A luz ao fundo do túnel esteve sempre lá, ao longo do caminho. Está sempre lá. Se não se vê, está escondida, dentro de ti, à espera que quebres o padrão, deixes esse ciclo e dês início a outro. Não é errado. É que a vida é assim, paradoxal. Repete-se mas quer mudança. E por isso tu não queres mudar mas estás farta de repetir. Ou queres muito mudar mas não queres deixar para trás. Há uma força centrífuga que te empurra cada vez mais para a origem e para o final, que andam sempre de mãos dadas.
The light at the end of the tunnel has always been there, along the journey. It's always there. If you can't see it, it's hidden inside of you, waiting for you to break the pattern, leave that cycle and start a new one. It's not wrong. It's what life is all about: paradox. It repeats itself but begs for change. That's why you don't want to change but still don't want to propel the repetition. Or you want to change but can't leave it all behind. There's a centrifugal force that pushes you to the limit: the origin and judgment day, hand by hand.
Às vezes posso parecer um bocadinho indisciplinada porque, afinal de contas, o sou-doutor é que tem os livros e os saberes na matéria, mas queria explicar-lhe que os meus livros e os meus mestres ensinaram-me a pensar. Bom, para dizer a verdade, não foi sempre assim, porque não me lembro de me terem torcido o pepino em pequenina para que soubesse que o poder sobre mim própria não está só nos outros, na minha mãe, na Irmã Guida, no Sou-Doutor Alberto J. (o meu otorrino até aos 10 anos, de quem não me recordo nem de uma expressão, gesto ou palavra mas deve ser lapso meu), no Padre Raúl, no Mário Soares, na S'tora Cidalina, na régua da Irmã Laura... Por acaso até estou a ser injusta porque logo no primeiro mês de vida, na incubadora, as enfermeiras da MAC disseram à minha mãe "Ela tem uma força! Temos mulher!" mas as enfermeiras não entram na classe dos Todo-Poderosos desta praça, embora possam ser bastante convincentes com uma agulha na mão...
Bom, mas não me ensinaram na escola, nem nas aulas de "Formação" nas freiras (o que se fazia mesmo naquelas aulas?), que eu sou mais do que um produto dos meus pais, dos meus professores, da minha religião, do meu país e dos seus dirigentes e dos meus sou-doutor's. Eles é que detinham o poder e também não estariam interessados em partilhá-lo. E a mim dava-me jeito ser criança e depender de todas estas vontades, preocupar-me apenas em aprender. E ouvir. Mas quando ouvimos com olhos de pensar, analisamos e começamos a questionar... E o meu lado perguntador manifestou-se na minha sede de conhecimento e aprendizagem... Era tão afoita que não descansava enquanto não aprendesse tudo o que vem nos livros! As respostas às minhas perguntas teriam de estar lá com certeza!
E cheguei à universidade para ser também sou-doutora e finalmente deter o poder, porque ser sou-doutora é que me dá o passaporte para poder vingar na minha vida! Os sou-doutor's é que podem: podem ter subordinados, podem ter dinheiro, podem mandar um bocadinho mais nas suas vidas e na dos outros e mostrar os fantásticos alunos que foram. O sou-doutor representa a liberdade de tantos anos de subordinação.
Por isso, peço-lhe já desculpa se lhe venho trocar as voltas e disser que não... É que houve um engano. Eu não tenho poder sobre ninguém, não sou dona de coisa nenhuma, não tenho casa, nem carro, nem dinheiro, nem empregados, nem há vagas para ser empregada de outro sou-doutor qualquer! Por isso, não me peça, sou-doutor, para ser disciplinada. É que na escola da vida aprendi que ninguém manda em ninguém, mas que sou-doutora é um titulo que reclamo para mim, para a minha responsabilidade, o poder sobre mim própria, as minhas escolhas e principalmente a minha capacidade de pensar! Aprendi a pensar e por isso não posso ser disciplinada a não ser comigo mesma... Desculpe-me sou-doutor! E eu sei que há muitos sou-doutor's por aí enganados a responsabilizar a crise e os sou-doutor's da política pelo estado em que se encontram. É que não lhes explicaram! Espero que não seja o seu caso...
Agradeço a sua atenção no meio da sua vida agitada e não aguardo a sua resposta. Voltarei a contactar assim que me for oportuno.
Com os melhores cumprimentos,
Rita Nobre Luz, mal-empregada, como se vê!
A ideia de criar um blog - que em si mesmo constitui uma das minhas ações no sentido da cura - não faria sentido sem interAção. Ainda que o projeto CurAção (ainda em construção) não se destine apenas a pessoas que se sintam conectadas com a minha experiência e com o cancro em particular, se o meu testemunho puder chegar a pessoas que estejam a passar pelo mesmo - ou por outro desafio - e acrescentar alguma coisa, tanto melhor. A mim acrescenta-me muito descobrir pessoas e projectos inspiradores. Cada um tem a sua experiência mas esta reflecte-se no colectivo, do familiar ao social, e viceversa. Se somos parte do todo, também somos todos uma parte importante e, somados, multiplicamos o nosso potencial!
Se me fizeres uma pergunta, responderei com um post, que pode ir do mais simples ao mais criativo, conforme o que desperte em mim.
Se quiseres partilhar a tua história, poderei partilhá-la ou responder em particular, como preferires.
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E tem sempre presente o lema CurAção: Tudo se transforma!
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*decidi assumir que o acordo ortográfico ainda não me assiste, pelo que a palavra ação é a única que o respeita ainda que por mera coincidência!
É uma ideia generalizada a de que um cancro ou um acontecimento igualmente marcante nos muda para sempre. Não sei se estou a exagerar, mas é como se esse senhor nos viesse trocar as voltas para deixarmos de sermos quem éramos ou passarmos a ser uma versão melhorada de nós mesmos. Se estávamos a dormir, acordamos. Se andávamos pelos céus, descemos à terra. Tenho a dizer que, embora isso seja tudo um bocadinho verdade, não é bem assim. Para além de que acredito que a hora da verdade não é aquela do período de enamoramento pela vida quando ela ameaça abandonar-nos. Isso não é amor verdadeiro. É uma coisa do ego a dizer: "Gosto tanto de ti, não me abandones!" A hora da verdade é depois, depois de passar o susto e o enamoramento e nos encontrarmos entre essas duas coisas, ou seja, frente a frente com a realidade.
Eu ainda estou meia enamorada, mas a verdade é que já estava. Eu valorizo todos os momentos, mas a verdade é que já valorizava. Eu tenho as minhas convicções mais presentes, mas a verdade é que já as tinha. Então o que mudou? Não mudou. Como eu costumo dizer, fiquei ainda pior! Toda eu dentro de mim ficou mais determinada na sua existência. Tudo aquilo que me fazia sentido agora faz ainda mais! E alguma maluquice que tinha dentro de mim grita de felicidade porque agora então é que não a posso calar! Não aprendeste nada?, pergunta a minha mente... Bom, aprendi pouco, para dizer a verdade. Mas apreendi muito!
Nada do que este ano me trouxe é verdadeiramente novo, mas o que a vida me trouxe foi a oportunidade de SENTIR na pele tudo o que me vagueava pela mente. E é assim que funciona. Criamos a nossa realidade. Se tinha pedido um cancro ao Pai Natal? Não exactamente. Essa não era a forma. Mas o conteúdo veio na mesma: se eu achava que Cabo Verde me ensinava sobre desapego, amor incondicional, humildade, carpe diem, este ano foi a oportunidade de apreender ainda mais, experienciando tudo isso a um nível ainda mais profundo. O meu sentido de missão agigantou-se e não quero saber da crise pela crise, mas do meu papel na minha vida, que há-de tocar inevitavelmente na de outros.
Normalmente fala-se em aprendizagem (não nos livros, mas na gíria) quando ganhamos juízo, quando aprendemos uma lição! A vida dá-nos tau-tau porque não aprendemos de outra forma. Pois a mim ninguém me leva com castigos! Mas, ainda assim, nunca fiando, estou a tratar de aprender algumas coisas, como a pôr os pezinhos no chão e a ser um bocadinho mais racional e metódica. Um bocadinho. Afinal a vida - disfarçada de cancro - trouxe-me de volta às minhas raízes para me relembrar de algumas coisas! Nada de novo, portanto, porque já dizia o Lavoisier que "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." E é isto.
P.S. E hoje escrevi este post de madrugada, para me obrigar a não ligar o computador durante um dia. Tem de haver regras por aqui!
Hoje descobri esta imagem no facebook. E é verdade que, na minha cura, também houve muito suor, algumas lágrimas e, mais recentemente, mar. Longe dos tempos em que mudava de pijama 4 vezes por noite e arranjava umas art&manhas para não ter de mudar também os lençóis da cama ou estar sempre a chamar as auxiliares para o fazer e também dos dias em que as lágrimas ajudavam na limpeza do corpo e da alma, mais recentemente tudo se tornou mais divertido com o regresso ao mar. Para quem viveu sempre ao(s) pé(s) do mar e para quem tem veia de navegador e descobridor - foi há 500 anos, mas podemos sempre reclamar essa herança! - não há nada como mergulhar, até porque as nossas praias começaram a ser utilizadas pelas famílias reais, exatamente com fins terapêuticos. Abaixo, junto alguns benefícios do mar, mas vou-vos contar um segredo: a verdadeira terapia está mesmo em mergulhar na vida. E agora, se estivessem mesmo aqui ao pé de mim, salpicava-vos com umas gotinhas destas águas conquistadoras!
Conhecida como um dos meios mais eficazes de cura, a água é um veículo de calor ou frio, que aplicada ao corpo, opera modificações que atingem os sistemas nervoso e circulatório, produzindo o equilíbrio térmico do organismo.
O sal é um cristal e, por isso, emite ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pelos radiestesistas. Ele tem o mesmo cumprimento da onda de cor violeta, capaz de neutralizar os campos eletromagnéticos negativos.
O prazer que você sente quando você mergulhar na água do mar não é só devido ao clima de férias e descanso ao seu redor, mas também que a água salgada ajuda a relaxar a tensão e, consequentemente, a dor muscular, porque ele contém brometo.
Nadar em água salgadamelhora a circulação sanguínea. Além disso, ele contém potássio serão muito bem recebidos por seu corpo, porque você precisa de sangue após o exercício.
A água salgada também éboa para o sistema nervoso, porque contém magnésio.
Água de sal de sódio contribui para obom funcionamento do sistema imunológico, que contém cálcio ajuda a manter a força dos ossos.
Iodo, cálcio, ferro, magnésio, sódio, zinco, cobre... são inúmeros os benefícios, mas melhor mesmo é mergulhar...
Ano de 2013. 33 anos. Em Dezembro de 2012, estava na cidade da Praia, em Cabo Verde, a trabalhar como psicóloga no centro comunitário Espaço Aberto, quando adoeci. Do dia para a noite, Lisboa, Cascais, IPO. Cancro. Linfoma não-hodgkin. Estadio IVB. Quimioterapia. Muitas complicações. Decisões. Oportunidade. Hora de pôr em prática toda a escola académica na escola da vida. Em remissão, sem finalizar protocolo quimioterápico e tendo recusado transplante de medula, propus-me fazer 365 publicações neste espaço, uma por dia, considerando este o ano da cura em construção. Nada é garantido. Está tudo a acontecer. Ano de 2017. 37 anos. 4 anos percorridos. Um caminho atribulado e ainda muitos sonhos por cumprir. O cancro ficou para trás, outros desafios se apresentam e a busca por equilíbrio é contínua. A vida pede-me fidelidade em troca de liberdade. Bem-vindo/a ao meu cantinho!