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quinta-feira, 14 de novembro de 2013


Post inspirado na peça "Feio" da companhia Palco 13, em exibição até ao final do mês de Novembro, no Auditório F. Lopes Graça/Parque Palmela, em Cascais. 

Hoje não estou muito para elogios... muito menos a feios! E assim se começa a dissertar sobre o que o feio ou o bonito acrescenta a uma vida... 

...acrescenta reacções, comentários, críticas, elogios, abre caminhos, fecha portas? Bonitos desta vida, como teria sido a vossa vida se tivessem nascido feios? Mas vamos ainda mais longe. Como teria sido a vossa vida se a vossa cara fosse outra? A nossa cara traz muita informação sobre nós, os nossos genes, a nossa família, antepassados, de onde vimos... Mas, até que ponto pode determinar para onde vamos? Como reagem os outros a toda essa informação alojada nos nossos traços, alargada à nossa linguagem corporal? E se de repente mudamos de cara, corpo e "comportamento corporal"? 

Não há como dissociar identidade de corpo, até porque o nosso cartão de visita, de identidade ou do cidadão, tem de ter a nossa cara chapada. Esta sou eu, mais ninguém!

Claro que não pretendo cair no determinismo da coisa - se é loira, é burra, olhos verdes são traição e azuis ciúme, como nas canções - até porque, por detrás do olho está toda uma intenção que espelha a alma e essa tem muito mais cores do que aquela que aparece. Mas a verdade é que eu sou esta, vim com esta embalagem e não sou a outra. Este ano perdi o cabelo. Tive a sorte de ter sofrido uma mudança relativamente aceitável no que toca à identidade: não nasci com ele por isso continuo a ser sempre eu! Mas podem crer que às vezes sinto traços de personalidade distintos em mim, que estão relacionados com o meu estereótipo de mulheres de cabelo curto que sem querer incorporei. Inconscientemente ou não, associando o cabelo curto se calhar a uma energia mais masculina, sinto-me mais determinada. Não posso atirar os cabelos para o alto e esperar que caiam sensualmente ou enrolar graciosamente uma madeixa de cabelo. Nem dançar com o cabelo, caraças! É isto e pronto. Sem rodeios. Googlando sobre personalidade e estilos de cabelo:

“Geralmente quem corta o cabelo curto deseja ser menos sensível e sofrer menos interferências na vida." O cabelo comprido está associado a "pessoas mais sensíveis e bem mais flexíveis." E podia continuar a citar o que se diz por aí, mas o interessante é perceber que existem estereótipos e expectativas agidos a um nível inconsciente que nos levam a ter um determinado comportamento quando temos determinados traços ou perante alguém que tenha uma fisionomia específica. 

Mais do que apelar à anulação destes fenómenos - o que importa é a beleza interior porque, afinal de contas, o intestino é bem mais importante na nossa sobrevivência do que o feitio das orelhas - o mais interessante e relevante é tomar consciência de que isto acontece e faz parte, para depois perceber o quão injustos estamos a ser se não equacionamos todas as variáveis. A linguagem corporal não traz legendas, mas estão lá, subentendidas. Subentenda-se portanto.

Fotografia das costas dos Feios, para não ferir susceptibilidades (Alfredo Matos Fotografia)

Elogio ao FEIO #2
Elogio ao FEIO #1

sábado, 9 de novembro de 2013

Juca Furtado, 24 anos, cabo-verdiano, diagnosticado com leucemia aguda há um ano... até hoje...

Dizia eu que a morte é a vida ao contrário... e falava contigo há 6 dias atrás sem sonhar que hoje virarias a mesa... Hoje percebi que crença e fé são conceitos diferentes. Os dois movem montanhas e falam de acreditar mas podem conduzir-nos a desfechos diferentes. Mas hoje a teoria pouco interessa. Nem sei se devia ter dito o que te disse. Nem sei bem como abordar quem passa pelo processo de doença mas não comparte das minhas convicções ou desejos. Nem sei se cura é o mesmo para todos. Nem sei se todos querem de facto o mesmo. Não te conhecia mas fiz por te conhecer um bocadinho mas pouco. Ou o suficiente. Partiste para o outro lado que espero que para ti seja igual a amor, saúde e crescimento. Aqui ou aí desejo-te o mesmo. E desejo-te o mesmo que desejo para mim, aqui ou um dia aí. Ajudaste-me a ter ainda mais certeza neste caminho apesar de tudo o que me escapa. Ainda assim as palavras hoje servem de pouco. E porque escolher viver é escolher também um dia morrer, espero continuar a viver com humildade, respeito pelo próximo e esperança. Devo manter-me no meu cantinho? Devo assumir um papel activo nesta área? Como fazê-lo sem interferir na liberdade dos outros? Continuo a dizer que a melhor forma de o fazer ou a única ao meu alcance é dar o exemplo, o testemunho e informar, dentro das minhas possibilidades. Registei a última coisa que me disseste por escrito sem saber que aquela frase era mesmo a última coisa que ouviria de ti. "Sei que vou conseguir se cumprir a minha parte." A tua parte continua por aí. Será que estou a cumprir a minha por aqui?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


Post inspirado na peça "Feio" da companhia Palco 13, em exibição até ao final do mês de Novembro, no Auditório F. Lopes Graça/Parque Palmela, em Cascais. 


O que diz a minha forma sobre o meu conteúdo? O que diz o espelho sobre quem eu sou? Há dias em que acho que o espelho diz o que parece que sou. Ou será apenas o que aparece que sou? Porque no espelho vejo um sorriso maroto, olhos que rasgam a alma e rugas desconfiadas, devolve-me o espelho a minha pessoa? É assim que sou... ou estou? E se o meu espelho hoje fores tu, o teu sorriso dúbio, os teus olhos indecifráveis e as tuas rugas em tensão?

Mais do que falar da importância do espelho que temos em casa, quero falar sobre como nos espelhamos uns nos/aos outros e como esse espelho que és tu - e não o da parede ou do retrovisor - tem tão mais importância do que qualquer outro. É esta que eu sou? É este o impacto que eu tenho em ti? É assim que o mundo me vê? É assim que tu - que és o meu mundo resumido neste segundo - me vês?

A mulher do Dieter olhava apenas de soslaio para o seu olho esquerdo. Ele não sabia que era feio, mas sabia que era alguém que suscitava esse tipo de reacção. "És muito feeeio!" traduziu ela, transformando o sonho em pesadelo. Pois, se ele não ficou a saber se era efectivamente feio - opiniões são discutíveis - passou a sentir-se feio, o que é bastante pior! Sentir-se feio é pior do que ser feio!!! E depender do espelho - de casa ou do lado - é abdicar da exclusividade na condução da própria vida. É o mesmo que dizer: "ok, dou-te as chaves da minha casa e faz com ela o que quiseres, desde que me deixes continuar a viver lá."

E assim o Dieter entregou a sua casa/cara mas continuou a viver lá. Casa remodelada, festas à grande, fachada imponente, imparável. Apenas deixou de ser a sua. Para onde teriam ido as suas coisas, os seus biblots, aqueles que tinham a sua cara, aquela que deixou de ser pessoal e intransmissível?

Impessoal é tudo o que nos impede de ser pessoa. Ninguém sobrevive a ser im-pessoa. E quanto mais a minha pessoa residir na tua ou em qualquer outra, mais perdida de mim mesma vou estar. Mas também é preciso que te digam que aquilo que vês em mim tem mais a ver contigo do que comigo. E se me vês a sorrir, é porque sou incapaz de te mentir.




O que diz a minha forma sobre o teu conteúdo?







terça-feira, 5 de novembro de 2013


Post inspirado na peça "Feio" da companhia Palco 13, em exibição até ao final do mês de Novembro, no Auditório F. Lopes Graça/Parque Palmela, em Cascais. 

Por que é importante sermos bonitos? Parafraseando a minha amiga Jô, quem é que inventou que tinha de ser assim? Temos de ser assim, temos de fazer assado, temos de corresponder às expectativas, temos de ter a casa sempre arrumada, temos de estar sempre a produzir e a reproduzir e ainda a pós-produzir porque a coisa ainda não está certa. Quem é que inventou que tinha de ser assim, que a vida era isto e que o texto era este? 

É importante sermos bonitos, por dentro e por fora - e arredores! E agora a coisa ainda se torna pior porque, como a beleza vende de uma forma doida (e varrida), e anda meio mundo mal cotado no mercado porque não dá para todos, anda uma (menos) bela parte da população a reivindicar a importância da beleza interior. O que interessa é a beleza interior! Ora bolas, continuo a ter de ser bonita! E a trabalheira que isso dá! (até descobrir que a trabalheira na frase "ter de ser bonita" não está no "ser bonita" mas no "ter de"). Quem é que inventou os deveres e os teres de desta história?

Pois, fomos nós, nós todos, o sistema! Eu gosto de gente bonita e de paisagens bonitas e de coisas bonitas. Não gosto de feios, porcos e maus e depois também não gosto de uma data de coisas feias minhas e tuas e nossas. É assim. Gosto de ter tudo no sítio, mas, às muitas vezes, não tenho nada no tal sítio, esse que vem no programa. Conforme a sitiação. Mas quem sou eu para dizer que o menino é feio quando se porta mal? Quem sou eu para dizer que não interessas nem ao menino Jesus, o mais bonito dos bonitos? Quem és tu, Pai do Natal, para só presenteares os meninos bonitos, os que se portam bem? Quem escreveu o manual do bonito comportamento? Quem desenhou as caras bonitas e os corpos perfeitos?

Eu gosto de ser bonita, não gosto de ser feia. E gosto de coisas bonitas, os olhos também enchem a barriga. Mas hoje quero elogiar a minha parte feia! Sim, sou feia, e tu então ainda és mais feio se não me quiseres feia! (Digo-te já que isso não seria nada bonito!)

Bom, mas só sou bonita e/ou feia porque alguém inventou classificar-nos assim e que essa classificação teria repercussões em tudo o resto. A verdade é que é assim! Se alguém vier agora reinventar isto e decidir que o importante é SER e que nesta matéria devemos abster-nos de julgamentos, o que será que acontece?

Constituirá o sentido estético uma programação biológica do criador? Se calhar, é isso. O mais bonito é o que sobrevive, nem que isso resulte em dias em que tem de se fazer cara feia aos adversários. Pois é, também não sobrevive quem for bonito todos os dias!

Se apreendemos o mundo pelos sentidos, queremos o bonito. É legítimo. O feio incomoda. Perturba os ouvidos, fere as mãos e cega os olhos (se bem que não sei o que é que cega mais os olhos, se o feio se o bonito). Mas sem incómodos não mudamos de lugar e não chegamos a mais lado nenhum, senão este, o do concurso de beleza - world peace, :) e Y. Por outro lado, somos o todo e não as partes, mas também as partes. 

Por que é importante sermos bonitos? Comecemos pelo nariz, a parte mais saliente da cara...

Posto isto, não vou dizer se a peça é bonita ou feia. Vão ver!





terça-feira, 29 de outubro de 2013



Ex-modelo e jornalista, Flávia Flores, brasileira, inspira muitas mulheres para que sejam capazes de se reinventar durante o processo de quimioterapia, com um blog e uma fanpage nas redes sociais e agora com um livro. As cats são as gatxinhas que passam pelo tratamento e o look da quimio é a forma como algumas delas escolhem apresentar-se, cada uma com o seu estilo. Vídeos de como colocar os lenços, dicas de maquilhagem, auto-estima acima de tudo, para que não se descure, mas ao contrário se cure com todas as ferramentas disponíveis. Não há por que viver todos os dias com a cara "de lagartixa" imposta pela doença e pelos tratamentos.

Ainda mais importante do que isto, quero salientar que tudo o que retiramos de positivo de uma situação difícil deve ser levado para cada bocadinho de dia, cada oportunidade de vida e cada desafio que se apresente e aqui acho que não é necessário ter um cancro da mama como a Flávia para que qualquer pessoa cuide de si nem um linfoma como eu para que desperte o seu lado criativo. Estamos cá para que quem lê não tenha de passar por estas coisas, mas que ainda assim cuide de si e das suas coisas com todo o amor.

 


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