segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Este vídeo faz três meses daqui a três dias, foi gravado uma semana depois da minha última quimioterapia e representa o meu grito de ipiranga! Não cumpri o protocolo completo de tratamentos por opção minha, por considerar que o tratamento agressivo não deve ser feito a qualquer custo e, neste ponto, percebi que já tinha as minhas contas em dia. Escolhas. Um dia explico. O que interessa hoje é recordar que a paixão move montanhas de células saudáveis, viver e sentir o agora cura e agir pela vida faz-nos continuar a viver. Se um dia voltarei a dançar como antes? O que é que isso interessa? Será sempre diferente, porque eu também estou diferente...

domingo, 15 de setembro de 2013

Nos hospitais públicos, não há quartos particulares. Temos de levar com os ais e os uis dos outros, como se não bastassem os nossos! Ainda levamos com a neura de um ou a boa disposição inusitada ou ainda o humor duvidoso de outros... Se isto (de estar doente) é uma treta, é uma treta! Ser inteligente, ter capacidade de adaptação e tirar partido do melhor das situações é muito giro, mas não tira a treta do filme! Por que não me dão um quartito para curtir a desgraça sozinha? Ah, é a crise!

Não. Errado. Está tudo pensado! Se estivesse sozinha num quarto, não teria conhecido um mundo de possibilidades com o mesmo nome: linfoma. Não teria percebido que cada história é uma história e que não há como comparar, mas apenas partilhar, inspirar e ser inspirado. Entrar em comparações é quase faltar ao respeito que merece a individualidade de cada um, no seu caminho, no seu processo. Em contrapartida, se estivesse sozinha num quarto, não me tinha apercebido de muitas das regras do jogo. Os médicos, a medicação, dizer que sim, dizer que não, enfermeiros, auxiliares, senhoras da limpeza, ter direitos e exigi-los, desconfiar, confiar, comparar (sim, comparar!), decidir, ouvir, conversar... Há regras, umas mais explícitas e outras mais implícitas, e tornam-se mais claras com termos de comparação. Portanto, não entremos em comparações mas não percamos as referências. São orientadoras. E se estivesse sozinha num quarto, não teria convivido com as linfobabes, todas diferentes na igualdade e às vezes iguais na diferença. 

Sim, temos amigos maravilhosos, mas quem entende melhor o nosso ui, quem afina melhor no coro de ais e quem nos dá a mão ou às vezes o empurrão de que necessitamos, com maior legitimidade? As linfobabes! Somos três, porque é a conta que Deus fez e convém estar perto Dele nestas horas. É que a linfoteam cansa-se muito depressa, não faz horas extra nem está para conveniências! Também precisa de mais folgas e dias de férias porque há uma vida para lá do trabalho de estar doente. E quem mais entende a rebeldia e o chuto nas regras que com todo o direito por vezes quebramos - o direito de nos cansarmos deste jogo? Batotas à parte, queremos todas o mesmo: liberdade! Liberdade para dentro da cabeça, como diz a música, mas também para dentro das nossas veias, das nossas pernas, das nossas vísceras, das nossas ancas (sacode, sacode, Dani!), do nosso coração que às vezes fica apertadito de preocupação (não é, Sarocas?), do nosso espírito... A linfoteam não quer saber da crise, quer saber da vida! E já sabe um bocadinho mais porque "o que não nos mata torna-nos mais fortes"! Ó pá, o povo diz com cada coisa! Eu tenho para mim que, se não morremos, é porque afinal somos é bué da fortes, pá! E estamos aqui para as curvas! Não passamos é dos 50km/h, que é por causa das tosses... 

(to be continued...)




sábado, 14 de setembro de 2013

Nos tempos difíceis, há como que um update das amizades, uma arrumação da gaveta dos laços e um ressuscitar de ligações perdidas. Há aqueles que se aproximam numa identificação com o mundo dos aflitos e os que se afastam com medo que a aflição se pegue. Tudo se restrutura naturalmente (ou não tão naturalmente, dadas as circunstâncias). No final, tudo volta à normalidade: há aflitos que se desafligem e desaparecem do mapa, há outros que tratam de permanecer – não vá o Diabo continuar a tecê-las – e os outros que não entram nesta categoria porque estão sempre lá, na saúde e na doença. Todos são importantes, mas mais importante é acordarem o seu lado amoroso e que este se sobreponha ao medroso: que a aproximação seja mais um ato de amor do que um ato de medo (neste caso, da perda).

Com a família acontece o mesmo! De repente, avaliam-se prioridades e os laços de sangue ganham mais importância do que egos e umbigos de costas viradas. Não só ganhei mais família como a família também ganhou mais família. Quando se reúnem, todos se lembram de como são importantes uns para os outros. E se a união faz a força, a re-união re-força-nos e torna-se maior do que a soma de cada parte que andava metida na sua vida. Desconfio de que cada um volte à sua vida, mas ganhamos mais uns dias de celebração dessa mesma vida pelo caminho. Juntos.
Da minha parte, entre família de sangue e família de amigos, já tinha dito que representavam gotinhas de amor nas minhas veias (quando é de amor que se trata)!


Tchim tchim! À nossa!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


Com tanta expectativa no 2012, deixei o 2013 chegar qual bomba sem aviso, deixando-me qual McGyver com dois fios, um vermelho e um branco para escolher, sem saber qual dos dois cortar para não ir pelos ares. 

"(...) O número 13 sempre teve um significado especial, nas mais diferentes civilizações. Mas, para compreender este número, temos que entender antes o significado do número 12. Muitos mitos, deidades e heróis aparecem na quantidade de 12 (12 profetas, 12 sábios, as 12 tribos de Israel, os 12 signos do zodíaco, as 12 horas, 12 = uma dúzia). 12 encerra um sistema completo, coeso e perfeito. O 12 passa a ideia de segurança, de algo que está estruturado, perfeito e inviolável. 13, então, significa a ruptura de tudo isso, a transformação (destruição). Após essa mudança, é possível continuar a evolução. (...)"

"(...) O 13 é a lição do desapego. Em termos práticos, na numerologia, o 13 é utilizado no sentido de transformação, ou seja, mudar aquilo que está estagnado e que precisa de uma solução proveitosa, reciclando as energias paradas há tempos. A palavra de ordem do 13 é "rei morto, rei posto", portanto ele pede que você não fique olhando para o passado, nem se lamente por ele. Não tenha medo de ser feliz. Aproveite a onda de mudança que ele proporciona em seu benefício, rumo a uma nova terra fértil e a um novo estilo de vida, melhor e mais feliz para todos nós. (...)"

Portanto, para quem 2013 tenha trazido um evento ou mudança aparentemente azarada, fiquem sabendo que no tarot a carta XIII é "A Morte" e simbolicamente representa exactamente a transformação, a transmutação, o renascimento, a renovação. Claro que para isso acontecer algo tem de acabar, morrer. Novos tempos. Espero em 2014 "a Temperança", o equilíbrio, a harmonia, a bonança depois da tempestade. Sic transit gloria mundi...

Ah, e amanhã é dia 14! A sexta-feira 13 já foi! Hoje consegui que uma torradeira fizesse pfiuuuuuuuuu quase sem lhe tocar. Ou ainda estou radioactiva ou a dita estava mesmo à espera do 13 para queimar os últimos cartuchos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Um ano em Cabo Verde, meio ano no hospital e agora toca a recuperar, também e sobretudo, laços. E não há quem me toque que não seja tocado mas sobretudo não há quem se cruze neste meu caminho que não me acrescente um ponto fundamental no processo, porque tudo pode ser curAção, desde que ponha alma e coração em tudo o que faço. E intenção. A intenção é tudo. E não há curAção sem o dedo de uma criança - ou várias - e, primeiro, as minhas!

Estas fotografias são da semana que passei com estes meus primos (e afilhado) de palmo e meio, o Gonçalo, 11 anos (este já com dois palmos!), e a Joana, 6 anos, na primeira semana de Agosto. E como disse Picasso: Todas as crianças são artistas. O problema é como permanecer um artista quando você crescer.” Por isso há que manter-me próxima dos mestrinhos maiores enquanto são menores para não me esquecer da criança em mim. Desenhámos, dançámos, escrevemos, fotografamos... E logo haverá mais! 



Joaninha em experiências laboratoriais no jardim

Árvore de Natal do Gonçalo, com motivos naturais

Joana e Rita em curAção

Rita em construção

Preparando dança para a família

Onde o Mira encontra o Mar...

Gonçalo e o seu anjo curador :)

Pinturas faciais
Nosso desenho final, em giz e elementos do jardim... Temos vida, natureza, amor, anjos, natal, água, terra, fogo, ar... cura em ação!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013


E porque aqui a cronologia não tem relevância, vou recordar as Festas do Mar '13, o dia em que estive presente para vibrar com o Craig David e viajar dez anos no tempo (16.08.13)! Já ele dizia no concerto que esta música teve impacto na vida de muitas pessoas, mas o mais curioso é a forma como a ouvia em 2003 e a forma como a ouvi agora em 2013. As palavras são as mesmas mas cruzam-se com diferentes conteúdos da minha vida, com a semelhança de eu continuar a ser eu e da vida se manifestar em ciclos que dão a volta e tocam o mesmo, que nunca é o mesmo, como se vê! 

Em 2003 estava em Barcelona, como Erasmus, na Facultat de Psicologia da Universitat de Barcelona, e a dançar na Urban Dance School. O Craig David acompanhou-me tantas noites no caminho da escola de dança para casa. Parte da minha vida em Portugal em stand by, aguardando ou não o meu regresso. Dez anos depois, volto de uma estadia de um ano em Cabo Verde, volta essa precipitada por motivo de doença - ou saúde. Parte da minha vida lá, em stand by, aguardando ou não o meu regresso. Ou foi o stand by deixado cá em Portugal que me trouxe de volta?

Claro que a vida não pára e o stand by é tão só a imagem que escolhi para tudo o que deixamos pendente e não resolvemos, mesmo quando achamos que sim, sabendo que não. I'm walking away from troubles in my life... cantou o Craig à nossa frente, para me recordar de que sometimes in life you feel the fight is over, mas it's what they call, the rise and fall... O que será que estas palavras me dirão daqui a outros dez anos?


1. Primeira parte com Mia Rose

2. Um frrrrioo! Só a música para aquecer!

3. E temos mais dez anos em cima...!

4. Eu e a D. muito atentas...

5. No final...

6. Team friorentoooo

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dedicado à minha amiga D. que esta semana está "hospedada" no IPO, porque as noites às vezes são maiores do que os dias...



NOITE
(Julho 2013)

Na noite de ti, tudo vale. É o vale tudo da lua pela metade.

Metade escondida, metade perdida. Tenho medo, quando de dia sou coragem. Tenho coragem, quando de dia sou medo. É o terror do dia em suspenso.

Conta-me histórias em sonhos sem fim. Perseguem-me fantasmas, sombras de mim. Na noite calada, há gritos aflitos. A calada da noite é a tagarela dos mitos.

Conta-me a verdade do que sinto, mas despacha-te! Não te alongues em palavras mal-amadas.

Leva-me ao baile sem máscaras, mas despacha-te! E não me deixes sem par, a divagar.

Ah, não adormeças primeiro e sem canção de embalar!

Conselheira do dia, sabes tudo sem tudo saber, podes tudo sem tudo poder, queres tudo sem tudo querer, vences tudo sem contudo convencer!


Não sais do corpo, mas o corpo sai de si. Fico fora de mim. Vem buscar-me e devolve-me ao dia. Amanhã já é hoje. E hoje é outro dia. 

INSTAGRAM