro para fugir dali. Não olho para trás, o tempo não olha para trás. Tenho as horas nos pés e as mãos coleccionam minutos. Guardo tudo tudo tudo, não sobram segundos. O tempo diz pára, para que olhe para trás, mas foge de mim - de quantos tempos o tempo se faz? Largo tudo para o vento me agarrar. Fecho os olhos. Não quero ver este dia chegar...

Run run run to flee from here. Do not look back, the time does not look back. Feet tick forward, hands collect minutes. Save and savor everything everything everything, leaving no leftover seconds. Time says stop! to look back to it, but it escapes me - how many times can it be done? Drop everything behind waiting for the wind to take hold of me. I close my eyes. I do not want to see this day coming...


sábado, 2 de novembro de 2013


No dia 29-06-2013, disse à Cindy e à Marta que trataram de mim na sessão fotográfica que resultou nas fotos CurAção - perfil e capa do blog e do facebook: "Aproveitem hoje porque é o último dia em que me vêem careca!" Ainda não tinha decidido com a médica o passo seguinte, mas acho que a decisão estava tomada dentro de mim. Já se passaram 4 meses e pretendo manter a profecia. Hoje a Marta ajudou-me a dar mais um passinho neste caminho e participei no seu workshop de auto-maquilhagem, do seu projecto Makeup By Me

Junho 2013:
A Marta criando a base para a Cindy - Maçaroca Educação & Design - pintar.

 Retoques finais

Novembro 2013:
Este foi o clima da sessão de beleza! A linfobabe Sara aqui do lado direito...

Eu e a Marta, depois dos pozinhos mágicos! Mas a magia maior é a de estarmos juntas nisto... Sabemos do que falo :) 

No final da sessão de Junho fui ao Parque Marechal Carmona (Cascais) ver a peça "Soldado Fanfarrão" e hoje, no final da sessão, fui ao Parque Palmela ver a peça "Feio", num dia em que fui tratar de me pôr bonita. Ambas as peças da companhia Palco 13. Fica para outro post, mas, enquanto isso, vão ao teatro!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


Celebrando dois meses de CurA, partilho a minha mandala "EU SOU", que fez parte do meu processo introspectivo no primeiro mês fora do hospital. Assim, no dia 25-05-2013, era tudo isto que andava a acontecer dentro de mim, uma viagem de fora para dentro e de dentro para fora, idas e voltas que me aproximavam e afastavam de mim. Fosse qual fosse o caminho, estava cada vez mais claro para mim que o mais importante era que não me perdesse. Ou que me descobrisse. Ou encontrasse. O mais importante era SER. Quem ou Como Sou é secundário porque não adianta perguntar quem sou se não quiser primeiro apenas Ser. Sou logo existo. E com muito mais força. Contactar com a capacidade de Ser deu-me mais força neste caminho de volta a mim. E mim é saudável.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013


Segundo o wikipédia, delírio é uma falsa crença mantida com grande convicção. Eu sempre considerei a diferença entre a normalidade e a psicopatologia quantitativa, mais do que qualitativa, e que a fronteira estava na capacidade de adaptação da pessoa à realidade, na forma como o comportamento ou pensamento podia interferir ou não com o desempenho na vida diária, na própria e na dos outros. A partir da altura em que deixamos de ser livres, escravos dos pensamentos e dos impulsos ou compulsões e interferimos com a liberdade dos outros, algo tem de ser visto ou revisto. Mas o problema aqui é que, até ser diagnosticado, da normalidade à patologia, existe uma linha contínua e podemos encontrar-nos em vários pontos dessa linha, em diferentes alturas da vida. Numa tentativa de qualificar e quantificar a saúde mental, existem critérios mas existe também tanta gente que se encontra no meio do caminho, mas não no sítio que marca a virtude: um bocadinho mais para o lado de lá...

E a saúde mental num contexto de doença física? Penso já ter deixado claro noutras publicações que olho mais para a saúde mental como desencadeante de saúde ou doença do corpo, mais do que o contrário, mas hoje quero pensar exactamente no oposto, uma vez que esta estrada não tem sentido único: como o limite físico nos deixa no limbo da saúde mental ou pode empurrar mesmo para o lado de lá quem já se encontra a dois passinhos da fronteira. Sim, eu digo que as coisas antes de o ser já o são. Não sei se já alguém disse esta frase, mas já a repito há alguns anos, em diferentes contextos. Neste caso, ninguém descompensa sem já estar no caminho. Mas, em última análise, estamos todos nesse caminho. Ninguém é 100% são ou 100% doente.

Há saúde mental sem saúde física? Não são todas as nossas partes um todo?

No meu caso, no limite das minhas forças físicas, a doença empurrou-me para uma bifurcação: ou te acalmas ou dás em doida. Num acto de sobrevivência, escolhi o caminho da paz, porque todas as minhas energias tinham de estar concentradas na recuperação física. Ansiedade, medo, obsessão... Este caminho consumia-me demasiadas energias para conseguir permanecer nele durante muito tempo. Seria o colapso. De repente senti que as opções eram duas: ou te acalmas ou te acalmas (tinha mesmo este diálogo mental comigo mesma), porque as coisas já eram suficientemente difíceis para que ainda as complicasse mais. E assim me acalmei nos momentos mais difíceis, com mecanismos e recursos internos e externos que encontrei e que me facilitaram a escolha do caminho da saúde (mental e física, uma vez que Saúde é só uma). Praticamente sem esforço. É a tal programação biológica para a sobrevivência.

Por outro lado, desviar a doença para o corpo, descurando a mente, também é mais aceite pela sociedade. É melhor ser doente do que louco. Mas não será a doença uma loucura do corpo e a loucura uma doença da mente?

Paranóia de sintomas; viver obcecado com sinais; ler e escrever só sobre estes temas; romancear as vivências; ver cores onde só existe o preto no branco; perseguir médicos e solucionadores da saúde/doença; ter diálogos com o Além (e o Aquém); perseguir sonhos e cumprir objectivos que mais ninguém percebe porque não dão dinheiro, não rendem e estamos numa sociedade capitalista; ter dificuldade em manter uma conversa normal com as pessoas normais - "já viste isto? é sempre a mesma coisa... e a crise? e a celulite? e ele não me liga... é sempre a mesma coisa... 'tou tão cansada, é só trabalho, trabalho... é o costume... fogo (chamem os bombeiros!)..." Desculpem, é muito difícil manter a saúde mental intacta depois de tanta cambalhota... Assumo a loucura. Agora... cada um assuma a sua!

(Mas pára de me telefonar, empurrado pela tua convicção, porque não partilho dela. Falsas ou verdadeiras, tenho outras! Haja saúde!)


terça-feira, 29 de outubro de 2013



Ex-modelo e jornalista, Flávia Flores, brasileira, inspira muitas mulheres para que sejam capazes de se reinventar durante o processo de quimioterapia, com um blog e uma fanpage nas redes sociais e agora com um livro. As cats são as gatxinhas que passam pelo tratamento e o look da quimio é a forma como algumas delas escolhem apresentar-se, cada uma com o seu estilo. Vídeos de como colocar os lenços, dicas de maquilhagem, auto-estima acima de tudo, para que não se descure, mas ao contrário se cure com todas as ferramentas disponíveis. Não há por que viver todos os dias com a cara "de lagartixa" imposta pela doença e pelos tratamentos.

Ainda mais importante do que isto, quero salientar que tudo o que retiramos de positivo de uma situação difícil deve ser levado para cada bocadinho de dia, cada oportunidade de vida e cada desafio que se apresente e aqui acho que não é necessário ter um cancro da mama como a Flávia para que qualquer pessoa cuide de si nem um linfoma como eu para que desperte o seu lado criativo. Estamos cá para que quem lê não tenha de passar por estas coisas, mas que ainda assim cuide de si e das suas coisas com todo o amor.

 


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

                                    2012                                                                         2013

Esta é a Cindy Baptista, artista de coração, que nem sabe o que é ser de outra maneira! Um ano separam estas duas imagens - as duas fotos foram tiradas em Outubro, uma no dia 13 e a outra no dia 25 -  e um ano pode parecer uma vida. Ou várias! Cada uma de nós saiu de Cabo Verde com um grande desafio em mãos, daqueles desafios que nos fazem tremer as bases. A terra treme, o céu cai e tudo se renova. Ainda somos as pessoas daquela primeira imagem? No essencial sim, mas estávamos muito cansadas. Era preciso reciclar, reinventar e seguir caminho. Por força das circunstâncias ou por circunstâncias em que já não tínhamos muitas forças, seguiu-se a mudança e o que se põe em marcha em marcha está. E que em marcha continue... Gosto tanto mais da segunda imagem por tudo o que ela contém e pela energia que dela emana. Somos ricas!

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