quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A macrobiótica não é uma dieta, apesar de a prática alimentar ser transversal à sua filosofia. Tampouco existem alimentos proibidos, simplesmente alimentos que são mais ou menos aconselháveis segundo as diferentes condições de vida e objectivos pessoais. Dum ponto de vista alimentar, a ideia subjacente é de que o ser humano tem características e necessidades biológicas específicas e os cereais, vegetais e leguminosas satisfazem essas características básicas, não sendo no entanto a base exclusiva da alimentação.
Para mim, no entanto, o objectivo da prática é o desenvolvimento da consciência humana e capacidade de vivermos plenamente a vida diária em todas as suas vertentes: biológica, emocional, intelectual, social/ambiental e espiritual.
A responsabilidade pessoal é uma premissa essencial: somos os criadores da nossa vida através das escolhas que realizamos diariamente, escolhas essas que acabam por influenciar inexoravelmente a comunidade que nos rodeia e todo o Mundo em que vivemos.
Viver com compaixão, considerando o efeito que os nossos actos têm no Mundo à volta é inequivocamente uma das formas de obter uma Grande (Macro) Vida (Bio).
Francisco Varatojo

Não só fui a uma consulta com o Francisco, como frequentei um workshop de iniciação à Culinária Macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal, no Chiado, com o chef Marco Fonseca, oferecido por uma grande amiga. Se só faço alimentação macrobiótica? Não, mas utilizo muitos dos princípios e principalmente abuso dos cereais integrais, em vez de pão, massas e doces. E não quero outra coisa!
No que diz respeito à alimentação, há muitas dietas disponíveis no mercado da nutrição e vários protocolos alimentares para enfrentar doenças ou manter um estado saudável. Na minha opinião, não há a certa. Acho que há princípios em que estamos praticamente todos de acordo em relação ao que não nos faz bem, mas depois há variantes em cada uma delas e o mais importante é que se adapte à pessoa que a pratica. E que seja praticável, transportável para o dia-a-dia. 
O Francisco e o Marco venderam-me muito bem a Macrobiótica, não só pelo conteúdo do que transmitiram como pela forma como o fizeram, porque a forma está relacionada com a filosofia e a ciência por detrás do que escolhem comer. Há coerência e espaço para se ser criativo.
Numa fase de difíceis escolhas, porque foi a semana em que tive de decidir relativamente ao transplante e futuros tratamentos, foi uma semana muito divertida, em que a hora do curso era a hora em que me lembrava de como é bom ser normal e saudável, aproveitar os momentos e estar com pessoas fantásticas, e que era sobretudo essa a minha escolha. 
Com a minha amiga aprendi que a generosidade é um dom que nos assiste, mas que não vale se não lhe assistirmos, ou seja, ser generoso para os outros e não para si mesmo é batota. O workshop foi apenas para nós as duas, oferta dela.
Com o Marco, aprendi que é possível viver-se do que se gosta e gostar-se do que se vive. Aprendi o entusiasmo e a magia de estar em sintonia com o que se é. (E umas receitas!) Guardo duas frases tuas em contextos diferentes: "Não precisas disso." e "Vai correr tudo bem."

 Um dos menus: sopa de lentilhas, tofu mexido/cuscus com canela/legumes salteados e tarte de maçã

 Eu, o Marco e a Vanda, no último dia (2 de Julho de 2013)


Pequeno-almoço diário. Na foto, meu e da Dani, minha amiga futura ex-carequinha: 
Creme de arroz, cevada e aveia (em grão)



E tudo corre bem...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Enquanto estava aqui num dilema ético sobre expor ou não o poema que se segue, descobri que a autora já tem vários publicados e faz todo o sentido neste contexto.

Durante o período de hibernamento, cruzei-me algumas vezes com a Z. (Dona Z., pela idade de avó, mas eu tenho alguns problemas com a utilização de pronomes de tratamento... gosto de nomes...) e recordo com carinho a sua primeira vez como doente naquela enfermaria. Como gosta de falar! Às vezes eu até tinha de pôr os olhos na tv ou no livro para descansar um bocadinho. Não era má vontade, mas tinha de poupar energias e manter reservas consideráveis para fazer frente a um inverno tão rigoroso (e não falo da chuva). Mas não gostava só de falar. Gostava sobretudo de escrever.

Se há dúvidas do poder de transformação do trabalho criativo, publico aqui um dos poemas que partilhou comigo Nasatimiso (pseud.), porque sei que a Z. é assim generosa e os foi distribuindo por médicos, visitantes, doentes e restante pessoal. E assim se transformam verdadeiros dilemas!

Fazer um poema!

É transcrever num papel
O que nos vem ao pensamento
Ou o que se está a sentir
Naquele próprio momento!
Mas...
Com palavras adequadas
De carinho e ternura
Fazem-se frases moldadas
Enchendo-as de beleza pura!
E assim...
Se vai transformando
Uma mensagem em poema
Dando carinho e amenizando
Um ou outro dilema!

Nasatimiso
7/7/00

segunda-feira, 23 de setembro de 2013


Com este espaço, pretendo partilhar o que me ajudou no encontro com a minha cura e as muitas ferramentas que temos à disposição. Lembrei-me desta ação hoje (é natural que haja conflitos e desacordos ortográficos por aqui. é assumido!) porque ouvi uma discussão acesa entre telespectadores e o Goucha e o Dr. Quintino Aires sobre ciência e esoterismo. "A ciência explica tudo. Tudo o que não é ciência não interessa" diz o Goucha e o Dr. Quintino assina por baixo, com algum medo de comprometer o seu profissionalismo. Por um lado, se a sua ciência é a psicologia, concordo com a sua rápida tradução de termos "esotéricos" (tanta coisa que metem dentro deste saco!) para a linguagem psicológica, porque é a que domina e nós devemos falar na língua que conhecemos para nos entenderem. Por outro lado, há um grande desconhecimento do trabalho científico feito no campo da dita espiritualidade. Bom, mas resumindo... Sou psicóloga, mas a minha ciência é a vida e com alguma facilidade mudo o chip para linguagens diferentes ou mais abrangentes, porque para mim todas as teorias e práticas sobre a vida, o universo, o corpo e o comportamento humanos são apenas interpretações. Pena que os egos transformem pontes em torres de babel... Ah e não há ciência sem experimentação. 

Uma das ferramentas a que recorri foi a Cura Reconectiva. Na palavras de Rute Dias Aguiã, facilitadora do método:

Esta é uma forma de cura que está no nosso planeta pela primeira vez. Reconecta-nos com a plenitude do Universo e, por consequência directa, com a plenitude do Ser que somos. Acredita-se que isto acontece graças a uma nova gama de frequências curativas e, muito provavelmente, devido a um campo de ondas totalmente novo cuja realidade se pode constatar claramente tanto durante as sessões como em laboratórios científicos. A Reconexão (Reconnection) é o processo abrangente de reconectar com o Universo, o que permite que aconteça a Cura Reconectiva (Reconnective Healing). Estas curas e frequências evolutivas pertencem a uma nova banda electromagnética e chegam-nos através de um espectro de luz e informação. Graças à Reconexão somos capazes de interactuar com estes novos níveis de luz e informação e, assim, reconectarmo-nos. Isto é algo novo. Isto é diferente. Isto é real – e pode ser tecido em cada um de nós.

Em termos práticos, precisava de calar todas as vozes que ecoavam dentro de mim e ouvir apenas a minha, mas sobretudo reconhecê-la como minha sem interferências. O medo, o discurso dos outros (com medo), os argumentos da dita ciência - que de certa tem pouco -, barulho, muito barulho. Alguma coisa não estava certa em todo esse ruído. Não era a minha voz. Era urgente calar tudo isto para poder sentir. Chamem-lhe universo, eu superior, deus, criança interior, coração, inconsciente, verdade... Uns dias depois da primeira sessão - fiz três - muitas ideias surgiram em catadupa, entre as quais o CurAção. Por isso este projeto vem lá do fundinho de mim. Não veio do barulho. Veio do silêncio. Aquele que é de ouro. 

Sei que tomei a decisão certa relativamente aos meus tratamentos, porque foi a minha e não foi a de mais ninguém. Em paz, depois da guerra. 

Se querem saber mais sobre "A Reconexão" e a "Cura Reconectiva", pesquisem o trabalho do Dr. Eric Pearl, que vem a Portugal no próximo mês de Outubro.

O pensamento científico pressupõe testar as hipóteses que colocamos e a ciência avança quando refutamos uma hipótese e colocamos uma nova. Ciência é aprendizagem. E eu também gosto de tudo explicadinho e de fundamentação científica (que o diga a Dra. F.!), não para fechar portas, mas para me abrir a novas hipóteses. Se TODO o conhecimento científico pudesse ser partilhado............

domingo, 22 de setembro de 2013


Há momentos na vida em que parece que levantamos vôo, nuns a sensação é muito boa, porque ficamos leves, a energia levita e de repente habitamos um jardim; noutros as sensações são tão más que parecem não encaixar no filme e na vida que continua a correr para os outros, mas desistiu de nós. E neste vôo o corpo perde as forças de tal forma que nem a gravidade lhe chega. Há dias em que sentimos "do chão não passo", porque afinal o que precisamos é de energias para nos levantar, esquecendo-nos de que podemos, sim, passar do chão, uns metros abaixo aliás! Mas, no meu filme, eu tive medo de passar do tecto! Alguém se preocupa com o tecto, a gravidade ao contrário? De repente, arrancaram-me os pés do chão e levaram-me para uma realidade paralela. "A vida não é assim, onde é que eu vim parar?"

Seja mais perto do chão ou mais perto do tecto, mais perto do céu ou mais perto do inferno, mais perto da paz ou mais perto da guerra, no limite queremos o meio, aquele onde a virtude se passeia, onde as qualidades convivem com os defeitos e onde o essencial convive com o acessório. É afinal por isso que os pés andam no chão e a cabeça nas nuvens. 50/50.

Nos momentos mais difíceis, os amigos e a família parecem crianças a passear com o seu balão de hélio nas mãos, autênticos fios condutores que nos mantêm ligados e não nos largam em momento algum. Ainda não.

Se perguntarem às enfermeiras e auxiliares do serviço de hematologia do IPO, vão saber que, mesmo cheia de fios daqueles para não voar, e tendo deixado a rita-mulher à porta do hospital, a rita-balão tinha sempre as suas unhas impecáveis, porque a mãe-balão nunca se distraía. E porque afinal o acessório também pode ser essencial, quando se trata de mais um fio que nos liga à vida. Não é de todo mau ser marioneta quando se tem as pessoas certas a agarrar nos fios.

Passados 5 meses, quando o sol voltou a brilhar de perto e o hospital passou a ser uma miragem, as unhas desfizeram-se todas de cansaço. Sabiam que já não eram... vitais.


Já descansaram o suficiente :)

sábado, 21 de setembro de 2013


Teste CurAção

1. (e única questão) O que é que uma pessoa faz quando volta à estaca 0?

a) Reclama a (in)justiça divina. Ninguém merece.
b) Faz previsões do futuro num contexto de crise económica: é impossível arranjar emprego neste país, quem vai dar emprego a uma pessoa incapacitada e afirmações baseadas em crenças semelhantes.
c) Olha para o 0 como precedente do 1, 2, 3, 4, 5... da quantidade de oportunidades que estão a chegar.
d) Aproveita as ofertas que se apresentam no mercado, as oportunidades de cruzar capacidades/competências e formação/emprego disponíveis.



Resultado: As respostas estão todas correctas e conduzem-nos a caminhos diferentes. Não vale responsabilizar os outros pelo caminho que se escolheu.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Com este título, podia falar de mim, mas sou suspeita para falar de mim... Especializada em técnicas expressivas aplicadas sobretudo num contexto educativo, utilizo as formas de expressão como ferramentas de auto-conhecimento e transformação, mas ainda fico mais entusiasmada quando descubro testemunhos vivos e apaixonados que dão provas do poder da linguagem simbólica. E diria mais: da articulação perfeita entre os dois hemisférios cerebrais para se dar o salto, na cura e na evolução pessoal. 


Esta é a história  da bailarina indiana Ananda Shankar Jayant, não "sobrevivente de cancro" (da mama), mas "conquistadora "do próprio cancro, pelas suas palavras. É um vídeo de cerca de 15 minutos, de dança, de comunicação, de expressão plástica, de expressão cultural e de uma escolha: sintonizar-se na dança e não no cancro. "A minha história é sobre o poder do pensamento/da mente, o poder do foco." Ananda escolheu que estação queria sintonizar e o cancro não estava nas hipóteses consideradas. 

Perdemos muito tempo a combater, a lutar contra o que achamos que representa uma ameaça, gastando energias fundamentais que devem ser canalizadas para a mudança que queremos ver nas nossas vidas. E isto não é só conversa para doentes oncológicos. Não vamos lutar contra o que está mal, mas aceitar a boleia da experiência para construir uma vida melhor (a vida que queremos). 

"I WILL RIDE CANCER. I WILL NOT ALOUD CANCER TO RIDE ME". (Ananda)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

De encontro àquilo em que já acredito há muito tempo, vou transcrever a experiência da Louise Hay, que defende que os pensamentos e as palavras que utilizamos repetidamente criam a nossa realidade, para o bem e para o mal. Os portugueses deviam todos conhecer esta senhora, porque todos os dias confirmam as desgraças que andam a profetizar. Este filme é fantástico: http://www.youtube.com/watch?v=EqadE2-qtcI. Foi-me útil nalgumas noites, na minha cama, acompanhada de alguns fantasmas que tão bem cumpriam o seu trabalho de me assustar. Mas como quem manda em mim ainda sou eu...

A afirmação que mais utilizei quando senti medo foi "eu sou amor", não por conselho da Louise, mas por intuição. O medo foi-se dissipando e a minha força intensificando. "O poder está sempre aqui e agora nas nossas mentes. Não importa há quanto tempo temos padrões mentais negativos, doenças, relações terríveis, problemas financeiros ou falta de auto-estima; podemos começar a mudar hoje mesmo." (L.H.)

Hoje tenho uma afirmação para remover da minha cabeça. Tenho a mania de dizer que certa coisa me "põe doente" ou que "fico doente" com determinadas situações. Ah e tal "é maneira de dizer...". Pois, não é só maneira de dizer. Acontece! Mas há-de haver outra forma de lidar com a realidade de que não gosto sem ser a ficar doente! E portanto, quando me vem ao pensamento "fico doente com isto", substituo logo por "não gosto disto, mas não preciso de ficar doente, porque tudo se vai resolver, no tempo certo". Que coisas vos põem doentes (uma maneira de dizer)?

Testemunho da Louise Hay:

EU SEI que o mal-estar (dis-ease) pode ser curado através de uma simples transformação de padrões mentais. Há vários anos, foi-me diagnosticado um cancro vaginal. Tendo em conta que eu fui violada aos cinco anos de idade e maltratada durante toda a minha infância, não era de surpreender que eu tivesse manifestado um cancro na vagina. Nessa altura, eu já ensinava a cura há vários anos e tinha plena consciência de que me estava a ser dada uma oportunidade de pôr em prática em mim mesma e demonstrar aquilo que ensinava aos outros. 

Como qualquer pessoa a quem é diagnosticado um cancro, entrei em pânico. No entanto, sabia que a cura mental funcionava. Tendo consciência de que o cancro resulta de um padrão profundo de ressentimento, ao qual a pessoa se apega durante muito tempo até ele começar literalmente a devorar o corpo, sabia que tinha muito trabalho a fazer, a nível mental. Percebi que, se fizesse uma operação para remover o cancro, mas não me libertasse do padrão mental que lhe dera origem, os médicos iriam continuar a cortar bocados da Louise até não sobrar Louise nenhuma! Mas se fizesse a operação e me libertasse do padrão mental que dera origem ao cancro, este não voltaria a manifestar-se. Quando o cancro, ou qualquer outra doença, se manifesta repetidamente, não acredito que seja por o médico não ter "tirado tudo", mas por o paciente não ter feito as transformações mentais necessárias e, por isso, continuar a recriar a mesma doença. Também sabia que, se me conseguisse libertar do padrão mental que dera origem à condição a que chamamos cancro, eu não precisaria de um médico. Por isso, tentei ganhar tempo. O médico concedeu-me, de mau grado, três meses, avisando-me que qualquer atraso no início do tratamento poderia pôr em risco a minha vida. 

Comecei imediatamente a trabalhar com o meu professor a fim de me libertar dos velhos padrões de ressentimentos. Até então, eu nunca tinha admitido que tinha ressentimentos tão profundos. É frequente não reconhecermos os nossos próprios padrões. Precisava de fazer muito trabalho de perdão. Outra coisa que fiz foi consultar um nutricionista e desintoxicar completamente o meu corpo. Com esta cura mental e física, consegui, em seis meses, fazer com que os médicos admitissem aquilo que eu já sabia: eu já não tinha cancro. Ainda tenho comigo os resultados das análises que revelaram o cancro, para não me esquecer de quão negativamente criativa eu podia ser. 

Hoje em dia, por muito difícil que pareça ser a situação de uma pessoa, EU SEI que se ela estiver DISPOSTA a fazer o trabalho mental  necessário de libertação e de perdão, quase tudo pode ser curado. A palavra "incurável", que é tão assustadora para tantas pessoas, significa apenas que um certo mal-estar em particular não pode ser curado por meios "exteriores", sendo necessário IR ATÉ AO INTERIOR de si próprio para levar a cabo a cura. O mal-estar veio do nada e ao nada regressará.

in "Saúde de A a Z"

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